Publicado em Espiritismo

Animais – Nosso Lar

Existem relatos de animais no plano espiritual? Apresento para vocês uma catalogação de pontos em que são citados alguns animais nos livros da série de André Luiz, psicografados por Chico Xavier, para auxílio em estudos futuros.

Livro dos Espíritos – Pergunta 601: Os animais estão sujeitos, como o homem, a uma lei progressiva? “Sim; e daí vem que nos mundos superiores, onde os homens são mais adiantados, os animais também o são, dispondo de meios mais amplos de comunicação. São sempre, porém, inferiores ao homem e se lhe acham submetidos, tendo neles o homem servidores inteligentes.”

Neste post, vamos tratar do Livro Nosso Lar (1944)

Cap. 7 – Explicações de Lísias

A pequena distância, alteavam-se graciosos edifícios. Alinhavam-se a espaços regulares, exibindo formas diversas. Nenhum sem flores à entrada, destacando-se algumas casinhas encantadoras, cercadas por muros de hera, onde rosas diferentes desabrochavam, aqui e ali, adornando o verde de cambiantes variados. Aves de plumagens policromas cruzavam os ares e, de quando em quando, pousavam agrupadas nas torres muito alvas, a se erguerem retilíneas, lembrando lírios gigantescos, rumo ao céu

Das janelas largas, observava, curioso, o movimento do parque. Extremamente surpreendido, identificava animais domésticos, entre as árvores frondosas, enfileiradas ao fundo.

Cap. 33 – Curiosas Observações

Identifiquei a caravana que avançava em nossa direção, sob a claridade branda do céu. De repente, ouvi o ladrar de cães, a grande distância.

– Que é isso? – interroguei, assombrado.

Os cães – disse Narcisa – são auxiliares preciosos nas regiões obscuras do Umbral, onde não estacionam somente os homens desencarnados, mas também verdadeiros monstros, que não cabe agora descrever.

A enfermeira, em voz ativa, chamou os servos distantes, enviando um deles ao interior, transmitindo avisos.

Fixei atentamente o grupo estranho que se aproximava devagarinho. Seis grandes carros, formato diligência, precedidos de matilhas de cães alegres e bulhentos, eram tirados por animais que, mesmo de longe, me pareceram iguais aos muares terrestres. Mas a nota mais interessante era os grandes bandos de aves, de corpo volumoso, que voavam a curta distância, acima dos carros, produzindo ruídos singulares.

Dirigi-me, incontinenti, a Narcisa, perguntando:

– Onde está o aeróbus? Não seria possível utilizá-lo no Umbral?

Dizendo-me que não, indaguei das razões. Sempre atenciosa, a enfermeira explicou:

– Questão de densidade da matéria. Pode você figurar um exemplo com a água e o ar. O avião que fende a atmosfera do planeta não pode fazer o mesmo na massa equórea. Poderíamos construir determinadas máquinas como o submarino; mas, por espírito de compaixão pelos que sofrem, os núcleos espirituais superiores preferem aplicar aparelhos de transição. Além disso, em muitos casos, não se pode prescindir da colaboração dos animais.

– Como assim? – perguntei, surpreso.

– Os cães facilitam o trabalho, os muares suportam cargas pacientemente e fornecem calor nas zonas onde se faça necessário; e aquelas aves – acrescentou, indicando-as no espaço –, que denominamos íbis viajores, são excelentes auxiliares dos Samaritanos, por devorarem as formas mentais odiosas e perversas, entrando em luta franca com as trevas umbralinas.

Vinha, agora, mais próxima a caravana. Narcisa fixou-me com bondosa atenção, rematando:

– Mas, no momento, o dever não comporta minudências informativas. Poderá colher valiosas lições sobre os animais, não aqui, mas no Ministério do Esclarecimento, onde se localizam os parques de estudo e experimentação.

E distribuindo ordens de serviço, aqui e acolá, preparava-se para receber novos doentes do espírito.

Cap. 34 – Os Recém-Chegados do Umbral

Estacaram as matilhas de cães ao nosso lado, conduzidas por trabalhadores de pulso firme. Daí a minutos, estávamos todos enfrentando os enormes corredores de ingresso às Câmaras de Retificação. Servidores movimentavam-se apressados.

Cap. 35 – Encontro Singular

Guardavam-se petrechos da excursão e recolhiam-se animais de serviço, quando a voz de alguém se fez ouvir carinhosamente, a meu lado: – André! Você aqui? Muito bem! Que agradável surpresa!…

Caso algum ponto tenha passado desapercebido por mim, favor indicar nos comentários que atualizarei o post e ficarei muito grata!

Em breve, outros livros da série André Luiz.

Publicado em Espiritismo

A energia da Páscoa

Parece até clichê dizer que atraímos aquilo que está na nossa vibração. Pensamentos, sentimentos, atitudes, emoções, tudo, absolutamente tudo, gera e movimenta energias que nos cercam e ditam aquilo que atraímos ou repulsamos.

Então, vamos falar sobre a energia da Páscoa?

Mesmo sabendo da importância de cuidarmos da nossa energia, nos perdemos em caminhos que nos levam à depressão e tristezas inexplicáveis. Nesta época, o psiquismo da Terra se conecta com muito sofrimento e ficamos ainda mais vulneráveis.

Lembro que a Páscoa é uma comemoração de origem Judaica, na qual se lembra a libertação do povo Hebreu de mais de 400 anos de escravidão pelo Egito. Imagine-se vivendo naquele momento, vendo a alegria do povo e sentindo a vibração da liberdade. Não seria maravilhoso?

O sentimento de libertação é um verdadeiro bálsamo para a alma.

Os cristãos, e quero deixar registrado que sou cristã, assumiram este período de festa em suas vivências e comemoram a libertação material trazida nas mensagens de Jesus, lembramos o momento em que Jesus se liberta da matéria e dá lugar para o espírito eterno. Assim, a Páscoa permanece tendo a característica da libertação e o convite a uma vida e uma vivência espiritual.

De forma maravilhosa, teríamos a opção de nos conectarmos com o sentimento de libertação e alegria. Poderíamos viver a experiência espiritual e nos aproximarmos de Deus por meio da vibração de amor e alegria. No entanto, somos bombardeados com uma energia de sofrimento e de dor.

Fuja desesperadamente das mensagens de dor e sofrimento. Escolha não conectar com esta energia.

Talvez algum cristão goste de ter a imagem de Jesus crucificado com sangue e tudo mais, mas eu prefiro me conectar com a energia de Jesus conversando com as crianças, curando e ensinando. Os discípulos e seus seguidores sentiam alegria ao seu lado e não sofrimento. A conexão com a passagem ativa de Jesus pela Terra me faz sentir que a sua alegria se realiza em mim.

João 15-11: Tenho dito estas palavras para que a minha alegria esteja em vocês e a alegria de vocês seja completa.

Muito bem, entenderam que é uma questão de escolha? Agora pensem bem, qual energia você quer carregar em seu coração hoje? A energia do amor, da libertação e da alegria ou a energia do sofrimento e da dor?

Levem chocolate recheados de amor. Jesus não tirou os pecados do mundo, mas nos ensinou o caminho: “o amor cobre uma multidão de pecados”.

Outros artigos relacionados:

Arrepios pelo corpo e as curas do magnetismo

A energia do pensamento.

Publicado em Evangelho de Jesus

O Pão Espiritual

Receita de um cozinheiro especial.

– Mestre, como posso demonstrar o meu amor por você?

– Alimente minhas ovelhas.

– Senhor, quem são as suas ovelhas?

– Há algumas que estão aqui, neste recinto, mas há outras que não estão aqui. Querido discípulo, estas últimas também precisam ser alimentadas.

– Mestre, qual o melhor alimento que posso fornecer a elas?

– Ofereça-lhes um pão bem macio, fermentado pelo espírito e recheado de boas atitudes.

– Mestre, preciso alimentar até aquelas ovelhas mais distantes?

– Sim, meu discípulo. Estas são as que mais precisam do Pão Espiritual.

Menino abraçado com uma ovelha.
“Disse-lhe pela terceira vez: Simão, filho de Jonas, amas-me? Simão entristeceu-se por lhe ter dito terceira vez: “amas-me?” e disse-lhe: “Senhor, tu sabes que te amo.” Jesus disse-lhes: Apascenta as minhas ovelhas.” João, 21:17

Veja também: Alimento Verbal.

Acompanhe as próximas palestras.

Referências

Livro Palavras de Vida Eterna. Cap. 123 – No Pão Espiritual.

João 10:16 – “Tenho também outras ovelhas que não são deste aprisco; é preciso que eu conduza também a elas; ouvirão a minha voz e haverá um {só} rebanho e um {só} pastor.

Foto: https://www.mildicasdemae.com.br/2016/10/o-fofo-ensaio-da-crianca-com-sua-ovelha-de-estimacao.html

Publicado em autoconhecimento

Resgatando Sonhos

Quais são os seus sonhos (desejos)? Quais são os sonhos dos seus filhos, companheiros e irmãos? Você corre tanto na sua vida e está indo para onde? Já parou para pensar sobre isso?


Ao refletir sobre sonhos, percebi que, em algum momento da minha vida, eles ficaram para trás. Será que foi naquela curva das dificuldades financeiras ou na equina em que se encontra a avenida das mil e uma atividades automáticas que executo no dia a dia com a avenida do cansaço do fim do dia.

“Poderia me dizer, por favor, que caminho devo tomar para ir embora daqui?” “Depende bastante de para onde quer ir”, respondeu o Gato. “Não me importa muito para onde”, disse Alice. “Então não importa que caminho tome”, disse o Gato. [1]

A verdade é que nos tornamos Alices.


Na correria do dia a dia, podemos estar indo muito longe. Chegaremos a um local que pode não ter absolutamente nada a ver com o que desejamos para nós mesmos. Este fato ocorreu com Ryan Nicodemus. No documentário “O Minimalismo“, Ryan nos conta como se tornou um grande executivo, com uma sala em um prédio lindo e completamente desconectado de si mesmo. Após pedir demissão e passar a trabalhar em um local perto de casa, ao qual, ele poderia ir de skate, percebeu que agora, sim, ele estava feliz.

Para onde estamos indo?

Para onde quero ir?

Esses pensamentos devem estar presente ao escolher a escola do filho, ao se escolher o bairro em que vai morar e o estilo de vida que vai seguir. O problema é que caminhamos como Alice. Na busca pela melhor escola para que o nosso filho tenha condições de passar em uma faculdade Medicina, nós nos esquecemos de observar que ele possa ter pavor de sangue, que talvez o seu sonho seja ser músico, advogado ou um Monge Tibetano.
Você já se fez esta pergunta?
Você já perguntou isto para ele?

De fato, estamos vivendo em um período perigoso em que constantemente matamos os nossos sonhos e dos outros. O sonhador é aquele que dá muito trabalho. É aquele colega do serviço que fica inventando moda. É aquele menino que foge do padrão e é diferente. Até crucificamos um cara que pensava diferente demais, né? O problema é que o sonho nos impulsiona, faz-nos crescer e promove mudanças importantes. O sonhador é aquele que faz a humanidade dar um passo à frente.

Quem não sonha vai andando sem rumo. É importante ressaltar que a falta de planos para o futuro é um dos sintomas do suicídio que assombra a nossa sociedade.


Estimulem os sonhos de todos ao seu redor. Escreva seus sonhos em um papel e trace metas reais. Caminhe nessa direção. Reveja os sonhos, se preciso, e trace novas metas. Não pare nunca de sonhar e caminhar.

Referências

1 Alice – Aventuras no país das Maravilhas – Lewis Carrol
2 Laços de Afeto – Ermance Dufaux

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Empatia

A empatia é um sentimento que anda junto com a caridade. É dizer “Estou com você”, só que com atitudes e não apenas palavras.

É muito mais fácil delegar o acolhimento de alguém que precisa para Deus ou para os anjos. Em verdade, Deus e os anjos lhe colocaram ali para que você, em nome deles, acolha a dor do outro.

Age, porém, diante dos acidentados da alma com a prudência e a piedade do enfermeiro que socorre a contusão sem alargar a ferida.[1]

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Veja o vídeo sobre empatia.

Luz Estelar

Referências:

1 – Livro Estude e Viva. Cap. 17. Emmanuel, psicografia de Francisco Cândido Xavier e Waldo Vieira

Publicado em autoconhecimento, Espiritismo

O Poder da Prece

Por que você reza? Para pedir alguma graça? Para louvar a Deus? Para agradecer? E então… funciona?

Antes de pensarmos no poder da prece, há que se ponderar o que podemos esperar como resultados. Assim, poderemos mensurá-los, certo?

Pesquisas indicam que, em geral, as pessoas fazem preces com três finalidades:

  1. Louvar a Deus ou a alguma entidade do plano espiritual (anjos, santos, etc)
  2. Agradecer a Deus ou a alguma entidade do plano espiritual (anjos, santos, etc)
  3. Pedir alguma graça para si mesmo ou para outro (prece interceptória).

Precisamos, então, analisar o alcance possível destas três finalidades para que possamos mensurar a eficiência da prece.

Os objetivos da prece tem a sua finalidade muito intrínseca a sua visão de Deus. Para mim, Deus não é um ser. Ele é a força do amor, como diz João Evangelista “Deus é amor”. Esta frase que tanto anda em adesivos em carros tem um significado esplêndido, porque nela não há um artigo definindo Deus, portanto Ele é um verbo, uma força que somente percebemos nas Suas ações. Desta forma, este verbo que é a causa primária de todas as coisas, ao meu ver, não precisa que euzinha fique louvando a ele. Claro que não existem os sintomas de vaidade e nem de vingança em uma Força do Amor. Desta forma, ao meu ver, Deus não precisa que eu faça preces para envaidece-lo ou para mostrar a ele o que eu preciso. Confie em mim… Ele sabe de tudo o que você está passando! Da mesma forma, imagino que São Francisco, Jesus, Nossa Senhora, Santa Clara, estejam ótimos. Eles são seres iluminadíssimos e não estão esperando a minha prece para atuar em minha vida. Seguindo a mesma linha de pensamento, sendo Deus um Pai amoroso, o agradecimento de seu filho é pouco relevante para aquele que tem amor incondicional. Vou ser mais clara, quando eu faço o café da manhã para o meu filho fico muito feliz por poder lhe dar esse carinho. Usualmente não espero um “obrigado, mamãezinha do meu coração”, entende? Deus nos ama e ponto, sem condições.

Você pode estranhar estas colocações, pois aprendemos que devemos barganhar com Deus e com o plano espiritual, mas não acredito nessa relação doentia. Bom, essa é uma opinião pessoal e realmente não acredito que Deus ou todos os seres iluminados estejam precisando da minha prece! Leia até o final, talvez você consiga compreender melhor onde quero chegar.

Quero dizer que, diante de tudo o que eu já li, estudei e vivenciei, tenho convicção que sou filha de Deus, criada a sua imagem e semelhança. Ou seja, EU SOU a força do amor, igual ao meu Pai. O problema é que às vezes, ou melhor, muitas vezes, me distancio Dele e me desconecto.

Prece3

Agora estão entendendo onde quero chegar?

