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A chave para uma comunicação efetiva

Você já observou algumas conversas que chamamos de “conversa de loucos”? Uma pessoa fala uma coisa e a outra entende outra coisa? Venho observando como algumas vezes digo coisas doces e a pessoa entende fel. Outras vezes digo pedras e a pessoa recebe plumas. Curioso, não é?

Vamos um pouco além.

Como, naquele tempo de mentes muito mais embrutecidas que as nossas atuais, as pessoas conseguiam entender a mensagem de Jesus? Ainda, como o Príncipe Siddhartha Gautama (Buda), nascido em uma família rica e poderosa, conseguiu expressar os ensinamentos do desapego e ser compreendido? Faz sentido pensar que não há compreensão total nas mensagens destes mestres, mas você há de convir que existe um aprendizado repassado que vai muito além das palavras.

A verdade é que as palavras possuem coração e há que se ponderar qual emoção habita neste coração ao falar. A comunicação eficiente está no momento em que as palavras repassam as mesmas mensagens que o coração.

Comunicação Efetiva
Seja, porém, o vosso falar: Sim, sim; Não, não; porque o que passa disto é de procedência maligna. Mateus 5:37 (Sermão da Montanha)

Assim, a comunicação decorre de um que fala e outro que interpreta, mas antes da fala há uma sintonia emocional muito mais importante do que as palavras. Perceba que antes de se pronunciar, os grandes sábios se enchem de emoção e tocam os corações para que a mensagem seja bem entendida. Neste momento, a comunicação não é de mente para mente e sim de Espírito para Espírito. Da mesma forma, as relações não existem apenas em um mundo de ilusões criadas pela mente. Este mundo de ilusões que é chamado em Sânscrito por Maya ou pelos espiritualistas por Matrix, não existe em sua totalidade e permanecer nele é estabelecer uma relação com graves problemas de comunicação pela sua superficialidade.

“Parceiro e parceira, nos compromissos do lar, precisam reaprender na escola do amor, reconhecendo que, acima da conjunção corpórea, fácil de se concretizar, é imperioso que a dupla se case, em espírito – sempre mais em espírito -, dia por dia.” (Vida e Sexo, Cap. 11)

Frases como “Ele não me entende”, “Por mais que eu lhe diga para confiar, ele não confia.” ou “Eu a mando ir embora, mas ela sempre está por aqui.” demonstram que as comunicações acontecem entre Espíritos e não por interações simples entre mentes, bocas e ouvidos. Por Espíritos comunicantes digo: mente, corpo, emoções e corpo fluídico (duplo-etérico); tudo isto comandado por um princípio inteligente (alma).

Sendo assim, ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos, e não tivesse amor, seria como o metal que soa ou como o sino que tine. Coríntios 13 (Carta de Paulo aos Coríntios)

Sabendo disso tudo, antes de falar, recomendo que revise a sua emoção. Se você quiser deixar mensagens de raiva, seja raiva; mas se você quiser deixar mensagens de amor, seja amor.

Referências:

http://www.sbie.com.br/blog/qual-diferenca-entre-emocao-e-sentimento-na-psicologia/
Vida e Sexo. Chico Xavier, – Emmanuel.
Conceitos de Maya – https://youtu.be/NDgMbstgUn4

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Publicado em Espiritismo

A base do espiritismo não é a reencarnação

Apesar de ser um importante tema tratado pela Doutrina Espírita, a reencarnação não é a base do Espiritismo. Ela é uma consequência lógica desta Doutrina que se baseia em três pilares: Ciência, Filosofia e Religião. Neste artigo, pontuo trechos de temas complexos como aperitivo, para um estudo aprofundado posterior. 

Começo reportando que a grande contribuição do Espiritismo para os seus seguidores, ao meu ver, é o entendimento claro de que Deus é a causa primária de todas as coisas e que ele é soberanamente bom.

Deus

Na Doutrina Espírita Deus é uma força criadora, algo ainda muito incompreensível para nós. Então, se leva a sério a frase do apóstolo João que tanto anda em adesivos de carros: “Deus é amor”. Ou seja, Deus é a força do amor.

Pronto, agora vamos falar de algumas questões que cercam o Espiritismo à partir do princípio do amor de Deus.

Reencarnação

Bom, esclarecido que Deus é soberanamente amor e, portanto, quer que eu vença, não há que se pensar que eu tenho apenas uma chance. Seria muito pouco para um ser ainda tão imperfeito como eu. Você realmente acredita que Deus, que é a força do amor, poderia condenar um filho por meio de uma punição eterna por uma falta? Não faz sentido! Diante da Doutrina, quando nos deparamos com uma criança nascida com doenças graves, não se vê punição de Deus, mas uma oportunidade de corrigenda de um espírito eterno que andou caminhando longe da Lei do Amor e que, mesmo com a alma ainda adoecida, tem oportunidades de se melhorar e se aproximar dessa soberana Lei.

Portanto, a reencarnação é uma conclusão lógica das oportunidades que Deus coloca em nossas vidas. É importante que fique claro que o sofrimento não faz parte da Lei de Amor e sim o aprendizado. Na medida em que aprendemos a nos libertar da culpa, medo e apego não há mais sofrimento. Por fim, reforço que a reencarnação não serve para se “pagar” karmas e sim para o aprendizado. Ou seja, se você aprendeu a lição… bola para frente e que venham as próximas.

Ciência e Filosofia

Se Deus criou TUDO, então o ato de estudar a Bíblia, ou a física quântica, ou a sabedoria das coisas é a mesma coisa. Estaremos, assim, estudando a criação de Deus. A ciência e a filosofia contribui com o entendimento da criação e dos movimentos de Deus. Infelizmente, a ciência se distanciou de Deus por causa de uma visão equivocada Dele. Por muito tempo vimos Deus como um velhinho de barbas brancas sentado em um trono no Céu. No entanto, quando o cientista começou a estudar os astros e o “céu” não  foi possível encontrar esse Deus e nem esse tal trono. Assim, o cientista se distanciou de Deus sem sequer pensar na possibilidade de modificar o seu entendimento de Deus.

Portanto, quando o cientista passa a entender Deus como uma força do amor, ele começa a vê-lo na beleza da sua criação. Dos arranjos atômicos até a infinidade do universo, das relações humanas ao entendimento do ser… em tudo há Deus.

Assim, o espiritismo abraça a Ciência e a Filosofia completamente. Afinal, a Doutrina foi codificada por um grande cientista.

Pecado e Perdão

Da mesma forma, a reforma íntima é o exercício contínuo do encontro com o Deus que há em mim, visto que sou criada à sua imagem e semelhança. Quanto mais eu me melhorar, mais próxima de Deus estou. Ou seja, preciso deixar de pecar, mas calma, há que se esclarecer que “pecado” vem do latim “peccatu” e significa erro. Quando se atirava uma flecha em um alvo e se cometia um erro, diziam: você cometeu um peccatu. 

Em sua acepção original, a expressão hebraica chatta’th, passando para o grego hamartia e depois, para o latim, peccatu, não indicava pecado como ofensa a Deus, mas sim qualquer tipo de erro, como errar o caminho para um endereço ou um lançamento de flecha errar o alvo. [1]

Ou seja, agir de forma contrária a Lei do Amor é cometer um pecado, um erro. Ao atuar em pecado é preciso voltar para a Lei: “O amor cobre uma multidão de pecados”, disse nosso mestre Jesus.

peccatu

Como reverter esse pecado? Simplesmente perdoar. 

Ressalto que o sufixo per significa “através”. Assim, [per] + [doar] significa doar através. Perdoar não é se sentar no trono poderoso e conceder um voto de perdão ao outro ser inferior. Nada disso! Significa ir até o outro e doar tempo, amor, preces e muito mais. Por exemplo: ao perdoar um pai, se doe jogando xadrez com ele uma vez na semana. O sentimento de alívio de alguma mágoa vem naturalmente com o tempo. Para se perdoar, compreenda que você errou por não saber e passe a estudar e trabalhar no bem. O perdão é movimento.

Religião

Religião vem da palavra “religare”. O prefixo “re” não significa novamente e sim “com intensidade”. Sendo Deus a força do amor, a religião é o movimento do qual eu me ligo com intensidade a esta força. O exercício religioso mais importante para o espirita é a prática da caridade, que é o exercício do amor. Quando pratico a caridade sincera, sem esperar retorno, estou buscando a minha conexão com Deus. Por isto, todo centro espírita tem tantas obras de caridade.

O culto mais importante da religião na concepção espírita é o exercício do amor, ou seja, a caridade.

As doenças

Somos criados à imagem e semelhança de Deus sim, somos amor em essência, mas ainda estamos vagando na dualidade. Isso significa que o seu corpo não foi feito para funcionar fora da Lei de Amor. A raiva, a ansiedade, a angústia, tudo isso nos adoece. A doença leva para o corpo as impurezas da alma. Uma profunda limpeza.