Desta forma, a prece é um movimento nosso em direção à Força do Amor. Louvar a Deus é se conectar com Ele. Ou seja, Deus já está aqui e eu que preciso me conectar a Ele para beber dessa fonte de amor. Durante a prece a gente muda a nossa vibração e tudo funciona como uma mudança da estação de rádio. Assim, entramos em outra freqüência.

rádio
A prece nos sintoniza na frequência divina, como uma estação de rádio.

Ao entender a prece como uma alteração na minha frequência para me conectar na força do amor, a melhor prece é a da gratidão, porque quando a fazemos, geralmente, já estamos com o coração cheios de alegria. Ou seja, próximos da freqüência do amor.

Entretanto, a prece para pedir por você mesmo ou por outro também pode ser eficiente, desde que você não se conecte com o sofrimento, que é a estação de rádio errada. Ou seja, você precisa conectar com a energia da cura ou da bem-aventurança. Aí sim, você está ligando na estação de rádio correta. Da mesma forma acontece com a prece por entes queridos que não estão mais no nosso plano, não se deve conectar a eles com sofrimento e sim lhes enviando amor e paz.

Agora vou lhes dizer uma surpresa que facilita muito a sintonização!

Sendo a prece um movimento nosso em direção à força do amor, um amigo me ensinou que existem outras formas de fazer preces. Basta nos conectarmos com o amor. Ver um filme, brincar com um cachorrinho, divertir como crianças, todos esses movimentos funcionam para tornar o nosso copo menos cheio e nos conectarmos com essa força maravilhosa do amor.

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Por fim, concluo que a prece mais eficiente é aquela em que você se conectou com os seus sentimentos mais elevados de puro amor!

A prece funciona sim e use sem moderação 😉

Luz Estelar.

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Alimento Verbal

Vivemos em um mundo repleto de bombardeios de informações e em uma era dos especialistas formados pela internet sobre tudo! Ao oferecer uma comida para alguém você deve estar preparado para responder se contem glúten, se tem lactose, se é orgânico, se é low carb e muito mais. Bom, e se tratássemos as informações da mesma forma que estamos tratando as questões alimentares? Como estamos tratando o verbo do qual ingerimos? Isto mesmo, você faz alguma seleção ou ingere tudo?

Espero que gostem!

A proposta desta reflexão não é falar sobre o público neurado em alimentação e trazer esta neura para todos os outros campos da vida. O equilíbrio é sempre o melhor caminho. O público que estou falando é aquele que se preocupa sim com a alimentação, mas que, como eu, de vez em quando se debruça em um pote de sorvete ou uma barra de chocolate feliz da vida, mas sabendo exatamente o que estou fazendo! Sei que há pessoas que não se preocupam tanto assim com os alimentos, mas ao menos sabem olhar em um rótulo se é light, diet ou dá prêmios. 😉

Bom, vamos embarcar nessa viagem…

Imagine-se em um grande banquete. Tudo lhe parece saboroso. No entanto, alguns alimentos, se você observá-los com mais cautela, você já os descartaria imediatamente. Criamos critérios pelo cheiro, pelo formato e até pela cor. Por analogia, algumas informações você já deveria descartar instantaneamente. Aquelas muito sensacionalistas que chegam a ser amargas, ou aquelas que trazem tanta polêmica desnecessária que são muito ácidas. Faz bem se poupar de certos alimentos verbais danosos e não oferecê-los para a família e amigos.

Comida amarga
Se você não gosta, evite assuntos e informações amargas. Seria razoável você também não oferecer este tipo de alimento verbal para os outros, certo?

No texto do capítulo “Alimento Verbal” [1], Emmanuel sugere avaliarmos a procedência do verbo que nos alimentamos e oferecemos aos outros. Assim como temos buscado a alimentação orgânica, há que se buscar as informações orgânicas, ou seja, natural e livre de adulterações. Simples assim: antes de passar uma informação sobre a Joana, pergunte para a Joana. Antes de passar uma notícia para frente, veja quem a está endossando?
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Agora que você já refletiu sobre a procedência dos alimentos, vamos para outro critério: a digestão! Este é um fator muito pessoal. Diria que o que nos difere uns dos outros é basicamente o nosso aparelho digestivo, ou seja, a forma como digerimos fisicamente e energeticamente as informações que nos são passadas.

Para explicar melhor, digo que há certos alimentos naturais, orgânicos, deliciosos e que me fazem mal como o Pequi. Amoooo… mas passo muito mal. Talvez eu deveria nunca mais comer, mas gosto muito. O que proponho é que você tenha consciência do que você está ingerindo e as consequências de sua digestão e, à partir de então, faça uma escolha. Por exemplo: veja um filme, escute uma música, ouça uma notícia e se analise. Perceba como você fica durante esta digestão: feliz, triste, animado, irritado? Conhecer este efeito é muito importante.

No meu caso, quando ouço o Gayatri Mantra me sinto feliz, quando ouço a música da Iza me sinto empoderada! Ou seja, quando a minha autoestima estiver ficando baixa, o meu alimento deve ser a Iza. Funciona no meu caso! Da mesma forma, evito filmes que fazem chorar, porque eu me acabo e custo a mudar o meu campo energético. Enfim, você precisa entender que determinados alimentos verbais servem para determinadas situações. Assim, se você quiser ver um filme de guerra, mesmo sabendo que te deixa agitado demais, não marque uma conversa com o chefe logo após. Ou seja, não consuma nada sem estar atento nas consequências no seu organismo. Saiba que, tendo consciência ou não, estes alimentos vão ser digeridos pelo seu organismo físico e energético.

Então, quando alguém for te oferecer um alimento verbal, pergunte sem medo: contém glúten?

Referência:

  1. Livro Palavras de Vida Eterna, Emmanuel por Chico Xavier, cap. 87 – Alimento Verbal
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A Metáfora da Bigorna

Olá!

Vou falar de um tema que surgiu em uma conversa entre amigas do coração. A metáfora da bigorna! Algo que coube muito para mim mesma e nos gerou uma série de reflexões interessantes e risadas ao lembrar dos desenhos animados. Pergunto: porque você continua carregando uma bigorna para todo lado? Solte! Deixe fluir!

Tudo começa assim…

De repente uma preocupação ou uma questão chega na sua mente como uma visita inesperada. Ela vai ganhando espaço em sua vida e acaba por ser uma grande bigorna que você passa a carregar para cima e para baixo. A metáfora da bigorna é perfeita neste caso! Pense bem: ela é pesada, é grande e é um grande incômodo carregá-la para todo lado. No entanto, você nem cogita a ideia de soltá-la. Incrível, né?

Vou ser mais prática…

Pense em uma pessoa que deseja parar de fumar. Assim, ela precisa sair do ponto A (atual) e ir para o ponto B (futuro). Ela espera chegar ao ponto B, não fumante, mas ao invés de focar a sua mente em B, ela fica sentindo-se culpada e se estaciona no ponto A. Ela se pune o dia inteiro por ter fumado mais um cigarro e toda vez que ela tosse, ela entra em um processo de culpa e volta a sua mente para o ponto A. Está aí a bigorna do fumante, mas existem várias bigornas por aí. A bigorna da obesidade. A bigorna das contas para pagar. A bigorna de uma doença. Parece até que as indústrias ACME não param de produzir bigornas.

Bigorna das indústrias ACME

Além do efeito claro na nossa vida de que uma bigorna nos pesa muito e torna a caminhada bem difícil, há um outro efeito muito importante chamado Zenon Quântico. Ele ocorre quando estamos caminhando do ponto A para o ponto B, mas ficamos tão focados e preocupados em sair de A, que simplesmente não saímos.

Zenon Quântico (alguns chamam de Zenão Quântico)

Antes de explicar o conceito, é importante te lembrar que somos feitos de átomos. Além disso, precisamos ter em mente que um átomo é pura energia. Ainda, lembre-se que estamos imersos em grandes contextos de átomos e energias: o ar, o sol, a terra, os alimentos, uma mesa, uma cadeira. Tudo é energia. Por algum tempo, os acontecimentos do cotidiano eram explicados pela Física Mecanicista de Newton, mas já faz um bom tempo, desde 1905 com as publicações de Einstein, que todo entendimento vem se convergindo para a Física Quântica.

A primeira publicação matemática tratando o termo Zenon Quântico aconteceu em 1976, em um artigo de Misra e Sudarshan. O nome foi inspirado no filósofo grego Zenon de Eléia.

O efeito Zenon quântico é a inibição das transições entre estados quânticos através de repetidas medições de um estado. [1]

O efeito Zenon Quântico acontece quando o observador mede a trajetória de um átomo seguindo a trajetória de A para B. Ao produzir uma medição, o átomo estaciona no ponto A e, quanto mais se mede, menos chances do átomo chegar até B.

Na prática, funciona assim…

Seu chefe lhe solicitou um relatório que você demoraria um dia para concluí-lo. Então, a cada cinco minutos ele interrompe o seu serviço e confere se você está realmente fazendo o relatório. Ao final do dia, você não conseguiu sair do começo (ponto A).

Um exemplo para o efeito Zeno quântico seria um núcleo radioativo. Se após uma hora medíssemos quantos átomos decaíram em uma amostra, suponha que 50% deles o tenham feito, ao medir a cada minuto, no final (após uma hora) menos de 1% teria decaído! E no limite, se observássemos continuamente o núcleo radioativo, ele nunca decairia! [2]

Assim são os nossos desejos e questões. Toda vez que você produz uma medição, ou seja, conferindo se você saiu do ponto A (inicial), revendo o pedido, você estaciona em A. Vira o chefe Zenon… brincadeirinha… O fato é que o ponto A se torna aquela grande bigorna que você insiste em ficar carregando.

Então o que fazer?

Bom, se a meta é chegar até o ponto B (final), cabe você começar a vibrar em B. Voltando ao caso do cigarro, você precisa soltar o ponto A e não ficar tão preocupada em chegar ao ponto B. Simplesmente caminhar. Para exemplificar melhor, ao invés de ficar se lamentando cada vez que você acende um cigarro, você precisa passar a comemorar cada momento que você não fumou e agradecer cada caminhada que você conseguiu fazer para restabelecer a condição respiratória. Assim, você para de ficar medindo o quanto você saiu de A e curte o caminho sem ter tanta ansiedade. O ponto A não interessa mais. Solte a bigorna!

Ou seja, solte a bigorna, caminhe leve, comemore cada conquista e seja grato.

Assim, você acelera a chegada ao que você deseja!

Referências:
1 – Seminário de Quântica Aplicada nº USP: 7524592, Renata da Fonseca Moraes Batista,
“Efeito Zeno Quântico”. http://www.ifsc.usp.br/~strontium/Teaching/Material2011-1%20SFI5774%20Mecanicaquantica/Seminario%20-%20Renata%20-%20Efeito%20Zeno%20quantico.pdf
2 – Monografia de Priscila Cavassin, Efeito Zeno Quântico, Universidade de São Paulo, 14 de junho de 2017.
3 – http://professor.ufrgs.br/fernando-haas/files/fisica_moderna.pdf

Publicado em Espiritismo, Evangelho de Jesus

O Pedido de Casamento

Vou contar para vocês sobre um dia inusitado. O dia em que recebi um lindo pedido de casamento!

casamento

Toda manhã do terceiro domingo do mês, participo de uma tarefa de apoio aos mais necessitados. Há um senhor naquele local que sempre me ensina muito, vou chamá-lo de João (nome fictício/história real).

A minha jornada com o João começou faz tempo. Ele estava muito bêbado na primeira vez que nos falamos. João brigava com todos dizendo que não iria entrar na fila, mas queria levar a cesta básica assim mesmo. Eu me aproximei dele e disse com toda ternura do meu coração: “O senhor bebeu logo cedo?”. Ele sentiu toda a minha ternura e me disse sobre a qualidade das bebidas de hoje em dia. João me contou sobre o fato de não ter mais armas em casa, visto que sua mulher havia lhe dado um tiro certa vez. Neste ponto eu confirmei que não ter mais armas tinha sido uma prudente decisão. Ele também me contou choroso, sobre o seu netinho que iria nascer e que teria se afastado do filho. Enfim, ele entrou na fila, pegou a cesta básica e partiu.

Os próximos encontros foram intercalados em momentos em que João se apresentava para mim, mostrando que não estava bêbado. E em outros momentos em que ele nem se lembrava de nada, de tão bêbado. Um dia eu lhe perguntei sobre o seu neto que iria nascer. Ele chorou e disse: “Você se lembra?”. Sim, eu me lembro!

No domingo passado João estava lá. Ele estava com roupas sujas e rasgadas, num dia muito frio! Ele me contou que havia chegado 4:30 h e somente saiu da fila para tomar uma bebida. Ele me mostrou sorrindo que já não tinha dentes na boca. Eu segurei na sua mão e disse: “João, sua mão está fria!!!”. Ele se assustou com mais uma dose de ternura e disse muito carinhoso: “Você quer casar comigo? Dou-lhe um milhão de reais.” Eu ri muito. João me perguntou se em um milhão eu via dinheiro suficiente para não trabalhar mais. Eu lhe disse: “Para ser sua esposa eu precisaria aprender a usar armas, o senhor não deve ser muito honesto com as mulheres.” Ele sorriu, limpando algumas lágrimas e disse melancólico: “Ohhh, menina! Você não se esquece de mim.”.

Não me esqueço dele, pois ele é um grande professor para mim. Pensei em como eu poderia casar com uma pessoa com a alma tão adoecida quanto a minha? Nessa grande jornada da evolução em que estamos, há que se pensar nas bodas. Veja bem….

Este inusitado pedido de casamento me fez refletir muito e me fez lembrar da historia contada por Jesus. Me perguntei sobre quando estarei com a minha candeia cheia das virtudes de amor, fé e honestidade e poderei entrar em estado de profunda paz interior (Reino dos Céus), em pleno casamento com o meu Eu interior?

candeia

“O Reino dos céus será, pois, semelhante a dez virgens que pegaram suas candeias e saíram para encontrar-se com o noivo. Cinco delas eram insensatas, e cinco eram prudentes. As insensatas pegaram suas candeias, mas não levaram óleo. As prudentes, porém, levaram óleo em vasilhas, junto com suas candeias. O noivo demorou a chegar, e todas ficaram com sono e adormeceram.” Mateus 25-1:5

Nesta preparação para o dia do cassamento, há que se estar desperto e pronto para o noivo.

“À meia-noite, ouviu-se um grito: ‘O noivo se aproxima! Saiam para encontrá-lo!’ Então todas as virgens acordaram e prepararam suas candeias. As insensatas disseram às prudentes: ‘Deem-nos um pouco do seu óleo, pois as nossas candeias estão se apagando’. ” Mateus 25-6:9

A preparação é individual. Apesar de encontrarmos muitos professores pela vida, mas as virtudes (óleo) devem surgir de dentro e não há como comprar ou pegar de outrem.

“Elas responderam: ‘Não, pois pode ser que não haja o suficiente para nós e para vocês. Vão comprar óleo para vocês’. E saindo elas para comprar o óleo, chegou o noivo. As virgens que estavam preparadas entraram com ele para o banquete nupcial. E a porta foi fechada. Mais tarde vieram também as outras e disseram: ‘Senhor! Senhor! Abra a porta para nós!’ Mas ele respondeu: ‘A verdade é que não as conheço!'” Mateus 25-10:12

Você está pronto para tal casamento, para ser uno com o Deus que habita em você?