O momento da doença pode ser representado como aquele momento em que o GPS recalcula a rota. Nesse momento, você fica confuso e tem que aguardar a nova rota se restabelecer. Aí, você se coloca novamente no caminho da Lei de Amor. Os tratamentos de doenças físicas, nos centros espíritas, não levam em consideração apenas o corpo físico, mas o ser integral. Ou seja: mente, emoções, corpos físicos e energéticos e espírito. Tudo é tratado em conjunto e, por isso, junto com alguma aplicação de passe é recomendada a leitura de livros e a reflexão íntima para que se corrija a rota do ser.

Jesus

Quando Alan Kardec perguntou aos Espíritos qual o modelo de ser evoluído que devemos seguir (pergunta 629 do Livro dos Espíritos), a resposta foi imediata: Jesus. Sendo Jesus exemplo de amor, ou seja, aquele que atingiu a ligação com Deus em plenitude, precisamos estudá-lo para “copiá-lo”.

Jesus é o nosso modelo e guia e, portanto, no Espiritismo se estuda muito sobre ele. O que ele fez, o que ele falou, o que ele comeu, as curas que ele produziu. Tudo estudado à luz da Ciência, Filosofia e Religião.

Jesus é Deus para o Espírita?

Não e sim, nessa ordem. Ele é um espírito em evolução, assim como eu e você. No entanto, ele já se purificou tanto que já atua completamente na Lei de Amor. Ou seja, conhecê-lo é conhecer Deus. Entendeu? Por isso Jesus dizia: Eu e meu pai somos um. Se conhecêsseis a mim, conhecerias meu Pai. Um dia, diremos isso. Vai demorar um “tiquinho”, é verdade, mas Deus está nos conduzindo.

Por onde começar?

Trouxe aqui apenas algumas pequenas pinceladas sobre temas bem complexos, mas se você quer aprender mais sobre o espiritismo não recomendo que comece a ler o Livro dos Espíritos. Leia o livro “Kardec, a Biografia” [2]. Este livro foi escrito pelo jornalista, não espírita, Marcel Souto Maior que, brilhantemente, nos contou como foi a trajetória de Kardec. Vale a pena ler! Então, você vai entender a grandeza dessa Doutrina que não é de uma pessoa, mas de um grupo de estudiosos no qual você é um convidado a participar.

Procure um centro espírita kardecista que você encontrará:

Palestras interessantes com foco na reforma íntima (melhoria contínua), estudos sobre o Evangelho de Jesus, e também física, química e mediunidade, que é tudo a mesma coisa e muito mais. 

Referências

[1] https://marcoaureliorocha5.blogspot.com/2011/03/o-que-e-pecado-visao-espirita.html

[2] Kardec a Biografia. https://www.amazon.com.br/Kardec-biografia-Marcel-Souto-Maior/dp/8501100676?tag=goog0ef-20&smid=A1ZZFT5FULY4LN&ascsubtag=go_726685122_51601401518_242574450465_pla-460986696959_c_

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Resumo do Livro dos Médiuns. Capítulo XXIII – Da Obsessão

Amo dar esta resposta: Ohhhh!!! Você se comunica com os mortos? Eu não, eles que se comunicam comigo. Eu só respondo por que sou educada.

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Não foram os médiuns nem os espíritas que criaram os espíritos; ao contrário, foram os espíritos que fizeram haja espíritas e médiuns. As comunicações e as influências dos espíritos ocorrem a todo momento e não apenas por meio das formas escritas ou verbais. É importante ressaltar que todos nós somos médiuns. A mediunidade acontece nas casas espíritas, nas ruas, nos hospícios, nas igrejas e no nosso dia a dia. Algo tão natural ao ser humano que merece bastante estudo e entendimento.

Kardec questiona:

Que se deve pensar dos que, vendo um perigo qualquer no espiritismo, julgam que o meio de preveni-lo seria proibir as comunicações espíritas?

Se podem proibir a certas pessoas que se comuniquem com os espíritos, não podem impedir que manifestações espontâneas sejam feitas a essas mesmas pessoas, porquanto não podem suprimir os espíritos, nem lhes impedir que exerçam sua influência oculta. Esses tais se assemelham às crianças que tapam os olhos e ficam crentes de que ninguém as vê. Fora loucura querer suprimir uma coisa que oferece grandes vantagens, só porque imprudentes podem abusar dela. O meio de se lhe prevenirem os inconvenientes consiste, ao contrário, em torná-la conhecida a fundo.

Então, vamos estudar. Certo?

Resumo do Livro dos Médiuns. Capítulo XXIII

Da Obsessão

Obsessão: Domínio que alguns espíritos passam a adquirir sobre certas pessoas. Ela é um dos maiores perigos da mediunidade e um dos mais frequentes. Ocorre por vontade do espírito, ora relacionadas à vontade de vingança, ora por inveja, além da simples vontade de atormentar alguém.