Chegará um dia em que Ele irá te reconhecer, pois cada dia você se aproxima mais da sua essência. Neste dia, vocês serão um só e viverão no Reino dos Céus.

Na jornada do autoconhecimento e da depuração do espírito, que todos nós possamos encher a nossa candeia de óleo para nos aproximamos da porta do noivo. Então, ele nos reconhecerá e nos esperará de braços abertos.

Enquanto isso… o namoro é a fase do aprendizado e, portanto, vamos namorar muito!

Luz Estelar!

Publicado em autoconhecimento, Evangelho de Jesus

O Reino dos Céus

Estar no Reino dos Céus é estar com aquele sentimento de paz plena. É sentir a calmaria mesmo em um mundo turbulento. Alguns chamam de iluminação, outros de unidade do ser e todos dizem sobre a mesma busca em essência. Trata-se do encontro da centelha divina dentro do nosso coração.

Quem está no Reino dos Céus aceita as diferenças do outro e ama a todos. Assim, não tem nem tempo e nem vontade do embate e das contendas.

Que hoje, ao menos por alguns instantes, possamos visitar o Reino dos Céus. Quem sabe, tomaremos um bom chá juntos neste lugar?

“Interrogado pelos fariseus sobre quando vem o Reino dos Céus, em resposta, disse-lhes: O Reino dos Céus não vem de modo visível, nem dirão: Vede aqui ou vede ali, pois o Reino dos Céus está dentro de vós.” Mateus 17:20-21.

Publicado em Espiritismo

Livro dos Espíritos – Escala Espírita

Livro dos Espíritos: Pergunta 96: Os Espíritos são iguais, ou existe, entre eles, algum tipo de hierarquia? “São de diferentes ordens, conforme o grau de perfeição a que tenham chegado.”

Apresento um quadro resumo com as categorias classificadas por Allan Kardec.

degrau

Na época do Iluminismo, em 1853, quando a razão era soberana, Allan Kardec desenvolveu uma pesquisa científica acerca do fenômeno das mesas girantes que ocorriam na França. Cientista cuidadoso e renomado que era, se deparou com uma ciência nova que demandou todo o seu cuidado perante a metodologia científica para produção de estudos acerca da manifestação dos espíritos e, mais tarde, o que ficou conhecido por Espiritismo.

O Livro dos Espíritos foi a sua primeira publicação e trouxe conceitos novos como perispírito, e reapresentou conceitos antigos como a reencarnação, os espíritos, a evolução e o magnetismo. Toda nova ciência era pautada em uma premissa básica: Deus é puro amor!

Diante da metodologia científica, o Livro dos Espíritos trouxe uma classificação dos espíritos. Ele nos mostrou que cada um de nós, tendo consciência ou não, está em uma jornada evolutiva e esta tem dois pilares fundamentais: moral e intelectual. Durante a jornada estas duas asas precisam crescer para que o espírito possa galgar degraus evolutivos.

Ele explica:

“A classificação dos Espíritos está baseada no grau de adiantamento deles, nas qualidades que adquiriram e nas imperfeições de que ainda têm que se despojar. Esta classificação, aliás, nada tem de absoluta; cada categoria, apenas no seu conjunto, apresenta um caráter distinto; porém, de um grau a outro, a transição é insensível e, nos limites, o matiz se apaga como nos reinos da Natureza, como nas cores do arco-íris, ou ainda, como nos diferentes períodos da vida do homem. (…) Ocorre, com este, o mesmo que com todos os sistemas de classificações científicas; estes sistemas podem ser mais ou menos completos, mais ou menos racionais, mais ou menos cômodos para a inteligência. Porém, sejam quais forem, nada mudam na base da Ciência.”

Livro dos Espíritos, pergunta 97:
“Há um número determinado de ordens ou de graus de perfeição entre os espíritos?

Este número é ilimitado, porque, entre essas ordens, não há uma linha de demarcação traçada como barreira e, desta forma, podem-se multiplicar ou restringir as divisões à vontade; todavia, considerando-se os caracteres gerais, pode-se reduzi-las a três principais[: Espíritos Imperfeitos, Espíritos Bons e Espíritos Puros].”

Escala Espírita - Espíritos Imperfeitos
Escala Espírita – Espíritos Imperfeitos

Escala Espírita - Espíritos Bons
Escala Espírita – Espíritos Bons

Escala Espírita - Espíritos Puros
Escala Espírita – Espíritos Puros

Livro dos Espíritos, pergunta 116:
Haverá Espíritos que permaneçam perpetuamente nas ordens inferiores?
“Não; todos se tornarão perfeitos. Eles mudam, porém, demoradamente, pois, como o dissemos de uma outra vez, um pai justo e misericordioso não pode banir eternamente seus filhos. Querias, então, que Deus, tão grande, tão bom, tão justo, fosse pior do que vós mesmos?”
Livro dos Espíritos, pergunta 117:
Depende dos Espíritos a aceleração de seus progressos para a perfeição?
“Certamente; eles o conseguem com maior ou menor rapidez, conforme seu desejo e sua submissão à vontade de Deus. Uma criança dócil não se instrui mais depressa do que outra teimosa?”
Livro dos Espíritos, pergunta 118:
Os Espíritos podem degenerar?
“Não; à medida que avançam, compreendem o que os afastava da perfeição. Quando o espírito termina uma prova, fica com o conhecimento adquirido e não o esquece. Pode permanecer estacionário, mas não retrograda.”

Enfim, estamos todos juntos nesta jornada!

Publicado em autoconhecimento

A chave para uma comunicação efetiva

Você já observou algumas conversas que chamamos de “conversa de loucos”? Uma pessoa fala uma coisa e a outra entende outra coisa? Venho observando como algumas vezes digo coisas doces e a pessoa entende fel. Outras vezes digo pedras e a pessoa recebe plumas. Curioso, não é?

Vamos um pouco além.

Como, naquele tempo de mentes muito mais embrutecidas que as nossas atuais, as pessoas conseguiam entender a mensagem de Jesus? Ainda, como o Príncipe Siddhartha Gautama (Buda), nascido em uma família rica e poderosa, conseguiu expressar os ensinamentos do desapego e ser compreendido? Faz sentido pensar que não há compreensão total nas mensagens destes mestres, mas você há de convir que existe um aprendizado repassado que vai muito além das palavras.

A verdade é que as palavras possuem coração e há que se ponderar qual emoção habita neste coração ao falar. A comunicação eficiente está no momento em que as palavras repassam as mesmas mensagens que o coração.

Comunicação Efetiva
Seja, porém, o vosso falar: Sim, sim; Não, não; porque o que passa disto é de procedência maligna. Mateus 5:37 (Sermão da Montanha)

Assim, a comunicação decorre de um que fala e outro que interpreta, mas antes da fala há uma sintonia emocional muito mais importante do que as palavras. Perceba que antes de se pronunciar, os grandes sábios se enchem de emoção e tocam os corações para que a mensagem seja bem entendida. Neste momento, a comunicação não é de mente para mente e sim de Espírito para Espírito. Da mesma forma, as relações não existem apenas em um mundo de ilusões criadas pela mente. Este mundo de ilusões que é chamado em Sânscrito por Maya ou pelos espiritualistas por Matrix, não existe em sua totalidade e permanecer nele é estabelecer uma relação com graves problemas de comunicação pela sua superficialidade.

“Parceiro e parceira, nos compromissos do lar, precisam reaprender na escola do amor, reconhecendo que, acima da conjunção corpórea, fácil de se concretizar, é imperioso que a dupla se case, em espírito – sempre mais em espírito -, dia por dia.” (Vida e Sexo, Cap. 11)

Frases como “Ele não me entende”, “Por mais que eu lhe diga para confiar, ele não confia.” ou “Eu a mando ir embora, mas ela sempre está por aqui.” demonstram que as comunicações acontecem entre Espíritos e não por interações simples entre mentes, bocas e ouvidos. Por Espíritos comunicantes digo: mente, corpo, emoções e corpo fluídico (duplo-etérico); tudo isto comandado por um princípio inteligente (alma).

Sendo assim, ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos, e não tivesse amor, seria como o metal que soa ou como o sino que tine. Coríntios 13 (Carta de Paulo aos Coríntios)

Sabendo disso tudo, antes de falar, recomendo que revise a sua emoção. Se você quiser deixar mensagens de raiva, seja raiva; mas se você quiser deixar mensagens de amor, seja amor.

Referências:

http://www.sbie.com.br/blog/qual-diferenca-entre-emocao-e-sentimento-na-psicologia/
Vida e Sexo. Chico Xavier, – Emmanuel.
Conceitos de Maya – https://youtu.be/NDgMbstgUn4

Publicado em Espiritismo

A base do espiritismo não é a reencarnação

Apesar de ser um importante tema tratado pela Doutrina Espírita, a reencarnação não é a base do Espiritismo. Ela é uma consequência lógica desta Doutrina que se baseia em três pilares: Ciência, Filosofia e Religião. Neste artigo, pontuo trechos de temas complexos como aperitivo, para um estudo aprofundado posterior. 

Começo reportando que a grande contribuição do Espiritismo para os seus seguidores, ao meu ver, é o entendimento claro de que Deus é a causa primária de todas as coisas e que ele é soberanamente bom.

Deus

Na Doutrina Espírita Deus é uma força criadora, algo ainda muito incompreensível para nós. Então, se leva a sério a frase do apóstolo João que tanto anda em adesivos de carros: “Deus é amor”. Ou seja, Deus é a força do amor.

Pronto, agora vamos falar de algumas questões que cercam o Espiritismo à partir do princípio do amor de Deus.

Reencarnação

Bom, esclarecido que Deus é soberanamente amor e, portanto, quer que eu vença, não há que se pensar que eu tenho apenas uma chance. Seria muito pouco para um ser ainda tão imperfeito como eu. Você realmente acredita que Deus, que é a força do amor, poderia condenar um filho por meio de uma punição eterna por uma falta? Não faz sentido! Diante da Doutrina, quando nos deparamos com uma criança nascida com doenças graves, não se vê punição de Deus, mas uma oportunidade de corrigenda de um espírito eterno que andou caminhando longe da Lei do Amor e que, mesmo com a alma ainda adoecida, tem oportunidades de se melhorar e se aproximar dessa soberana Lei.

Portanto, a reencarnação é uma conclusão lógica das oportunidades que Deus coloca em nossas vidas. É importante que fique claro que o sofrimento não faz parte da Lei de Amor e sim o aprendizado. Na medida em que aprendemos a nos libertar da culpa, medo e apego não há mais sofrimento. Por fim, reforço que a reencarnação não serve para se “pagar” karmas e sim para o aprendizado. Ou seja, se você aprendeu a lição… bola para frente e que venham as próximas.

Ciência e Filosofia

Se Deus criou TUDO, então o ato de estudar a Bíblia, ou a física quântica, ou a sabedoria das coisas é a mesma coisa. Estaremos, assim, estudando a criação de Deus. A ciência e a filosofia contribui com o entendimento da criação e dos movimentos de Deus. Infelizmente, a ciência se distanciou de Deus por causa de uma visão equivocada Dele. Por muito tempo vimos Deus como um velhinho de barbas brancas sentado em um trono no Céu. No entanto, quando o cientista começou a estudar os astros e o “céu” não  foi possível encontrar esse Deus e nem esse tal trono. Assim, o cientista se distanciou de Deus sem sequer pensar na possibilidade de modificar o seu entendimento de Deus.

Portanto, quando o cientista passa a entender Deus como uma força do amor, ele começa a vê-lo na beleza da sua criação. Dos arranjos atômicos até a infinidade do universo, das relações humanas ao entendimento do ser… em tudo há Deus.

Assim, o espiritismo abraça a Ciência e a Filosofia completamente. Afinal, a Doutrina foi codificada por um grande cientista.

Pecado e Perdão

Da mesma forma, a reforma íntima é o exercício contínuo do encontro com o Deus que há em mim, visto que sou criada à sua imagem e semelhança. Quanto mais eu me melhorar, mais próxima de Deus estou. Ou seja, preciso deixar de pecar, mas calma, há que se esclarecer que “pecado” vem do latim “peccatu” e significa erro. Quando se atirava uma flecha em um alvo e se cometia um erro, diziam: você cometeu um peccatu. 

Em sua acepção original, a expressão hebraica chatta’th, passando para o grego hamartia e depois, para o latim, peccatu, não indicava pecado como ofensa a Deus, mas sim qualquer tipo de erro, como errar o caminho para um endereço ou um lançamento de flecha errar o alvo. [1]

Ou seja, agir de forma contrária a Lei do Amor é cometer um pecado, um erro. Ao atuar em pecado é preciso voltar para a Lei: “O amor cobre uma multidão de pecados”, disse nosso mestre Jesus.

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Como reverter esse pecado? Simplesmente perdoar. 

Ressalto que o sufixo per significa “através”. Assim, [per] + [doar] significa doar através. Perdoar não é se sentar no trono poderoso e conceder um voto de perdão ao outro ser inferior. Nada disso! Significa ir até o outro e doar tempo, amor, preces e muito mais. Por exemplo: ao perdoar um pai, se doe jogando xadrez com ele uma vez na semana. O sentimento de alívio de alguma mágoa vem naturalmente com o tempo. Para se perdoar, compreenda que você errou por não saber e passe a estudar e trabalhar no bem. O perdão é movimento.

Religião

Religião vem da palavra “religare”. O prefixo “re” não significa novamente e sim “com intensidade”. Sendo Deus a força do amor, a religião é o movimento do qual eu me ligo com intensidade a esta força. O exercício religioso mais importante para o espirita é a prática da caridade, que é o exercício do amor. Quando pratico a caridade sincera, sem esperar retorno, estou buscando a minha conexão com Deus. Por isto, todo centro espírita tem tantas obras de caridade.

O culto mais importante da religião na concepção espírita é o exercício do amor, ou seja, a caridade.

As doenças

Somos criados à imagem e semelhança de Deus sim, somos amor em essência, mas ainda estamos vagando na dualidade. Isso significa que o seu corpo não foi feito para funcionar fora da Lei de Amor. A raiva, a ansiedade, a angústia, tudo isso nos adoece. A doença leva para o corpo as impurezas da alma. Uma profunda limpeza.

O momento da doença pode ser representado como aquele momento em que o GPS recalcula a rota. Nesse momento, você fica confuso e tem que aguardar a nova rota se restabelecer. Aí, você se coloca novamente no caminho da Lei de Amor. Os tratamentos de doenças físicas, nos centros espíritas, não levam em consideração apenas o corpo físico, mas o ser integral. Ou seja: mente, emoções, corpos físicos e energéticos e espírito. Tudo é tratado em conjunto e, por isso, junto com alguma aplicação de passe é recomendada a leitura de livros e a reflexão íntima para que se corrija a rota do ser.