  • Obsessão simples: ocorre quando um espírito se impõe a um médium, interferindo em suas comunicações e se apresentando no lugar daqueles que são evocados. O médium atento consegue perceber tal influência.
  • Fascinação: ocorre quando uma ilusão produzida pela ação direta do espírito sobre o pensamento do médium. O médium fascinado não acredita que o estejam enganando. O espírito, neste caso, é ardiloso e procura afastar o médium daqueles que querem ajudar.
  • Subjulgação: ocorre quando o médium se vê paralisado em sua vontade e passa a agir ao mau grado do espírito. Basta uma palavra para que o paciente fique sob um verdadeiro jugo. A subjugação pode ser moral ou corporal.
    • Possessão: (termo comum na Bíblia) Este termo pressupõe a crença em um ser maligno e a coabitação de um mesmo corpo. Esta crença não cabe no estendimento atual e por isso, no livro dos médiuns, este termo foi substituído por subjulgação.

Outras observações:

  • O termo mau espírito é preferível ao espírito mau. Ninguém é em essência mau, visto que fomos criados à semelhança de Deus. Em algum momento, podemos estar com um comportamento mau e ter más intenções, que podem ser modificadas à qualquer momento.
  • Há espíritos obsessores sem maldade. Estes apenas querem fazer valer a sua opnião e se baseam em médiuns crédulos demais que não questionam a qualidade da comunicação. Estes se manifestam como Jesus, Virgem Maria, etc. dando ao nome uma veracidade dos seus conselhos. O que querem é impor suas ideias, por mais disparatadas que pareçam.
  • Há espíritos escrevinhadores, que são prolixos e se aproveitam de médiuns que se fazem fascinados com o fenômeno. Os espíritos verdadeiramente superiores são sóbrios de palavras; dizem muita coisa em poucas frases.
  • Pode ocorrer o fato de um médium se comunicar com um único espírito e isso não necessariamente é uma obsessão. Pode, portanto, indicar uma falta de maleabilidade do médium.

Formas de combater a obsessão:

  • Na obsessão simples, o médium percebe a influência e pode provar ao espírito que ele não está iludido e que lhe é impossível enganar. Outra coisa é dirigir apelo fervoroso ao seu anjo bom, pedindo-lhes que o assistam. Aos médiuns escreventes, é conveniente que interrompa o trabalho escrito, para que não se dê ouvidos ao que não é construtivo. {Comentário meu: geralmente aparecem frases estranhas na mente, repetindo algo como “compre batom, compre batom”, se o médium estiver atento, pode identificar facilmente e dizer “estou de dieta e não adianta falar isso mais”. Geralmente resolve}.
  • No caso da fascinação, não há limites para o domínio que o espírito assume sobre o encarnado de quem se apoderou. Pode-se mostrar para a vítima como ela está sendo ludibriada, no entanto esta tarefa é muito difícil. O fascinado, geralmente, acolhe mal os conselhos; a crítica o aborrece, o irrita e o faz tomar quizila dos que não partilham da sua admiração. Conclui: Ninguém pode curar um doente que se obstina em conservar o seu mal e nele se compraz. {Sugiro: Preces para fortalecer a vítima e aproximá-lo de seus verdadeiros mentores/anjos da guarda.}
  • No caso da subjugação corporal o obsidiado fica sem energia para dominar o mau espírito. Neste caso é importante a ação de um magnetizador mais elevado moralmente que o espírito. Por isso é que Jesus tinha tão grande poder para expulsar aqueles a que, naquela época, se chamava demônio, isto é, os maus espíritos obsessores.
  • As imperfeições morais do obsidiado constituem, frequentemente, um obstáculo à sua libertação. Pela prece e magnetização se pode afastar o obsessor, mas ele voltará se as más condutas continuarem: falar mal dos outros, desejar o mal, se entregar aos vícios, a preguiça, a vaidade. Somente a caridade, o trabalho no amor, pode efetivamente proteger o Médium.

Um caso:

[Conselho do espírito amigo] “Nenhum conselho melhor lhes posso dar do que o de dizer-lhes que desçam ao fundo de suas consciências, para se confessarem a si mesmas e verificarem se sempre praticaram o amor ao próximo e a caridade. Não falo da caridade que consiste em dar e distribuir, mas da caridade da língua, pois, infelizmente, elas não sabem conter as suas e não demonstram, por atos de piedade, o desejo que têm de se livrarem daquele que as atormenta. Gostam muito de maldizer do próximo e o espírito que as obsidia toma sua desforra, porquanto, em vida, foi para elas um burro de carga. Pesquisem na memória e logo descobrirão quem ele é. “Entretanto, se conseguirem melhorar-se, seus anjos guardiães se aproximarão e a simples presença deles bastará para afastar o mau espírito, que não se agarrou a uma delas em particular, senão porque o seu anjo guardião teve que se afastar, por efeito de atos repreensíveis ou maus pensamentos. O que precisam é fazer preces fervorosas pelos que sofrem e, principalmente, praticar as virtudes impostas por Deus a cada um, de acordo com a sua condição.”

  • Não se deve atribuir à ação direta dos espíritos todas as contrariedades que se possam experimentar, as quais, não raro, decorrem da incúria ou da imprevidência dos encarnados.

Perguntas e respostas:

  1. Por que não podem certos médiuns desembaraçar-se de espíritos maus que se lhes ligam e como é que os bons espíritos que eles chamam não se mostram bastante poderosos para afastar os outros e se comunicar diretamente?
    Não é que falte poder ao espírito bom; algumas vezes o Médium se identifica mais com o mau Espírito e, por isso, lhe dá grande poder.
  2. Parece-nos, entretanto, que há pessoas de muito mérito, de irrepreensível moralidade e que, apesar de tudo, se veem impedidas de se comunicar com os bons espíritos.
    É uma provação. E quem te diz, ademais, que elas não trazem o coração manchado de um pouco de mal? Que o orgulho não domina um pouco a aparência de bondade? Essas provas, com o mostrarem ao obsidiado a sua fraqueza, devem fazê-lo inclinar-se para a humildade. O mais poderoso meio de combater a influência dos maus Espíritos é aproximar-se o mais possível da natureza dos bons.
  3. A obsessão, que impede um médium de receber as comunicações que deseje, é sempre um sinal de indignidade da sua parte?
    Eu não disse que é um sinal de indignidade, mas que um obstáculo pode opor-se a certas comunicações.
  4. Assim, a impossibilidade de se comunicar com os bons espíritos seria uma espécie de punição?
    Em certos casos, pode ser uma verdadeira punição, como a possibilidade de se comunicar com eles é uma recompensa que deveis esforçar-vos por merecer. (Veja-se “Perda e suspensão da mediunidade”, item 220.)
  5. Não se pode também combater a influência dos maus Espíritos, moralizando-os?
    Sim, mas é o que não se faz e é o que não se deve descurar de fazer, porquanto, muitas vezes, isso constitui uma tarefa que vos é dada e que deveis desempenhar caridosa e religiosamente. Por meio de sábios conselhos, é possível induzi-los ao arrependimento e apressar-lhes o progresso.
  6. Como pode um homem ter, a esse respeito, mais influência do que a têm os próprios espíritos?
    Os espíritos perversos se aproximam antes dos homens que eles procuram atormentar, do que dos espíritos, dos quais se afastam o mais possível. Nessa aproximação dos humanos, quando encontram algum que os moralize, a princípio não o escutam e até se riem dele; depois, se aquele os sabe prender, acabam por se deixarem tocar. Os espíritos elevados só em nome de Deus lhes podem falar e isto os apavora.
  7. A subjugação corporal, levada a certo grau, poderá ter como consequência a loucura?
    Pode. Entre os que são tidos por loucos, muitos há que apenas são subjugados; eles precisariam de um tratamento moral, enquanto com os tratamentos corporais os tornamos verdadeiros loucos. Quando os médicos conhecerem bem o Espiritismo, saberão fazer essa distinção e curarão mais doentes do que com as duchas. (Item 221.)

Certa vez, contam que uma senhora foi levar ao Chico Xavier, grande médium, uma adolescente que queria desenvolver a mediunidade. Chico perguntou à senhora: “Quem lava-lhes os talheres e o prato após a refeição?”. A senhora disse que a filha não poderia lavar por causa das mãos delicadas. Chico responde “então ela não tem condições para desenvolver a mediunidade”. Não há outro caminho seguro, a não ser o aprimoramento moral.

Luz Estelar!

Publicado em Evangelho de Jesus

O Homem Jesus

Eu nunca consegui me interessar pelo Jesus das religiões, até conhecer o homem Jesus .