Jesus

Quando Alan Kardec perguntou aos Espíritos qual o modelo de ser evoluído que devemos seguir (pergunta 629 do Livro dos Espíritos), a resposta foi imediata: Jesus. Sendo Jesus exemplo de amor, ou seja, aquele que atingiu a ligação com Deus em plenitude, precisamos estudá-lo para “copiá-lo”.

Jesus é o nosso modelo e guia e, portanto, no Espiritismo se estuda muito sobre ele. O que ele fez, o que ele falou, o que ele comeu, as curas que ele produziu. Tudo estudado à luz da Ciência, Filosofia e Religião.

Jesus é Deus para o Espírita?

Não e sim, nessa ordem. Ele é um espírito em evolução, assim como eu e você. No entanto, ele já se purificou tanto que já atua completamente na Lei de Amor. Ou seja, conhecê-lo é conhecer Deus. Entendeu? Por isso Jesus dizia: Eu e meu pai somos um. Se conhecêsseis a mim, conhecerias meu Pai. Um dia, diremos isso. Vai demorar um “tiquinho”, é verdade, mas Deus está nos conduzindo.

Por onde começar?

Trouxe aqui apenas algumas pequenas pinceladas sobre temas bem complexos, mas se você quer aprender mais sobre o espiritismo não recomendo que comece a ler o Livro dos Espíritos. Leia o livro “Kardec, a Biografia” [2]. Este livro foi escrito pelo jornalista, não espírita, Marcel Souto Maior que, brilhantemente, nos contou como foi a trajetória de Kardec. Vale a pena ler! Então, você vai entender a grandeza dessa Doutrina que não é de uma pessoa, mas de um grupo de estudiosos no qual você é um convidado a participar.

Procure um centro espírita kardecista que você encontrará:

Palestras interessantes com foco na reforma íntima (melhoria contínua), estudos sobre o Evangelho de Jesus, e também física, química e mediunidade, que é tudo a mesma coisa e muito mais. 

Referências

[1] https://marcoaureliorocha5.blogspot.com/2011/03/o-que-e-pecado-visao-espirita.html

[2] Kardec a Biografia. https://www.amazon.com.br/Kardec-biografia-Marcel-Souto-Maior/dp/8501100676?tag=goog0ef-20&smid=A1ZZFT5FULY4LN&ascsubtag=go_726685122_51601401518_242574450465_pla-460986696959_c_

Publicado em Espiritismo

Resumo do Livro dos Médiuns. Capítulo XXIII – Da Obsessão

Amo dar esta resposta: Ohhhh!!! Você se comunica com os mortos? Eu não, eles que se comunicam comigo. Eu só respondo por que sou educada.

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Não foram os médiuns nem os espíritas que criaram os espíritos; ao contrário, foram os espíritos que fizeram haja espíritas e médiuns. As comunicações e as influências dos espíritos ocorrem a todo momento e não apenas por meio das formas escritas ou verbais. É importante ressaltar que todos nós somos médiuns. A mediunidade acontece nas casas espíritas, nas ruas, nos hospícios, nas igrejas e no nosso dia a dia. Algo tão natural ao ser humano que merece bastante estudo e entendimento.

Kardec questiona:

Que se deve pensar dos que, vendo um perigo qualquer no espiritismo, julgam que o meio de preveni-lo seria proibir as comunicações espíritas?

Se podem proibir a certas pessoas que se comuniquem com os espíritos, não podem impedir que manifestações espontâneas sejam feitas a essas mesmas pessoas, porquanto não podem suprimir os espíritos, nem lhes impedir que exerçam sua influência oculta. Esses tais se assemelham às crianças que tapam os olhos e ficam crentes de que ninguém as vê. Fora loucura querer suprimir uma coisa que oferece grandes vantagens, só porque imprudentes podem abusar dela. O meio de se lhe prevenirem os inconvenientes consiste, ao contrário, em torná-la conhecida a fundo.

Então, vamos estudar. Certo?

Resumo do Livro dos Médiuns. Capítulo XXIII

Da Obsessão

Obsessão: Domínio que alguns espíritos passam a adquirir sobre certas pessoas. Ela é um dos maiores perigos da mediunidade e um dos mais frequentes. Ocorre por vontade do espírito, ora relacionadas à vontade de vingança, ora por inveja, além da simples vontade de atormentar alguém.

  • Obsessão simples: ocorre quando um espírito se impõe a um médium, interferindo em suas comunicações e se apresentando no lugar daqueles que são evocados. O médium atento consegue perceber tal influência.
  • Fascinação: ocorre quando uma ilusão produzida pela ação direta do espírito sobre o pensamento do médium. O médium fascinado não acredita que o estejam enganando. O espírito, neste caso, é ardiloso e procura afastar o médium daqueles que querem ajudar.
  • Subjulgação: ocorre quando o médium se vê paralisado em sua vontade e passa a agir ao mau grado do espírito. Basta uma palavra para que o paciente fique sob um verdadeiro jugo. A subjugação pode ser moral ou corporal.
    • Possessão: (termo comum na Bíblia) Este termo pressupõe a crença em um ser maligno e a coabitação de um mesmo corpo. Esta crença não cabe no estendimento atual e por isso, no livro dos médiuns, este termo foi substituído por subjulgação.

Outras observações:

  • O termo mau espírito é preferível ao espírito mau. Ninguém é em essência mau, visto que fomos criados à semelhança de Deus. Em algum momento, podemos estar com um comportamento mau e ter más intenções, que podem ser modificadas à qualquer momento.
  • Há espíritos obsessores sem maldade. Estes apenas querem fazer valer a sua opnião e se baseam em médiuns crédulos demais que não questionam a qualidade da comunicação. Estes se manifestam como Jesus, Virgem Maria, etc. dando ao nome uma veracidade dos seus conselhos. O que querem é impor suas ideias, por mais disparatadas que pareçam.
  • Há espíritos escrevinhadores, que são prolixos e se aproveitam de médiuns que se fazem fascinados com o fenômeno. Os espíritos verdadeiramente superiores são sóbrios de palavras; dizem muita coisa em poucas frases.
  • Pode ocorrer o fato de um médium se comunicar com um único espírito e isso não necessariamente é uma obsessão. Pode, portanto, indicar uma falta de maleabilidade do médium.

Formas de combater a obsessão:

  • Na obsessão simples, o médium percebe a influência e pode provar ao espírito que ele não está iludido e que lhe é impossível enganar. Outra coisa é dirigir apelo fervoroso ao seu anjo bom, pedindo-lhes que o assistam. Aos médiuns escreventes, é conveniente que interrompa o trabalho escrito, para que não se dê ouvidos ao que não é construtivo. {Comentário meu: geralmente aparecem frases estranhas na mente, repetindo algo como “compre batom, compre batom”, se o médium estiver atento, pode identificar facilmente e dizer “estou de dieta e não adianta falar isso mais”. Geralmente resolve}.
  • No caso da fascinação, não há limites para o domínio que o espírito assume sobre o encarnado de quem se apoderou. Pode-se mostrar para a vítima como ela está sendo ludibriada, no entanto esta tarefa é muito difícil. O fascinado, geralmente, acolhe mal os conselhos; a crítica o aborrece, o irrita e o faz tomar quizila dos que não partilham da sua admiração. Conclui: Ninguém pode curar um doente que se obstina em conservar o seu mal e nele se compraz. {Sugiro: Preces para fortalecer a vítima e aproximá-lo de seus verdadeiros mentores/anjos da guarda.}
  • No caso da subjugação corporal o obsidiado fica sem energia para dominar o mau espírito. Neste caso é importante a ação de um magnetizador mais elevado moralmente que o espírito. Por isso é que Jesus tinha tão grande poder para expulsar aqueles a que, naquela época, se chamava demônio, isto é, os maus espíritos obsessores.
  • As imperfeições morais do obsidiado constituem, frequentemente, um obstáculo à sua libertação. Pela prece e magnetização se pode afastar o obsessor, mas ele voltará se as más condutas continuarem: falar mal dos outros, desejar o mal, se entregar aos vícios, a preguiça, a vaidade. Somente a caridade, o trabalho no amor, pode efetivamente proteger o Médium.

Um caso:

[Conselho do espírito amigo] “Nenhum conselho melhor lhes posso dar do que o de dizer-lhes que desçam ao fundo de suas consciências, para se confessarem a si mesmas e verificarem se sempre praticaram o amor ao próximo e a caridade. Não falo da caridade que consiste em dar e distribuir, mas da caridade da língua, pois, infelizmente, elas não sabem conter as suas e não demonstram, por atos de piedade, o desejo que têm de se livrarem daquele que as atormenta. Gostam muito de maldizer do próximo e o espírito que as obsidia toma sua desforra, porquanto, em vida, foi para elas um burro de carga. Pesquisem na memória e logo descobrirão quem ele é. “Entretanto, se conseguirem melhorar-se, seus anjos guardiães se aproximarão e a simples presença deles bastará para afastar o mau espírito, que não se agarrou a uma delas em particular, senão porque o seu anjo guardião teve que se afastar, por efeito de atos repreensíveis ou maus pensamentos. O que precisam é fazer preces fervorosas pelos que sofrem e, principalmente, praticar as virtudes impostas por Deus a cada um, de acordo com a sua condição.”

  • Não se deve atribuir à ação direta dos espíritos todas as contrariedades que se possam experimentar, as quais, não raro, decorrem da incúria ou da imprevidência dos encarnados.

Perguntas e respostas:

  1. Por que não podem certos médiuns desembaraçar-se de espíritos maus que se lhes ligam e como é que os bons espíritos que eles chamam não se mostram bastante poderosos para afastar os outros e se comunicar diretamente?
    Não é que falte poder ao espírito bom; algumas vezes o Médium se identifica mais com o mau Espírito e, por isso, lhe dá grande poder.
  2. Parece-nos, entretanto, que há pessoas de muito mérito, de irrepreensível moralidade e que, apesar de tudo, se veem impedidas de se comunicar com os bons espíritos.
    É uma provação. E quem te diz, ademais, que elas não trazem o coração manchado de um pouco de mal? Que o orgulho não domina um pouco a aparência de bondade? Essas provas, com o mostrarem ao obsidiado a sua fraqueza, devem fazê-lo inclinar-se para a humildade. O mais poderoso meio de combater a influência dos maus Espíritos é aproximar-se o mais possível da natureza dos bons.
  3. A obsessão, que impede um médium de receber as comunicações que deseje, é sempre um sinal de indignidade da sua parte?
    Eu não disse que é um sinal de indignidade, mas que um obstáculo pode opor-se a certas comunicações.
  4. Assim, a impossibilidade de se comunicar com os bons espíritos seria uma espécie de punição?
    Em certos casos, pode ser uma verdadeira punição, como a possibilidade de se comunicar com eles é uma recompensa que deveis esforçar-vos por merecer. (Veja-se “Perda e suspensão da mediunidade”, item 220.)
  5. Não se pode também combater a influência dos maus Espíritos, moralizando-os?
    Sim, mas é o que não se faz e é o que não se deve descurar de fazer, porquanto, muitas vezes, isso constitui uma tarefa que vos é dada e que deveis desempenhar caridosa e religiosamente. Por meio de sábios conselhos, é possível induzi-los ao arrependimento e apressar-lhes o progresso.
  6. Como pode um homem ter, a esse respeito, mais influência do que a têm os próprios espíritos?
    Os espíritos perversos se aproximam antes dos homens que eles procuram atormentar, do que dos espíritos, dos quais se afastam o mais possível. Nessa aproximação dos humanos, quando encontram algum que os moralize, a princípio não o escutam e até se riem dele; depois, se aquele os sabe prender, acabam por se deixarem tocar. Os espíritos elevados só em nome de Deus lhes podem falar e isto os apavora.
  7. A subjugação corporal, levada a certo grau, poderá ter como consequência a loucura?
    Pode. Entre os que são tidos por loucos, muitos há que apenas são subjugados; eles precisariam de um tratamento moral, enquanto com os tratamentos corporais os tornamos verdadeiros loucos. Quando os médicos conhecerem bem o Espiritismo, saberão fazer essa distinção e curarão mais doentes do que com as duchas. (Item 221.)

Certa vez, contam que uma senhora foi levar ao Chico Xavier, grande médium, uma adolescente que queria desenvolver a mediunidade. Chico perguntou à senhora: “Quem lava-lhes os talheres e o prato após a refeição?”. A senhora disse que a filha não poderia lavar por causa das mãos delicadas. Chico responde “então ela não tem condições para desenvolver a mediunidade”. Não há outro caminho seguro, a não ser o aprimoramento moral.

Luz Estelar!

Publicado em Evangelho de Jesus

O Homem Jesus

Eu nunca consegui me interessar pelo Jesus das religiões, até conhecer o homem Jesus .

JesusHoje

“Como os teus olhos foram abertos? Ele respondeu: O homem chamado Jesus fez barro, aplicou em meu olhos e me disse: Vai ao [tanque de] Siloam e lava-te. Assim, depois de partir e me lavar, recobrei a visão.” João 9:11

Como tradicionalmente ocorre na minha cidade, estudei em uma escola da Igreja Católica. Realmente são escolas muito boas! Influenciada por uma avó católica, fiz a primeira comunhão, como todos os meus colegas. Neste momento, comecei a dar trabalho. Era um Frater bem velhinho o nosso professor, e ainda adolescente (12 anos), queria entender o que se passava comigo, visto que já vivia efeitos da mediunidade ostensiva desde sempre. A minha avó, respondia com toda paciência daquela época: “Alma não existe”, “Morreu e acabou tudo”, mas ela rezava para os Santos e eu questionava “Mas se eles morreram, eles não existem mais”, e ela, pacientemente respondia “Estes existem. Agora vai ali buscar um pente para mim”. Se naquele tempo, eu tivesse acesso aos Padres que hoje conheço e aos ensinamentos do Papa Francisco que hoje admiro tanto, não teria tanta revolta com as religiões como tive naquela época.

Então, concluí a primeira comunhão e ia para a missa todos os Domingos, por que era o certo a se fazer. Como tinha muitas perguntas, e era muito tímida para perguntar para alguém, eu me sentava na primeira fileira da Igreja e prestava atenção em tudo o que o Padre dizia. Um dia, eu ouvi que Deus estava lá no céu, com uma lança apontada para as nossas cabeças e, como toda atitude adolescente quando ouve apenas uma fala infeliz, eu me revoltei. “Estou aqui pedindo amor e encontro esse Deus com uma lança na minha cabeça. Tô fora!” Mais ainda, “se esse tal de Jesus é a representação dele, não me interessa”. Pronto, cresci assim!

A minha mãe já me influenciava com o espiritismo e eu li o primeiro romance espírita “A Vingança do Judeu”. Eu achei este livro “perdido” em uma estante da casa da minha mãe. O livro me arrebatou! Me emocionei muito… mas se falasse em Jesus, eu pulava estas partes.

Mais tarde, fui conhecer o Budismo, afinal lá não se fala em Jesus, nem Deus, visto que Buda é precursor de Jesus. Me senti muito confortada! Busquei a história do Príncipe Sidarta Gautama (Buda) para não correr o risco de ser “punida” e fiquei maravilhada com toda a sua trajetória [https://www.youtube.com/watch?v=-eEq9koFl3E]. Ele ensinou como é importante me libertar do sofrimento e me deu técnicas claras para tal. Aprendi a meditar e até ganhei uma imagem de um Buda lindo que abrimos o seu olho em uma cerimônia muito legal. No entanto, não conseguia me envolver com os rituais budistas, que são muito legais e ajudam muito, mas não conseguia ter empatia e eu tentei muito!!!