JesusHoje

“Como os teus olhos foram abertos? Ele respondeu: O homem chamado Jesus fez barro, aplicou em meu olhos e me disse: Vai ao [tanque de] Siloam e lava-te. Assim, depois de partir e me lavar, recobrei a visão.” João 9:11

Como tradicionalmente ocorre na minha cidade, estudei em uma escola da Igreja Católica. Realmente são escolas muito boas! Influenciada por uma avó católica, fiz a primeira comunhão, como todos os meus colegas. Neste momento, comecei a dar trabalho. Era um Frater bem velhinho o nosso professor, e ainda adolescente (12 anos), queria entender o que se passava comigo, visto que já vivia efeitos da mediunidade ostensiva desde sempre. A minha avó, respondia com toda paciência daquela época: “Alma não existe”, “Morreu e acabou tudo”, mas ela rezava para os Santos e eu questionava “Mas se eles morreram, eles não existem mais”, e ela, pacientemente respondia “Estes existem. Agora vai ali buscar um pente para mim”. Se naquele tempo, eu tivesse acesso aos Padres que hoje conheço e aos ensinamentos do Papa Francisco que hoje admiro tanto, não teria tanta revolta com as religiões como tive naquela época.

Então, concluí a primeira comunhão e ia para a missa todos os Domingos, por que era o certo a se fazer. Como tinha muitas perguntas, e era muito tímida para perguntar para alguém, eu me sentava na primeira fileira da Igreja e prestava atenção em tudo o que o Padre dizia. Um dia, eu ouvi que Deus estava lá no céu, com uma lança apontada para as nossas cabeças e, como toda atitude adolescente quando ouve apenas uma fala infeliz, eu me revoltei. “Estou aqui pedindo amor e encontro esse Deus com uma lança na minha cabeça. Tô fora!” Mais ainda, “se esse tal de Jesus é a representação dele, não me interessa”. Pronto, cresci assim!

A minha mãe já me influenciava com o espiritismo e eu li o primeiro romance espírita “A Vingança do Judeu”. Eu achei este livro “perdido” em uma estante da casa da minha mãe. O livro me arrebatou! Me emocionei muito… mas se falasse em Jesus, eu pulava estas partes.

Mais tarde, fui conhecer o Budismo, afinal lá não se fala em Jesus, nem Deus, visto que Buda é precursor de Jesus. Me senti muito confortada! Busquei a história do Príncipe Sidarta Gautama (Buda) para não correr o risco de ser “punida” e fiquei maravilhada com toda a sua trajetória [https://www.youtube.com/watch?v=-eEq9koFl3E]. Ele ensinou como é importante me libertar do sofrimento e me deu técnicas claras para tal. Aprendi a meditar e até ganhei uma imagem de um Buda lindo que abrimos o seu olho em uma cerimônia muito legal. No entanto, não conseguia me envolver com os rituais budistas, que são muito legais e ajudam muito, mas não conseguia ter empatia e eu tentei muito!!!

É fato que nunca deixei de ler os livros espíritas, pois a mediunidade sempre esteve presente e eu precisava entender os meus processos internos. Até que, pela dor, comecei a frequentar um centro espírita. Em uma das palestras que assisti, ouvi que Deus é sempre bom! Pensei: Sei! E o palestrante foi dizendo sobre a vida de Jesus. Pensei: Sério, esse cara fez isso tudo?

Pronto, foi o fio da meada para que eu pudesse iniciar uma trajetória de estudos sobre a Biografia de Jesus, sem os atavismos religiosos ou crenças limitantes. Descobri um homem que era puro amor e ao mesmo tempo revolucionário. Ele, na época da hierarquia e da disputa por poder, do olho por olho e dente por dente, ensinava o amor e, como fez com a multiplicação dos peixes, ensinou técnicas de trabalho em cooperativas. O seu grupo, longe de ser pobrezinhos, era um time… talvez até um embrião das técnicas ágeis de gestão (esse comentário vai para a minha equipe de trabalho).

A Galiléia era uma cidade aonde se iniciavam as revoltas contra o sistema. Jesus era um messias, mas em toda família nascia um messias. Isso por si só não o deixava grande. Ele discursava com adultos e jovens, ricos e pobres, homens e mulheres. Em seu time de discípulos havia uma mulher, grande líder, Maria Madalena. Isto em uma época em que a mulher era um objeto e não tinha posição na sociedade. Ele ensinou que se deve ser manso de espírito e ao mesmo tempo derrubou as bancas de cambistas na frente do templo, jogando tudo pelo chão. Ele dizia: Todos vocês são meus irmãos, em uma época em que o patriarquismo imperava. As pessoas diziam: Sou filho de Fulano e ele dizia: “nosso pai está no Céu”. Não é maravilhoso!

Ele curava a todos com a energia do seu amor, conexão direta com Deus, que ele andava em sintonia pura. No entanto, fazia isto aos sábados, quando era proibido, para mostrar que as obras são mais importantes que as palavras.

Como diz, Kardec, Jesus nada escreveu; entretanto, ajudado por alguns homens tão obscuros quanto ele, sua palavra bastou para regenerar o mundo; sua doutrina matou o paganismo onipotente e se tornou o facho da civilização. (KARDEC, Allan. A gênese. Cap. 15, item 63.)

Como dizem: encontrei Jesus. O homem que não foi mágico. Não ganhou superpoderes de Deus. O homem que é tão filho de Deus quanto eu. E, pelas suas atitudes, ele se agigantou diante de mim e acabou se tornando modelo e guia, caminho e verdade!

Tenho muitos amigos religiosos e muitos amigos da vertente anti-religião, que se dizem espiritualistas. Vejo que os dois grupos se fecham para o conhecimento pelas crenças limitantes. Vale a pena se abrir para o conhecimento e escolher um grupo religioso para o convívio, sabendo que é apenas uma instituição para nos apoiar e nos unir, e não para nos separarmos. Acredito que todos: Buda, Jesus, Francisco de Assis, Maria, João, Dalai Lama, todos… estão cuidando de todos nós e do planeta Terra!

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Aproveitando o ensejo, convido vocês a ler sobre a Biografia de Kardec e vocês vão descobrir um outro grande homem, que teve muita relevância histórica. Recomento: Kardec. A Biografia (Português), por Marcel Souto Maior. Vale a pena ler este livro, visto que Marcel não é espírita e ele apenas relatou fatos históricos, ou seja, sem atavismos religiosos.

Luz Estelar!

Publicado em Curas, Evangelho de Jesus

Sabedoria do Evangelho: A Cura do Cego de Nascença

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Imagem: Tanque de Siloam (Siloé).

João 9

Ao passar, viu um homem cego de nascença. E os seus discípulos o interrogaram, dizendo: Rabi, quem pecou (errou), este ou seus genitores, para que fosse gerado cego? Respondeu Jesus: Nem ele pecou (errou) nem seus genitores; mas para que fossem manifestadas nele as obras de Deus. É necessário realizarmos as obras daquele que me enviou, enquanto é dia; a noite vem, quando ninguém pode trabalhar. Enquanto estiver no mundo, sou luz do mundo. Ao dizer estas [coisas], cuspiu na terra, fez barro com a saliva, e aplicou o barro sobre os olhos dele. E disse-lhe: Vai, lava-te no tanque de Siloam, que interpretado é “Enviado”. Então, [ele] partiu, se lavou e voltou vendo. Então os vizinhos e aqueles que o viam, porque era pedinte, diziam: Não é este o que ficava sentado mendigando? Uns diziam: É este. Outros diziam: Não, mas é semelhante a ele. Ele mesmo, porém, dizia: Sou eu. Diziam-lhe, portanto: Como os teus olhos foram abertos? Ele respondeu: O homem chamado Jesus fez barro, aplicou em meu olhos e me disse: Vai ao [tanque de] Siloam e lava-te. Assim, depois de partir e me lavar, recobrei a visão. Disseram-lhe: Onde está ele? [Ele] diz: Não sei. [Eles] conduzem o que antes [fora] cego aos fariseus. E era sábado o dia em que Jesus fez o barro e lhe abriu os olhos. Novamente, então, também os fariseus lhe perguntaram como recobrara a visão. Ele lhes disse: Aplicou o barro sobre os meus olhos, lavei-me e estou vendo. Alguns dos fariseus, então, diziam: Este homem não está junto de Deus, porque não observa o sábado. Outros diziam: Como pode um homem pecador fazer tais sinais? E havia divisão entre eles. Assim, diziam novamente ao cego: O que tu dizes a respeito dele, já que abriu os teus olhos? Ele disse: É profeta. No tocante a ele, então, não creram os judeus que fora cego e recobrara a visão, até que chamaram os genitores daquele que recobrara a visão, e os interrogaram, dizendo: Este é o vosso filho, o qual vós dizeis ter sido gerado cego? Como está vendo agora, porém, não sabemos. Ou, quem lhe abriu os olhos nós não sabemos. Interrogai-o, tem idade, falará por si mesmo. Os genitores dele disseram isso porque estavam com medo dos judeus; pois os judeus já haviam acordado que se alguém o declarasse Cristo, se tornaria um excluído da sinagoga. Por isso, os genitores dele disseram: Tem idade, interrogai-o. Então, chamaram, pela segunda vez o homem que fora cego e lhe disseram: Dá glória a Deus. Nós sabemos que este homem é pecador. Então ele respondeu: Se é pecador não sei; uma [coisa] sei: Era cego e agora estou vendo. Disseram=lhe, pois: Que te fez? Como abriu os teus olhos? Respondeu-lhes: [Eu] já vos disse e não ouviste. Que quereis ouvir novamente? Porventura vós quereis tornar-vos discípulos dele? [Eles] o insultaram e disseram: Tu és discípulo dele, mas nós somos discípulos de Moisés. Nós sabemos que Deus falou a Moisés, não sabemos, porém, de onde este é. Em resposta, o homem lhes disse: Nisto, pois, está o maravilhoso, que vós não saibais donde [ele] é, e [ele] tenha aberto os meus olhos. Sabemos que Deus não ouve pecadores, mas se alguém é adorador de Deus e faz a sua vontade, a esse [ele] ouve. Desde sempre, não se ouviu que alguém tenha aberto os olhos de um cego de nascença. Se este homem não estivesse junto de Deus, não poderia fazer nada. Em resposta, disseram-lhe: Tu fostes gerado todo em pecado, e nos ensinas? E o expulsaram. Jesus ouviu que o haviam expulsado e, encontrando-o, lhe disse: Tu crês no filho do homem? Em resposta, ele disse: Quem é, Senhor, para que [eu] creia nele? Disse-lhe Jesus: [Já] o tens visto, e é aquele que fala contigo. ele disse: Creio, Senhor; e o reverenciou. E Jesus disse: Eu vim a este mundo para juízo, a fim de que os que não veem vejam e os que vêem se tornem cegos. Os que estavam com ele, dentre os fariseus, ouviram estas [coisas] e lhes disseram: Porventura também nós somos cegos? Disse-lhes Jesus: Se fôsseis cegos não teríeis pecado; agora, porém, que dizeis “vemos”, permanece o vosso pecado.