É fato que nunca deixei de ler os livros espíritas, pois a mediunidade sempre esteve presente e eu precisava entender os meus processos internos. Até que, pela dor, comecei a frequentar um centro espírita. Em uma das palestras que assisti, ouvi que Deus é sempre bom! Pensei: Sei! E o palestrante foi dizendo sobre a vida de Jesus. Pensei: Sério, esse cara fez isso tudo?

Pronto, foi o fio da meada para que eu pudesse iniciar uma trajetória de estudos sobre a Biografia de Jesus, sem os atavismos religiosos ou crenças limitantes. Descobri um homem que era puro amor e ao mesmo tempo revolucionário. Ele, na época da hierarquia e da disputa por poder, do olho por olho e dente por dente, ensinava o amor e, como fez com a multiplicação dos peixes, ensinou técnicas de trabalho em cooperativas. O seu grupo, longe de ser pobrezinhos, era um time… talvez até um embrião das técnicas ágeis de gestão (esse comentário vai para a minha equipe de trabalho).

A Galiléia era uma cidade aonde se iniciavam as revoltas contra o sistema. Jesus era um messias, mas em toda família nascia um messias. Isso por si só não o deixava grande. Ele discursava com adultos e jovens, ricos e pobres, homens e mulheres. Em seu time de discípulos havia uma mulher, grande líder, Maria Madalena. Isto em uma época em que a mulher era um objeto e não tinha posição na sociedade. Ele ensinou que se deve ser manso de espírito e ao mesmo tempo derrubou as bancas de cambistas na frente do templo, jogando tudo pelo chão. Ele dizia: Todos vocês são meus irmãos, em uma época em que o patriarquismo imperava. As pessoas diziam: Sou filho de Fulano e ele dizia: “nosso pai está no Céu”. Não é maravilhoso!

Ele curava a todos com a energia do seu amor, conexão direta com Deus, que ele andava em sintonia pura. No entanto, fazia isto aos sábados, quando era proibido, para mostrar que as obras são mais importantes que as palavras.

Como diz, Kardec, Jesus nada escreveu; entretanto, ajudado por alguns homens tão obscuros quanto ele, sua palavra bastou para regenerar o mundo; sua doutrina matou o paganismo onipotente e se tornou o facho da civilização. (KARDEC, Allan. A gênese. Cap. 15, item 63.)

Como dizem: encontrei Jesus. O homem que não foi mágico. Não ganhou superpoderes de Deus. O homem que é tão filho de Deus quanto eu. E, pelas suas atitudes, ele se agigantou diante de mim e acabou se tornando modelo e guia, caminho e verdade!

Tenho muitos amigos religiosos e muitos amigos da vertente anti-religião, que se dizem espiritualistas. Vejo que os dois grupos se fecham para o conhecimento pelas crenças limitantes. Vale a pena se abrir para o conhecimento e escolher um grupo religioso para o convívio, sabendo que é apenas uma instituição para nos apoiar e nos unir, e não para nos separarmos. Acredito que todos: Buda, Jesus, Francisco de Assis, Maria, João, Dalai Lama, todos… estão cuidando de todos nós e do planeta Terra!

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Aproveitando o ensejo, convido vocês a ler sobre a Biografia de Kardec e vocês vão descobrir um outro grande homem, que teve muita relevância histórica. Recomento: Kardec. A Biografia (Português), por Marcel Souto Maior. Vale a pena ler este livro, visto que Marcel não é espírita e ele apenas relatou fatos históricos, ou seja, sem atavismos religiosos.

Luz Estelar!

Publicado em Curas, Evangelho de Jesus

Sabedoria do Evangelho: A Cura do Cego de Nascença

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Imagem: Tanque de Siloam (Siloé).

João 9

Ao passar, viu um homem cego de nascença. E os seus discípulos o interrogaram, dizendo: Rabi, quem pecou (errou), este ou seus genitores, para que fosse gerado cego? Respondeu Jesus: Nem ele pecou (errou) nem seus genitores; mas para que fossem manifestadas nele as obras de Deus. É necessário realizarmos as obras daquele que me enviou, enquanto é dia; a noite vem, quando ninguém pode trabalhar. Enquanto estiver no mundo, sou luz do mundo. Ao dizer estas [coisas], cuspiu na terra, fez barro com a saliva, e aplicou o barro sobre os olhos dele. E disse-lhe: Vai, lava-te no tanque de Siloam, que interpretado é “Enviado”. Então, [ele] partiu, se lavou e voltou vendo. Então os vizinhos e aqueles que o viam, porque era pedinte, diziam: Não é este o que ficava sentado mendigando? Uns diziam: É este. Outros diziam: Não, mas é semelhante a ele. Ele mesmo, porém, dizia: Sou eu. Diziam-lhe, portanto: Como os teus olhos foram abertos? Ele respondeu: O homem chamado Jesus fez barro, aplicou em meu olhos e me disse: Vai ao [tanque de] Siloam e lava-te. Assim, depois de partir e me lavar, recobrei a visão. Disseram-lhe: Onde está ele? [Ele] diz: Não sei. [Eles] conduzem o que antes [fora] cego aos fariseus. E era sábado o dia em que Jesus fez o barro e lhe abriu os olhos. Novamente, então, também os fariseus lhe perguntaram como recobrara a visão. Ele lhes disse: Aplicou o barro sobre os meus olhos, lavei-me e estou vendo. Alguns dos fariseus, então, diziam: Este homem não está junto de Deus, porque não observa o sábado. Outros diziam: Como pode um homem pecador fazer tais sinais? E havia divisão entre eles. Assim, diziam novamente ao cego: O que tu dizes a respeito dele, já que abriu os teus olhos? Ele disse: É profeta. No tocante a ele, então, não creram os judeus que fora cego e recobrara a visão, até que chamaram os genitores daquele que recobrara a visão, e os interrogaram, dizendo: Este é o vosso filho, o qual vós dizeis ter sido gerado cego? Como está vendo agora, porém, não sabemos. Ou, quem lhe abriu os olhos nós não sabemos. Interrogai-o, tem idade, falará por si mesmo. Os genitores dele disseram isso porque estavam com medo dos judeus; pois os judeus já haviam acordado que se alguém o declarasse Cristo, se tornaria um excluído da sinagoga. Por isso, os genitores dele disseram: Tem idade, interrogai-o. Então, chamaram, pela segunda vez o homem que fora cego e lhe disseram: Dá glória a Deus. Nós sabemos que este homem é pecador. Então ele respondeu: Se é pecador não sei; uma [coisa] sei: Era cego e agora estou vendo. Disseram=lhe, pois: Que te fez? Como abriu os teus olhos? Respondeu-lhes: [Eu] já vos disse e não ouviste. Que quereis ouvir novamente? Porventura vós quereis tornar-vos discípulos dele? [Eles] o insultaram e disseram: Tu és discípulo dele, mas nós somos discípulos de Moisés. Nós sabemos que Deus falou a Moisés, não sabemos, porém, de onde este é. Em resposta, o homem lhes disse: Nisto, pois, está o maravilhoso, que vós não saibais donde [ele] é, e [ele] tenha aberto os meus olhos. Sabemos que Deus não ouve pecadores, mas se alguém é adorador de Deus e faz a sua vontade, a esse [ele] ouve. Desde sempre, não se ouviu que alguém tenha aberto os olhos de um cego de nascença. Se este homem não estivesse junto de Deus, não poderia fazer nada. Em resposta, disseram-lhe: Tu fostes gerado todo em pecado, e nos ensinas? E o expulsaram. Jesus ouviu que o haviam expulsado e, encontrando-o, lhe disse: Tu crês no filho do homem? Em resposta, ele disse: Quem é, Senhor, para que [eu] creia nele? Disse-lhe Jesus: [Já] o tens visto, e é aquele que fala contigo. ele disse: Creio, Senhor; e o reverenciou. E Jesus disse: Eu vim a este mundo para juízo, a fim de que os que não veem vejam e os que vêem se tornem cegos. Os que estavam com ele, dentre os fariseus, ouviram estas [coisas] e lhes disseram: Porventura também nós somos cegos? Disse-lhes Jesus: Se fôsseis cegos não teríeis pecado; agora, porém, que dizeis “vemos”, permanece o vosso pecado.

Sobre o termo Pecado Carlos Torres Pastorino [2] orienta: “Literalmente, ‘hamartia’ é ‘erro’ no sentido de ‘errar o alvo’ ou ‘desviar-se do caminho certo’, isto é, perder-se (no deserto, no mato), enganando-se de rumo (…)”. άµαρτιών (“hamartión”), relacionado a “hamartia”, significa erro em geral, não um pecado na acepção vigente da palavra.

Anotações

Todo estudo do evangelho é incompleto. Provavelmente, levaremos alguns milhares de anos para começarmos a poder dizer: hoje entendo completamente os ensinamentos de Jesus, visto que ele é grande demais em sabedoria. Assim, ressalto, tranquilamente, alguns pontos apenas.

Rabi, quem pecou (errou), este ou seus genitores, para que fosse gerado cego? Respondeu Jesus: Nem ele pecou (errou) nem seus genitores; mas para que fossem manifestadas nele as obras de Deus.

Há pontos importantes neste trecho do texto de João. Um deles é a crença vigente da época de um Deus punidor, no qual poderia atribuir doenças e sofrimentos por castigo.

“A ideia de que todo sofrimento era castigo estava generalizada nos povos antigos, e Plantão mesmo cita a comparação órfica de que o corpo é uma sepultura ou cárcere ou isolamento que a alma recebe como punição de seus erros anteriores quando não cá e lá no espaço, quando não agiu bem durante a vida.“ (3)

Nas leis de Moisés, anteriores ao Evangelho de Jesus, as escrituras eram dúbias quanto aos “castigos” em sua interpretação literal (3): Êxodo (20:5 e 34:7), em Números (14:18) e no Deuteronômio (5:9) afirma-se que Deus “visitará a iniquidade dos pais nos filhos sobre os terceiro e quartos”. O que era entendido na época como “os filhos pagam pelos pais”. No entanto, em Deuteronômio (24:16) está escrito: “Não se farão morrer os pais pelos filhos nem os filhos pelos pais: cada homem será morto pelos seus erros.

“Aquele que pecar é que morrerá. O filho não levará a culpa do pai, nem o pai levará a culpa do filho. A justiça do justo lhe será creditada, e a impiedade do ímpio lhe será cobrada.” Ezequiel 18:20 e em vários outros pontos.

A pergunta dos discípulos sobre quem errou “o cego ou os seus genitores”, além de reafirmar esta questão vigente sobre a punição Divina, nos confirma que a reencarnação era algo comum, visto que ele só poderia ter errado em vidas passadas, pois que era cego de nascença. E Jesus diz não ser nem resgate de vidas passadas, nem castigo pelos erros dos seus pais. Ele, explica que é uma prova do espírito para que ele possa avançar, conforme a ação de Deus e este é outro ponto importante deste trecho do texto de João. Pastorino ressalta que a interpretação de que Deus o fez cego apenas para que Jesus pudesse lhe operar um milagre é inconcebível e irracional. Concordo que não faz sentido um Deus que é puro amor o fazer cego por tanto tempo apenas para que se ocorra o fenômeno. Assim, “a vontade de Deus” passa a ser mais lógica ao ser interpretada como a lei Divina do progresso e da evolução. Ou seja, ele nasceu cego para que o seu espírito pudesse se depurar e esta enfermidade pudesse lhe ser escola para a sua própria evolução.

Segundo o espiritismo, as enfermidades se originam de diferentes causas: ações cometidas pelo doente em existências anteriores, relação com processos obsessivos e, igualmente, testemunhos que fazem parte das provações previstas no planejamento reencarnatório do Espírito. O caso do cego de nascença está inserido nesta última possibilidade.

Ao dizer estas [coisas], cuspiu na terra, fez barro com a saliva, e aplicou o barro sobre os olhos dele.

O Espiritismo esclarece que a energia magnética (6) pode operar modificações nas propriedades das substâncias materiais, “[…] donde o efeito curativo da ação magnética, convenientemente dirigida.” Sabe-se, hoje, que a ação de campos magnéticos promovidos por passes, Reiki e outras terapias de impostação de mãos são altamente curativas, por intervir diretamente na matéria.

Somados ao natural poder do magnetismo, a vontade e o coração puro cheio de intenção de cura são catalizadores de todo processo. Porém, como se há de explicar a ação material de tão sutil agente? […] A vontade é atributo essencial do Espírito, isto é, do ser pensante. Com o auxílio dessa alavanca, ele atua sobre a matéria elementar e, por uma ação consecutiva, reage sobre seus compostos, cujas propriedades íntimas vêm assim a ficar transformadas. Imagino a ação do campo magnético produzido por Jesus, ser de puro amor!

Assim, a cura do cego de nascença foi realizada em duas etapas (4): na primeira, Jesus desobstruiu as estruturas biológicas responsáveis pela visão que se encontravam adormecidas, parcialmente paralisadas, em razão do período de tempo sem uso. Fato semelhante aconteceu com Paulo, o apóstolo dos gentios, que ficou temporariamente cego porque “escamas” lhe bloquearam a visão. (Atos dos Apóstolos, 9:18). Jesus aplicou, então, uma ação magnética mais intensa (saliva e terra), nos olhos do cego para desbloquear-lhe a visão. O Mestre elaborou, na verdade, uma espécie de cataplasma com terra e saliva, de forma que os elementos curativos penetrassem lentamente nos olhos, sem traumas. Segundo Pastorino, a terra significava a carne, visto que viemos do pó, e o cuspe a centelha divina.

A etapa seguinte foi retirar o tampão ocular nas águas límpidas do poço de Siloé, uma das principais fontes de suprimento líquido de Jerusalém. O poço estava situado na direção leste-sudeste da cidade e era alimentado por um canal (chamado “enviado” ou “enviador”) de águas subterrâneas, vindas do lençol freático. Nos tempos do Novo Testamento, este poço era usado para abrigar pessoas enfermas nas suas cercanias. É possível que a procura dos doentes pelo poço estivesse relacionada às propriedades medicinais de suas águas, da mesma forma que procuramos benefícios nas estâncias hidrotermais ou hidrominerais.

Ainda há que se ponderar o simbolismo de se lavar em águas. O batismo em águas era símbolo de renascimento. Fato este reforçado pelo questionamento dos vizinhos se era ele mesmo ou outro. Era outro e, como diz o próprio cego, era ele mesmo.

“Uns diziam: É este. Outros diziam: Não, mas é semelhante a ele. Ele mesmo, porém, dizia: Sou eu.”

É oportuno lembrar que a cura só se efetiva no corpo físico se a intervenção magnética atuar no perispírito. O Espírito André Luiz elucida: “Atuando nos centros do perispírito, por vezes efetuamos alterações profundas na saúde dos pacientes, alterações essas que se fixam no corpo somático, de maneira gradativa.” (5)

E Jesus disse: Eu vim a este mundo para juízo, a fim de que os que não veem vejam e os que vêem se tornem cegos.

Os que não vêem, os que são cegos, tornam-se videntes, iluminados pelo Cristo. Por outro lado, aqueles que julgam ver, com a fraca luminosidade do intelecto, vaidosa e oca esses tornam-se cegos. (3) Em outras palavras, os que não humildes e, ainda que são sábios, reconhecem sua ignorância e anseiam pelo Espírito, são iluminados pela luz interior (agem enquanto é dia) e passam a ver tudo pelo prisma da verdadeira sabedoria. Mas aqueles que só vêem as coisas materiais e por isso se julgam videntes, esses diante do Espírito se tornam cegos, e passam a não perceber mais nada. O Cego se apresentou iluminado, procurando demonstrar com fatos, mesmo diante de hostis, a verdade que experimentou.

“Se é pecador não sei; uma [coisa] sei: Era cego e agora estou vendo.“

Firme de sua experiência vivida, ele não se deixa abater nem intimidar. Este, passou a ver com clareza, já os verdadeiros cegos do espírito o amedronta com ameaças.

Luz Estelar!

Referências

  1. O Novo Testamento – Tradução de Haroldo Dutra Dias
  2. Estudos aprofundados da Doutrina Espírita – Livro III: Ensinos e Parábolas de Jesus – Parte 2
  3. Pastorino, Carlos Torres. Sabedoria do Evangelho, Volume V.
  4. Bíblia do Caminho – Estudos Espíritas (http://bibliadocaminho.com/ocaminho/tematica/EE/Estudos/EadeP1T2P2.4.4.htm#Ref3)
  5. XAVIER, Francisco Cândido. Entre a terra e o céu. Pelo Espírito André Luiz. 24. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2007. Capítulo 5 (Valiosos apontamentos), p. 39.
  6. O Livro dos Médiuns. Tradução de Guillon Ribeiro. 80. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2007. Segunda parte, Capítulo 8, item 131, p. 180.
Publicado em Curas, Espiritismo

Energia do Pensamento

Um querido amigo me pediu para preparar uma palestra sobre a Energia do Pensamento e o meu maior medo era cair no senso comum e ficar falando: você tem que pensar positivo! Bom, claro que a conclusão desse artigo será exatamente essa, mas lembrem-se o caminho é mais importante do que a chegada. Espero trilhar com vocês esta linda trajetória!
Ciência + Religião + Filosofia. Que mundo estamos criando com os nossos pensamentos?
Para trilhar este caminho, precisamos passar por três pilares do conhecimento: Ciência + Religião + Filosofia. Tudo junto e misturado, pois a separação é apenas ilusória.
Inicialmente, é importante debater os aspectos das crenças limitantes geradas pelas religiões da Idade Média. Há que se ponderar que não tem como falar em cura, autocura e poder do pensamento se ainda nos retermos ao pensamento de um Deus punidor e que nos castiga. Nem mesmo, na lei vingativa do Karma. Não há punição ou vingança Divina, há aprendizado sempre. Somos cocriadores de uma forma tão intensa que você nem pode imaginar.
O entendimento mais importante que o Espiritismo me trouxe, foi o de rememorar o que Jesus afirmava o tempo todo: Deus é puro amor. Ok, não estou falado daquele Deus que fica sentado em um trono julgado os seus “filhos”, nesse eu não acredito. O Deus que estou falando é uma força [1]! Uma força? Claro! E essa é a melhor explicação que podemos trazer para a nossa limitada capacidade para entendimento de Deus. Ele está em tudo, somos criados em sua semelhança, ou seja, em nós também existe esta centelha divina.
Você poderia se perguntar: sendo criados em sua semelhança, puros e perfeitos, por que sofremos tanto? Porque erramos (a palavra erro era traduzida do latim como peccatu) tanto?
Sofremos e nos adoecemos por nos distanciarmos da Lei Divina, que é a lei do amor. Caímos na dualidade aonde passamos a crer em que há o bem e o mal, a tristeza e a alegria e deixamos de ver o todo como uma só força. Nos revestimos de camadas e mais camadas de egoísmo, orgulho, raiva, depressão, vícios, ansiedade e tantas outras delusões combatidas por Buda e tantos outros grandes nomes da humanidade. A cada camada que nos libertamos, nos aproximamos da nossa essência e de Deus que habita em nós. Toda trajetória da evolução espiritual foi explicada por Jesus em uma historinha simples de um filho pródigo, que pega a sua parte da herança e sai da casa do Pai. Este filho gasta tudo, se perde nos prazeres da vida, e retorna para ser recebido em festa pelo Pai. Essa herança, que pode ser interpretada pela centelha divina, ainda está em nós. Então troque as palavras: “Eu sou chato”, por “Eu estou chato”, visto que amanhã você pode se libertar dessa camada e se aproximar do Pai. O mesmo serve para todas as delusões (imperfeições) que existem em nós.
Bom, agora você entende que o Pai está te esperando, como filho pródigo, de braços abertos? Esse Pai quer te ver vencer e não te castigar. Assim, cabe a você acionar essa centelha divina que há em você e caminhar para a Iluminação, para o Paraíso, para o Reino dos Céus ou qualquer nome que a sua religião der para essa paz de espírito que é viver na nossa essência.
A teoria na prática é bem mais complicada, né? Se o caminho ficar mais evidente, fica mais fácil seguir. Não desanime, pois a jornada é longa, mas é possível.

909. Poderia sempre o homem, pelos seus esforços, vencer as suas más inclinações?
“Sim, e, frequentemente, fazendo esforços muito insignificantes. O que lhe falta é a vontade. Ah! quão poucos dentre vós fazem esforços!” [5]

Essa pergunta do Livro dos Espíritos nos faz pensar que lemos errado “esforços muito insignificantes”, como assim? Na verdade, a produção da mudança em nós ocorre com o pensamento e a sua irmã, a vontade. Toda força divina existente em nós se utiliza da propulsão do motor da vontade. O problema é que ainda confundimos força de vontade com vontade de fazer força.

Quando a nossa força de vontade oscila para a vontade de fazer força, a dieta não funciona mais, você para de aprender a tocar aquele instrumento musical, a cura financeira da sua vida vai por água abaixo. A Fé, fidelidade para com o que confiamos, é o combustível para o motor da vontade. Se você confia que pode chegar, você tem mais chances de se entregar e percorrer o caminho da cura. Qual cura? Aquela que leva o nosso espírito para a nossa essência, para a casa do Pai. Pode ser a cura de vícios, da depressão, das finanças, do mal comportamento, da mania de falar mal dos outros, enfim, tudo aquilo que nos afasta da paz suprema.
Disse-lhe Jesus: Todas as coisas são possíveis ao que crê. Imediatamente, gritando, o pai da criancinha dizia: Eu creio. Socorre a minha falta de fé. Marcos 9
Você deve estar pensando, mas eu vivo em um mundo limitado, em que é difícil manter a fé no futuro acesa. Concordo com você e se estamos aqui neste mundo é porque somos muito parecidos. Cada um tentando se libertar de alguma camada que, neste momento, mais lhe faz sentido se libertar. Se você não é um espírito puro como Jesus e está nesse perrengue como eu, você precisa se vigiar o tempo todo, pois tudo começa no pensamento.

“(…) a matéria mental é o instrumento sutil da vontade, atuando nas formações da matéria física, gerando as motivações de prazer ou desgosto, alegria ou dor, otimismo ou desespero, que não se reduzem efetivamente a abstrações, por representarem turbilhões de força em que a alma cria os seus próprios estados de mentação indutiva, atraindo para si mesma os agentes de luz ou sombra, vitória ou derrota, infortúnio ou felicidade.”[4]

Ao pensar, criamos ondas e matéria. Produzimos vida! Pelo campo energético produzido atraímos semelhantes e os semelhantes nos atraem. Vocês já pararam para pensar que quando você está passando por um problema, por exemplo, terminou um relacionamento. Várias pessoas aproximam de você com o mesmo problema. Você acaba por concluir: os relacionamentos estão falidos! Na verdade, você atraiu essas pessoas, o que é uma grande bênção divina. Pela lei da atração, você tem a oportunidade de encontrar caminhos para vencer os seus próprios desafios ajudando outros que passam pelos mesmos problemas. Já parou para pensar nisso? Quantos conselhos você já deu que são ótimos para você mesmo aplicar em sua vida? Enfim, atraímos tudo, o bem e o mal.
“Cada mundo possui o campo de tensão eletromagnética que lhe é próprio, no teor de força gravítica em que se equilibra, e cada alma se envolve no circulo de forças vivas que lhe transpiram do “hálito” mental, na esfera de criaturas a que se imana, em obediência às suas necessidades de ajuste ou crescimento para a imortalidade.”[4]
Para você que não é espírito puro, assim como eu, tem que vigiar o pensamento o tempo todo. Cuidar do que se fala e deixar os pensamentos negativos passarem pela mente sem fazerem morada. É igual dieta, tem que se policiar o tempo todo.

Forma Pensamento

O termo forma pensamento é comum na Radiestesia, no Espiritismo e em tantas outras ciências. Ele nos remonta ao fato de que tudo o que pensamos é matéria, visto que gera ondas e tem vibração e sintonia própria. Dessa forma, deixamos rastros de nossos pensamentos por onde passamos.
“O relógio permaneceu a respeitável família do século passado. Conserva as formas pensamentos do casal que o adquiriu e que, de quando em quando, visita o museu para a alegria de recordar. É um objeto animado pelas reminiscências de seus antigos possuidores, reminiscências que se reavivam no tempo, através dos laços espirituais que ainda sustentam em torno do círculo afetivo que deixaram”. [4]
Vou contar para vocês uma experiência que me mostrou um pouco do que é a forma pensamento e o seu poder:
A Igreja do Santo Cristo, nos Açores.
Trata-se de uma Igreja que guarda uma imagem considerada milagrosa e que muitas pessoas vão até lá pedir curas e para pagar promessas. Bom, nunca acreditei em imagens, apesar de amar profundamente o Cristo. Depois de ser convencida por um amigo, fiz o meu papel de turista e resolvi visitar a Igreja que, na festa do Santo Cristo, arrasta multidões.
santocristo2015
Ao entrar na sala aonde a imagem se encontrava, reforço que estava totalmente descrente, fui surpreendida por uma energia avassaladora e não consegui parar de tremer. Havia uma força me varria completamente e recebi um banho energético que me deixou em prantos. Fiquei ali por muito tempo, tentando entender o que estava acontecendo. Enquanto eu estava sentada no banco daquela sala, percebi muitas pessoas chegando ajoelhadas, subindo os degraus, para pagar promessas. Entendi que as formas pensamentos produzidas por aquela Fé incrível das pessoas tinha energizado tanto aquele local que o magnetismo dele poderia ser facilmente sentido. Como acredito no mundo espiritual, também imagino que vários espíritos iluminados visitem aquele lugar, pela pura lei da atração. Bom, conclusões minhas e que espero que façam sentido para vocês.
Depois dessa experiência, comecei a entender a importância dos altares e de se manter um cantinho sagrado para você que pode ser no plano material ou no plano astral. Este seu altar vai se tornando magnetizado a cada vez que você vibra positivamente nele e ele passará a produzir curas no ambiente, nas pessoas e em tudo o que cerca. Como criar um altar? Bom, ele pode ter um copo d’água e incenso como fazem os budistas, pode ter imagens como os católicos fazem, pode ser a sua casa toda, pode ser uma horta aonde você se distrai plantando ou ser simplesmente um local na sua mente, como uma cachoeira ou um lago, no qual você se sente em paz pensando que está lá.
“Nessa sala – explicou Áulus, amigavelmente – se reúnem sublimadas emanações mentais da maioria de quantos se valem do socorro magnético, tomados de amor e confiança. Aqui possuímos uma espécie de altar interior, formado pelos pensamentos, preces e aspirações de quantos nos procuram trazendo o melhor de si.”[4]
A conclusão que cheguei é que você pode colocar neste “altar” o que fizer sentido para você manter a sua mente focada no amor. Essa forma pensamento, ou energia matéria como retratado no livro Mecanismos da Mediunidade, poderá lhe ajudar a restaurar os ânimos quando você estiver em baixa vibração.
Com a consciência de que os pensamentos, associados com a vontade, podem curar ou adoecer, cabe a você escolher o qual energia lhe apraz.
662. Pode-se, com utilidade, orar por outrem?
“O Espírito de quem ora atua pela sua vontade de praticar o bem. Atrai a si, mediante a prece, os bons Espíritos e estes se associam ao bem que deseje fazer.” [6]

O que a ciência nos diz

Um fato importante destacar é a revolução científica que a física quântica nos trouxe apresentou muitas respostas, mas ainda mais perguntas. Há muito o que se estudar e muito o que aprender e comprovar, mas já temos um bom material.
Inicialmente, vamos lembrar que quando falamos sobre energia do pensamento, não há nada místico nisso. Os nossos neurônios transmitem informações por pulsos elétricos e todos os nossos órgãos são grandes geradores de eletricidade, o que nos permite fazer uma ressonância magnética e outros exames como eletrocefalograma, etc. Complemento, lembrando que toda corrente elétrica cria um campo magnético. Não há aqui nenhum conceito novo, visto que Hans Chistian Orsted, em 1820, percebeu a movimentação de uma agulha de uma bússola ao se aproximar de um fio condutor no qual passava uma corrente elétrica. Então, fica fácil concluir que os nossos pensamentos geram campos magnéticos o tempo todo, certo?
“Campo é o espaço dominado pela influência de uma partícula de massa”[3]
A pergunta que nos cabe agora é qual a qualidade do campo magnético que andamos produzindo? Relembro o artigo sobre arrepios e curas no qual você pode ver que pensamentos que fluem na lei do amor geram uma frequência elétrica alta e um campo magnético forte. Por outro lado, os pensamentos negativos são grandes geradores de campos magnéticos fracos.
Pouco se sabe, cientificamente, sobre a influenciação destes campos na saúde das pessoas. Vejam que até hoje não se conclui como uma antena da telefonia instalada ao lado da sua casa pode afetar a sua saúde. Ainda, não se sabe se os campos gerados pelo microondas, celular, wifi e tantos outros, podem realmente ser tão prejudiciais. Vários estudos estão sendo feitos e algumas conclusões já chegaram ao público, mas estamos falando aqui sobre o campo gerado pelos nossos pensamentos dos quais trago três evidências para ilustrarmos o tema.

1) Estudo do Senhor Masaru Emoto

Em seu livro, “Hado – Mensagens Ocultas na Água(2005)”, o fotógrafo Sr. Emoto demonstrou que ao dizer palavras de amor, felicidade e paz, os cristais de água poderiam ser fotografados em formas exuberantes. Por outro lado, as palavras de ódio, tristeza e repúdio formavam cristais feios e sem harmonia.
Apenar da grande repercussão, visto que ele chegou a vender mais de dois milhões de cópias de livros, há muitas críticas quanto à veracidade científica dos experimentos. Alguns criticam a experiência pela falta do rigor da pesquisa científica. No entanto, a amostragem é tão grande, foram tantas fotografias, que alguma coisa esta pesquisa nos quer dizer, principalmente por sermos constituídos praticamente por água.

2) Professor Ricardo Monezi

Em 2003, o Professor Monezi surpreendeu os professores da Faculdade de Medicina da USP com uma proposta intrigante de analisar o efeito da prática da impostação de mãos sobre camundongos [2]. Desta forma, com todo o rigor acadêmico, ele buscaria a análise científica da influenciação de um campo gerado pelas mãos de uma pessoa conectada com a energia do amor e com intenções de cura, através da técnica do Reiki.
Foram utilizados três grupos de camundongos. O primeiro grupo foi exposto a um tratamento Reiki de 4 dias, no qual, em cada dia, uma pessoa colocava as mãos sobre os camundongos, transmitindo-lhes Reiki (energia) durante 15 minutos. Importante ressaltar que não houve contato físico, apenas a influenciação de campo.
O segundo grupo foi submetido aos mesmos 15 minutos diários, durante os mesmos 4 dias, de uma mão de madeira e luvas, para isolar o efeito placebo que poderia existir. O terceiro grupo não teve nenhuma atuação.
Após os quatro dias de tratamento o pesquisador tirou sangue dos camundongos e este foi submetido a vários exames que vocês podem ver de forma detalhada na dissertação do Prof. Monezi [2]. O resultado mais relevante foi o de um tumor que foi adicionado a estas amostras de sangue e o grupo tratado com Reiki o combateu quatro vezes mais rápido do que os outros dois grupos. Esta pesquisa foi tão importante e relevante que abriu espaço para outras pesquisas do mesmo gênero no meio acadêmico e para iniciar a discussão da inclusão dos tratamentos Reiki na saúde pública.

3) O experimento com o arroz

Este experimento surpreendente foi algo bem caseiro, mas muito interessante. Uma equipe do Grupo Espírita Scheilla usou dois potes de arroz cozido. Um deles recebeu diariamente palavras de amor, carinho, elogios, etc. O outro recebeu diariamente somente palavras de ódio, tristeza e desamor. Depois de 10 dias o arroz com palavras negativas surpreendeu por se apresentar bem escurecido, como na foto abaixo.
arroz1
Após 60 dias, o arroz que recebeu palavras de amor foi a grande surpresa, por se apresentar tão branquinho.
arroz2
Diante deste simples experimento do arroz, me pergunto se estamos nos fazendo arroz branco ou arroz preto. Cada vez que você olha no espelho o que você está produzindo? E como você tem afetado o seu filho, marido, esposa, amigo, mãe e pai? Você anda produzindo arroz branco ou preto? Certa vez uma amiga veio me falar mal de outra pessoa, eu lhe disse: “Por favor, não me transforme em arroz preto!!!”. Claro que tive que explicar depois, mas nunca mais ela veio me transformar em arroz preto.
Agora que você já sabe o poder do seu pensamento, use em prol do amor e da cura!

Luz Estelar!

Referências

[1] A Sabedoria do Evangelho. 1964. Carlos Torres Pastorino.
[2] Ricardo Monezi, Dissertação de mestrado. Avaliação dos efeitos da prática de impostação de mãos sobre os sistemas hematológico e imunológico de camundongos machos. http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/5/5160/tde-23092014-145211/pt-br.php
[3] Mecanismos da Mediunidade. André Luiz, pela psicografia de Chico Xavier.
[4] Nos Domínios da Mediunidade. André Luiz, pela psicografia de Chico Xavier.
[5] Livro dos Espíritos, Alan Kardec
Publicado em Espiritismo

Um exercício de lógica para compreender a importância da caridade.

Se pudéssemos resumir todos os ensinamentos dos grandes mestres da humanidade em uma só lição, diríamos algo sobre o exercício do amor incondicional. Algo que ainda extrapola o nosso entendimento. O Hinduismo explica “você não tem que amar a rosa, você é a rosa”, é muito mais do que querer bem. Foi esse mesmo grande e nobre sentimento que levou Buda a amar tanto a humanidade ao ponto de iniciar a busca pela eliminação do sofrimento. Ainda, o grande Mestre Jesus disse: “amai-vos uns aos outros como eu vos amei” ou seja, não é qualquer tipo de amor, é o amor igualzinho o dele! Você está preparado para este sentimento?
O amor incondicional ainda é um sentimento muito distante da nossa realidade. Claro, se você ainda não é um espírito puro e está aqui nessa peleja como eu. Sei lá, né? Quem sabe tem algum espírito puro lendo o meu blog? Mas como diz Haroldo Dutra, se você ainda tem estômago e intestino, você provavelmente não é um espírito puro. Então este texto pode ser útil para você. Dito isso, acredito que para você, que tem intestino e estômago como eu, também seja bem difícil olhar para o outro, aquele que não participa do nosso meio de convívio diário, e amá-lo profundamente e incondicionalmente.
Vamos fazer um exercício para que fique mais claro com três passos:
1) Vai ali e ama aquele senhor morador de rua.
2) Ama aquela pessoa que te fez mal no trabalho.
3) Ama aquela pessoa do seu grupo religioso que briga com todo mundo.
Ohhhh seres que possuem estômago e intestino, é difícil, né?
Agora vamos pautar outros três exercícios:
1) Dê um prato de comida para aquele morador de rua.
2) Faça um relatório para ajudar aquele mala do trabalho.
3) Pare uns minutos para escutar aquela pessoa brigona do grupo espírita.
Ficou mais plausível para você, né? É isso… a caridade é o exercício do amor. É o primeiro passo!
Sabe, Jesus era puro amor, ele nos ensinou em toda a sua jornada aqui na Terra: “amarás o teu próximo como a ti mesmo”. O problema é que ainda não entendemos que o próximo é todo mundo. Muito além da sua Igreja, da sua família, do seu setor de trabalho e alcança até aquele que pensa diferente de você… ou seja, é todo mundo! O conceito de próximo também inclui os animais, as plantas, o universo… tudo!
Assim, o exercício do amor é o único caminho para a nossa evolução. Jesus, ser de puro amor, disse, eu sou o caminho, a verdade e a vida. Como seria muito bom se seguíssemos um pouquinho do seu exemplo de puro amor.
O caminho é o amor, mas o ensinamento “o amor cobre uma multidão de pecados” perdeu o sentido no meio da deturpação do conceito de pecado e precisa ser esclarecido:
“Em sua acepção original, a expressão hebraica chatta’th, passando para o grego hamartia e depois, para o latim, peccatu, não indicava pecado como ofensa a Deus, mas sim qualquer tipo de erro, como errar o caminho para um endereço ou um lançamento de flecha errar o alvo.” [1]
Então, primeiro precisamos entender que Deus, criador do Universo, é puro amor. Ou seja, ele não fica magoado, de mal, fecha a cara e, muito menos, fica punindo a gente quando a gente comete pecados, ou seja, comete erros. O pecado não é uma ofensa à Deus e sim uma ofensa à sua própria evolução. O pecado (erro) é punido por você mesmo, a sua consciência castiga. Você, pecador (aquele que erra), precisa se livrar do erro para evoluir e a sua vida prosperar. É uma jornada. Ao amar, você supera uma multidão de erros (pecados). Ficou mais lógico? Os passos para o amor são passos largos na caminhada da evolução. Para amar é preciso se libertar do ego, da vaidade, dos desejos infelizes, da raiva, ou seja, é a lapidação do ser tão explicada pelos grandes mestres da humanidade. A caridade, como dito anteriormente, é o exercício do amor.
Concluo com a fala do querido apóstolo Paulo:
“Ainda que eu falasse a língua dos anjos, ainda que eu tivesse o dom de profetizar e conhecer todos os mistérios, e ainda que eu tivesse toda a fé possível, capaz de transportar montanhas, se não tiver caridade, nada serei”. Paulo 1ª Carta aos Coríntios.
Seja caridoso o tempo todo e não somente nas épocas do Natal, pois “Fora da caridade não há salvação”.

Luz Estelar!

Referências:
Bíblia
O evangelho segundo o espiritismo
Livro Sândalo
Publicado em Curas, Espiritismo

Gaivotas podem voar? Reflexões do livro Fernão Capelo Gaivota

Um grande professor me perguntou recentemente se eu já havia lido Fernão Capelo Gaivota. Tentei buscar em minha memória algo sobre um título que eu já ouvi falar muito e concluí nunca o havia lido. Venho aqui mostrar para vocês o quanto este livro me surpreendeu. Uma leitura rasa para quem não se propõe a ler nas entrelinhas e um universo para quem tem trilhado o caminho do despertar da consciência.
Antes de falar do livro, vou lhe apresentar o autor.
Richard Bach nasceu em 1936 e publicou este livro em 1970, nos Estados Unidos.
Bach foi criado na Califórnia por uma família de classe média e no seu entorno a religião trazia uma visão bem restrita. Ele era piloto reserva da Força Aérea e dizia: “Voar é a minha religião”. Um monge budista me ensinou que a religião é apenas um método para você se aprimorar e caminhar na direção do amor. Neste caso, o “vôo” trouxe exatamente este serviço para Richard Bach.
Cercado pela visão de um Deus limitado pelas crenças populares, Bach resolveu trazer em seus livros uma visão pessoal sobre a evolução do ser, arraigado em uma metáfora filosófica complexa sobre a arte de voar.
“Seu estilo simples pode enganar à primeira vista, porque, por trás de palavras elegantemente unidas, escondem-se verdades e pensamentos filosóficos dos mais profundos.” [2]
Richard Bach chegou a escrever outros livros, nos quais também utilizava a sua experiência de vôo para apresentar questões importantes da espiritualidade como “O livro do Messias”, “Fora de Mim” e “Em Busca de Inspiração,”, mas nenhum fez tanto sucesso como o “Fernão Capelo Gaivota”.
O Livro Fernão Capelo Gaivota
É bom que se esclareça logo que não se trata de um livro religioso. Ainda, não há que se comparar a sua literatura com nenhuma única visão espiritualista, ela trás o contexto de uma observação pessoal sobre a evolução do ser, sobre as várias moradas da casa do Pai e sobre a busca do amor incondicional. Essa visão pessoal de Richard Bach é que trás toda a graça da leitura.
Bach trouxe uma visão perfeita em um contexto espiritualista. Devo explicar que o espiritualista é aquele que ele busca o aperfeiçoamento das questões do espírito. Como o objetivo deste artigo é lhe comover a ler o livro e não lhe contar a história, me proponho a apenas instigar-lhe os sentidos como quem come um brigadeiro bem gostoso, na frente de uma pessoa de dieta.
Judiação, gente!
Agora, se você está esperando ler a história de Fernão em seu sentido literal, tentando encaixá-lo em alguma doutrina religiosa, ou no contexto das gaivotas reais, recomendo: Não saia da dieta! Por outro lado, se você está aberto a novos pensamentos, se lambuze de brigadeiros e siga comigo.
O livro conta a história de uma gaivota, um pássaro mesmo, que queria fazer algo mais do que simplesmente lutar por comida. O objetivo de vida dele era aprender a voar cada vez melhor. Criticado por todos, limitado pelo seu corpo desengonçado, ele imerge em uma busca incessante em sua própria evolução.
“Por quê, Fernão, POR QUÊ? – perguntava-lhe a mãe. Por que é que lhe custa tanto ser como o resto do bando?”
Amei essa frase, pois se você também caminha no sentido do despertar, ou seja, da busca pelo aprimoramento do espírito, já deve ter ouvido algo assim. Lembro uma vez em que um grande amigo me respondeu que eu saberia que estava no caminho certo quando as pessoas começassem a dizer que estou louca. Fazer tudo igual não trás o despertar da consciência e Fernão desafiou o senso comum. Enfim, o caminho do despertar é assim mesmo. Ah sempre o risco de ser banido da comunidade, como aconteceu com Fernão. Ops! Spoiler…. desculpe.
Continuando…
Focado em sua busca constante pelo aprendizado, Fernão pensou algumas vezes em tentar se enquadrar no padrão do grupo, mas não tinha mais volta e isso lhe causava grande sofrimento. Lembro-me do meu psicólogo dizendo que a terapia é um processo sem volta. Verdade! Então, Fernão segue incessante na busca pelo autoconhecimento, por se acrisolar, e entra em uma jornada sem volta.
Aviso aos navegantes: não tem volta!
Em sua jornada, Fernão, depois de se tornar mestre de si mesmo, começa a receber orientações de um mentor que ele conheceu no paraíso e aprende que:

Cabe lembrar que toda teoria da atração, da cura quântica e da Fé, retratada por Jesus como imprescindível para a cura, está dita aí, em uma explicação singela sobre vôos. Somente esta frase, dá para escrever uns vinte artigos! Mas as surpresas do livro não param por aí. Fiquei intrigada em perceber que este mentor, em nenhum momento, deixa Fernão ficar dependente dele. Como acontece com os bons mestres e terapeutas de diversas áreas: o foco é tornar o aprendiz livre! Assim, Fernão resolve ser tutor de outras gaivotas que ainda estão presas em suas crenças limitantes e explica: “Temos que pôr de parte tudo o que nos limita.”, ele completa:

Fernão Capelo Gaivota
Não há coisa tão singela do que colocar no bico de uma gaivota o que Buda, Sri Prem Baba, André Luiz, Jesus, Einstein e tantos outros mestres vem desenhando para a humanidade. O pensamento cria! Nos adoecemos, nos curamos e tornamos o meio em que vivemos exatamente como queremos. Somos co-criadores do Universo.
A partir de então, Fernão inicia um caminho lindo na busca do amor incondicional.
O livro é muito rico e não vou falar mais para deixá-los com vontade de comer o brigadeiro. Espero que postem nos comentários os trechos do livro que vocês mais gostaram.

Luz Estelar!

Referências
3 – http://www.imagick.org.br/pagmag/turma2/bach.html
4 – Fernão Capelo Gaivota, Richard Bach, publicado em 1970.
Publicado em Espiritismo

Espiritismo – Conceitos sobre o éter e os fluidos

A codificação espírita, consolidada por Allan Kardec veio para desmistificar muitos fenômenos. A razão e a razoabilidade permeia todo a doutrina e por isso este trabalho foi colocado nas mãos de um rigoroso e metódico cientista. Alguns conceitos como éter, fluidos e a ponderabilidade da matéria eram questões importantes na comunidade acadêmica vigente na década de 1850. Ao entender o contexto histórico, se compreende melhor a grande ênfase dada a estes temas no Livro dos Espíritos e no Livro Gêneses.
Tentando entender os conceitos de fluidos e éter aplicados na codificação espírita sem o contexto científico da época, por vezes, conclui que Allan Kardec havia feito perguntas aos espíritos equivocadas ou desnecessárias. Ok, era bem provável que eu estivesse certa e Kardec errado. Hummm… talvez não. Considerando a hipótese de que eu precisava me empenhar realmente a entender o que estava sendo dito naquelas linhas de texto, pude mais uma vez me surpreender com a grandiosidade do trabalho de Allan Kardec.
Cabe ressaltar aqui que o renomado professor Hippolyte Léon Denizard Rivail, que mais tarde adotou o pseudônimo de Allan Kardec, nasceu na cidade de Lion na França, no início do séc. XIX, no dia 3 de outubro do ano de 1.804. Era um dos gramáticos mais famosos da França e apresentava trabalhos reconhecidos no campo da química, física, aritmética, anatomia e astronomia, dentre outros. Em um momento no qual ele se via investido em estudos acerca do fluido magnético (magnetismo), remontando os primeiros acordes desta ciência trazidos por Franz Mesmer em 1770, o professor Hippolyte foi surpreendido no ano de 1854, pela história das mesas girantes.
“Encontrando-me um dia com o Sr. Fortier, magnetizador que eu conhecia, havia muito, e disse-me ele: – Sabeis que se acaba de descobrir no magnetismo uma singular propriedade? Parece que não somente as pessoas que se magnetizam, mas também as mesas que giram e andam à nossa vontade. – É com efeito singular – respondi-lhe – mas isso não me parece rigorosamente impossível”. [6]
Assim, convidado a assistir as reuniões nas quais eram promovidos os efeitos de mesas que simplesmente giravam no concurso da proximidade de pessoas, ele passou a investigar, com o seu olhar científico, todas as possibilidades de explicação daquele fenômeno. Percebendo que havia ali não só uma nova descoberta física, mas também a influenciação de serem inteligentes que respondiam perguntas diversas, ele notou a revelação do mundo espiritual. O professor, mantendo todo o seu reconhecido critério científico, começou a confrontar respostas vindas de vários comunicantes (médiuns) de locais distantes. Lançando perguntas, Kardec foi catalogando as que lhe eram retornadas com frequência, eliminando, assim, a influenciação do médium.
Este catálogo de perguntas e respostas, mais tarde culminou no Livro dos Espíritos, publicado em 18 de Abril de 1857. Este foi escrito no auge do Iluminismo. Época em que a ciência e a razão eram exacerbadas. A princípio, o trabalho de Kardec impressionava a comunidade científica pelo cuidado de sua metodologia e dos resultados obtidos, mas quando os espíritos começaram a falar que Deus é a causa primeira de todas as coisas, não agradou muito os iluministas. Da mesma forma, ele começou a incomodar a Igreja da época, que enquanto Kardec se ocupava apenas do magnetismo, o seu trabalho era visto com bons olhos, mas somente a Igreja poderia falar de Deus. Após uma grande fogueira em praça pública de uma centena de cópias do Livro dos Espíritos, promovida pela Igreja, o interesse pela obra foi exponencialmente crescente, pois levantou a curiosidade de um trabalho escrito por tão renomado cientista.
Cabe destacar que o modelo do átomo foi considerado inicialmente por John Dalton, em 1808, como uma bola de bilhar indivisível. Este modelo perdurou até que Joseph John Thomson que, em 1887, descobriu a existência do elétron. Então, no ano de 1911, o cientista neozelandês Ernest Rutherford apresentou o modelo do átomo que se assemelharia ao sistema solar. Neste modelo, o átomo seria composto por um núcleo indivisível, comparado ao nosso Sol, e partículas denominadas elétrons que circundam este núcleo, se assemelhando com os nossos planetas. Este modelo foi aprimorado logo em seguida pelo cientista Niels Henry David Bohr que em 1913 apresentou a capacidade dos elétrons de emitirem energia e saltar de órbitas. Assim, no momento da escrita do Livro dos Espíritos, ainda não se falava em elétrons ou de energia, que vieram somente em 1887.
Surpreende-nos o trabalho de Kardec que, cuidadosamente, questionou aos Espíritos a explicação dos fluidos, da matéria e do éter ou fluido universal. Temas mais tarde retomado em em seu livro A Genese. Não era de se surpreender tal inquietude, visto que na época eram questões extremamente discutidas na comunidade científica.

O éter

A tradição materialista na filosofia ocidental, começou com Demócrito, no século V a.C., que afirmou que tudo que existe compõe-se de átomos (partículas invisíveis de matéria) em constante movimento no espaço vazio. Mais tarde, este espaço entre os átomos foi preenchido pelo conceito do éter, que seria a quinta essência, além da água, terra, fogo e o ar. O éter também sofreu grandes modificações na sua conceituação ao longo do tempo.
O primeiro conceito de éter o define como um meio elástico, impalpável e indetectável, através do qual a luz se propagaria. Este conceito havia sido descartado pela ciência desde 1687. No entanto, por não haver outras explicações para fenômenos como a propagação da luz e do eletromagnetismo do final do século XIX, o éter não havia sido desconsiderado totalmente pela comunidade científica. Mais tarde, em 1905, com a publicação do artigo “ Teoria da Relatividade Restrita” de Einstein o conceito de éter foi finalmente descartado, abrindo espaço para a volta do vácuo, ou seja, a ausência de matéria. Tal possibilidade do vácuo foi desmantelada em 1927, com o Princípio da Incerteza de Heisenberg.

Já em 1927, o Princípio da Incerteza de Heisenberg havia levado físicos a predizer que partículas poderiam surgir espontaneamente no vácuo, desde que desaparecessem num tempo suficientemente curto. O Efeito Casimir é uma comprovação experimental de que, mesmo no vácuo mais absoluto que a tecnologia consegue produzir, “algo existe”. Hoje em Por dia a maioria dos físicos vê o vácuo como um lugar extremamente ativo, com diversos tipos de partículas surgindo e desaparecendo.[3]

Cabe ressaltar que aos olhos da física atual se o vácuo não é o antigo éter-matéria, também não é o nada absoluto que alguns imaginam que Einstein tenha criado quando deu fim ao éter com sua Teoria da Relatividade Restrita. Ou seja, para a ciência atual, alguma coisa existe.
Diante de questões importantes acerca da existência ou não do éter, Kardec questiona os espíritos sobre a existência do “nada absoluto” e tem respostas que deveriam ter deixado o nosso professor pensativo.
36. O vácuo absoluto existe em alguma parte no Espaço universal?
“Não, não há o vácuo. O que te parece vazio está ocupado por matéria que te escapa aos sentidos e aos instrumentos.” [1]
No Livro dos Espíritos o conceito de éter dá lugar ao conceito de Fluido Cósmico Universal, ou simplesmente, Fluido Universal. Neste conceito, o Fluido Universal ocupa todos os lugares e permeia todos os seres e materiais. Ainda, o Fluido ou Principio Vital, que nos dá a vida, nada mais é do que modificações do Fluido Universal. Cabe ressaltar que o termo Fluido Universal não foi cunhado pelos espíritos, visto que em 1765, o médico alemão Franz Anton Mesmer, conquistou o doutorado com a dissertação “Dissertatio physico-medica de planetarum influxu”, no qual tratava a influência dos planetas sobre o corpo humano. Nesta dissertação ele usou pela primeira vez o conceito de Fluido Universal, mas como as teorias de Mesmer era muito criticadas na sociedade médica, poucos falavam de seu trabalho.

Mesmo em se tratando de um termo conhecido, pouco se conhecia do Fluido Universal. Era sabido que se tratava na época de uma teoria ainda a ser revelada, conforme apresentado no livro que compõe a codificação espírita “A Genese”.

Os elementos fluídicos do mundo espiritual escapam aos nossos instrumentos de análise e à percepção dos nossos sentidos, feitos para perceberem a matéria tangível e não a matéria etérea. [4]
Na tentativa de trazer-lhes o impacto destas narrativas, preciso esclarecer-lhes que havia um outro grande debate daquela época, o conceito de fluidos.

Os Fluidos

Para trazer os conceitos de fluidos, é preciso voltar um pouco na história e explicar o caminho da ciência transitando neste contexto. Há que se esclarecer que o Mecanicismo é um conceito da física que surgiu no começo do século XVII e se baseava no fato de que todos os acontecimentos ou ações deveriam ser explicáveis pelas leis da mecânica, ou seja, as leis do movimento da matéria.
As leis da mecânica apresentadas por Newton, apesar de ter fundamentos materialistas, ou seja, aceitava somente a existência de matéria e movimento, admitia a existência de algum “Deus”, que teria sido o iniciador dos movimentos contínuos, visto que a matéria era sempre passiva. Esta visão de Deus era corroborada com as ideias de Aristóteles (384 – 322, A.C.), que afirmava que o Universo, inclusive o homem, seria um “Todo” orgânico, comandado por uma “alma” que se chama Deus. Com a chegada do “Pensamento Moderno”, principalmente com Galileu (1564/1642, Itália), Descartes (1596/1650, França) e Isaac Newton (1642/1727, Inglaterra), a ideia de que a Natureza seria um “Todo” orgânico foi substituída pela tese de que era, na verdade, uma “Máquina” e tudo era explicável mediante o uso da “Lei do Movimento”. O mecanicismo explicava até o funcionamento do corpo humano e os seus órgãos.
Como não havia nada além da matéria e do movimento, ou seja, os conceitos de energia e espírito estavam descartados, os efeitos da luz, do calor, da eletricidade e do magnetismo eram explicados pela matéria denominada fluido luminífero, fluido calorífico ou calórico, fluido elétrico e fluido magnético. O conceito de fluido era imerso no entendimento mecanicista vigente. Ou seja, o fluido era matéria e tinha comportamento como tal. Diante disto, os fenômenos da ação do calor, por exemplo, descrito por Antoine Lauret de Lavoisier (1743 – 1794), era semelhante ao mecanicismo da matéria.
Ao explicar o fluído calorífico, por exemplo, se dizia que havia um movimento de partículas que preenchiam espaços entre partículas do receptor, que literalmente se “enchia” de calor. Assim, a pessoa recebia partículas do calórico. Bom, pense bem, se havia um aumento de partículas, então a pessoa teria a sua massa aumentada, certo? Então, não identificando este aumento hipotético de massa, os cientistas concluíram que essas partículas dos fluidos eram imponderáveis, ou seja, não tinham massa. Este mesmo conceito era aplicado ao fluido elétrico, fluido nervoso e fluido magnético.
O conceito de calor, à época era considerado um fluido imponderável, o fluido calórico de Antoine Laurent de Lavoisier (1743-1794), que suplantou o flogisto de Georg Ernst Stahl (1659-1734), também foi crucial na busca por máquinas mais eficientes e, consequentemente, menos dispendiosas. A construção de uma ciência do calor, cujas bases alicerçaram-se sobre os trabalhos de muitos, como Jean-Baptiste Joseph Fourier (1768-1830), S. Carnot e Benoît Paul-Émile Clapeyron (1799-1864), foi imprescindível para que se avançasse das máquinas à termodinâmica e, consequentemente, à conservação da energia [3]

Observem que Fourier e Clapeyrom incitaram as discussões sobre a ciência do calor por volta de 1850, e o livro dos espíritos teve a sua publicação em 1857. Nesta época, a visão de natureza newtoniana, mecanicista, era o paradigma vigente na ciência. Assim, é natural e oportuno que Kardec levante questões acerca da matéria e dos fluidos.
29. A ponderabilidade é um atributo essencial da matéria?
“Da matéria como a entendeis, sim; não, porém, da matéria considerada como fluido universal. A matéria etérea e sutil que constitui esse fluido vos é imponderável. Nem por isso, entretanto, deixa de ser o princípio da vossa matéria pesada.”[1]
65. O princípio vital reside em algum dos corpos que conhecemos?
“Ele tem por fonte o fluido universal. É o que chamais fluido magnético, ou fluido elétrico animalizado. É o intermediário, o elo existente entre o Espírito e a matéria.”[1]
Interpreto esta resposta “é o que chamais” como algo assim “vocês entendem por isso” ou “é quase isso”. Na época, pouco se falava sobre energia e era muito vanguardista falar sobre coisas como a influência de um campo eletromagnético.

Cabe ressaltar que a codificação espírita foi concebida no berço do Iluminismo, em uma época em que a ciência estava em glória os conceitos estavam se transformando e o todo novo conhecimento aflorado era experimentado pelos cientistas. Tais fenômenos da experimentação aconteceram no berço do espiritismo, sendo o caso das irmãs Fox, que eram perseguidas por batidas nas paredes e portas das casas nas quais elas se encontravam, um dos mais conhecidos.
Na pergunta 388 do Livro dos Espíritos, há uma resposta inusitada, e hoje penso como ela deve ter intrigado Alan Kardec, visto que a teoria de campo ainda não havia sido consolidada.
388. Os encontros, que costumam dar-se, de algumas pessoas e que comumente se atribuem ao acaso, não serão efeito de uma certa relação de simpatia?
“Entre os seres pensantes há ligação que ainda não conheceis. O magnetismo é o piloto desta ciência, que mais tarde compreendereis melhor.”[1]
Não havia, naquela época, a sedimentação do conceito da influenciação dos campos. Visto que, apenas mais tarde, a teoria de mecanicista foi gradualmente confrontada pela teoria clássica de campos, que teve como marcos os artigos de James Clerk Maxwell de 1856, 1861/1862 e 1864, em um movimento denominado desmecanização da física.

No contexto da física, o termo “campo” denota a capacidade das forças de agirem através do espaço, sem se restringir à ação por contato, mas também sem se confundir com a ação a distância. A caracterização mais informal e geral do conceito de campo tem a ver com a noção de “zona de influência” de um corpo. [2]

A partir de então, a teoria de campos mudou toda a forma de pensar da ciência. Passamos a observar que uma agulha pode mudar de direção se aproximada da influenciação de um campo magnético. Sabemos também que ao aproximarmos dois campos magnéticos, produzimos correntes elétricas. Mas havia uma questão não respondida: qual o efeito da influência dos campos nos seres? Mais ainda, concluindo-se que somos capazes de produzir campos, passamos a procurar entender qual a sua contribuição para o restabelecimento da saúde de pessoas, animais ou plantas. Vários estudos acerca dos efeitos de passes, Reiki e outras técnicas estão sendo conduzidos pela comunidade científica para confirmar o que nós Espíritas, Reikianos, Deekshas Giver já presenciamos na prática.
Além disso, novos surpreendentes caminhos se abrem no maravilhoso mundo da Física Quântica. Como a Alice, do país das maravilhas, calcamos os próximos passos desta luta da ciência para explicar a natureza do universo.

Tenho certeza, muitas descobertas que foram apenas pinceladas pela codificação ainda estão por vir! 💮

Luz Estelar!

Referênicas:

[1] Kardec, Alan. Livro dos Espíritos. Paris, 1857.
[2] Bezerra, Valter Alnis. Artigo “Maxwell, a teoria do campo e a desmecanização da física.” São Paulo, 2006.
[3] Brito, Nathaly Barboza de; Fonseca, Celso Suckow da; Reis, Ueslei Vieira dos; Talon, Ivan Luis Miranda; Reis, José Claudio de Oliveira. Artigo “História da física no século XIX: discutindo natureza da ciência e suas implicações para o ensino de física em sala de aula”, Rio de Janeiro, 2014.
[4] A Genese
[5] Oliveira, Ricardo Monezi Julião de. Avaliação de efeitos da prática de impostação de mãos sobre os sistemas hematológico e imunológico de camundongos machos. Dissertação de Mestrado, USP, 2003.
[6] Obras postumas

[9] Marcel, Solto Maior. Kardec – A Biografia. (Livro)
[10] http://querosaberaverdadesim.blogspot.com.br/2013/04/os-fluidos-particula-de-deus.html (Artigo)