Sobre o termo Pecado Carlos Torres Pastorino [2] orienta: “Literalmente, ‘hamartia’ é ‘erro’ no sentido de ‘errar o alvo’ ou ‘desviar-se do caminho certo’, isto é, perder-se (no deserto, no mato), enganando-se de rumo (…)”. άµαρτιών (“hamartión”), relacionado a “hamartia”, significa erro em geral, não um pecado na acepção vigente da palavra.

Anotações

Todo estudo do evangelho é incompleto. Provavelmente, levaremos alguns milhares de anos para começarmos a poder dizer: hoje entendo completamente os ensinamentos de Jesus, visto que ele é grande demais em sabedoria. Assim, ressalto, tranquilamente, alguns pontos apenas.

Rabi, quem pecou (errou), este ou seus genitores, para que fosse gerado cego? Respondeu Jesus: Nem ele pecou (errou) nem seus genitores; mas para que fossem manifestadas nele as obras de Deus.

Há pontos importantes neste trecho do texto de João. Um deles é a crença vigente da época de um Deus punidor, no qual poderia atribuir doenças e sofrimentos por castigo.

“A ideia de que todo sofrimento era castigo estava generalizada nos povos antigos, e Plantão mesmo cita a comparação órfica de que o corpo é uma sepultura ou cárcere ou isolamento que a alma recebe como punição de seus erros anteriores quando não cá e lá no espaço, quando não agiu bem durante a vida.“ (3)

Nas leis de Moisés, anteriores ao Evangelho de Jesus, as escrituras eram dúbias quanto aos “castigos” em sua interpretação literal (3): Êxodo (20:5 e 34:7), em Números (14:18) e no Deuteronômio (5:9) afirma-se que Deus “visitará a iniquidade dos pais nos filhos sobre os terceiro e quartos”. O que era entendido na época como “os filhos pagam pelos pais”. No entanto, em Deuteronômio (24:16) está escrito: “Não se farão morrer os pais pelos filhos nem os filhos pelos pais: cada homem será morto pelos seus erros.

“Aquele que pecar é que morrerá. O filho não levará a culpa do pai, nem o pai levará a culpa do filho. A justiça do justo lhe será creditada, e a impiedade do ímpio lhe será cobrada.” Ezequiel 18:20 e em vários outros pontos.

A pergunta dos discípulos sobre quem errou “o cego ou os seus genitores”, além de reafirmar esta questão vigente sobre a punição Divina, nos confirma que a reencarnação era algo comum, visto que ele só poderia ter errado em vidas passadas, pois que era cego de nascença. E Jesus diz não ser nem resgate de vidas passadas, nem castigo pelos erros dos seus pais. Ele, explica que é uma prova do espírito para que ele possa avançar, conforme a ação de Deus e este é outro ponto importante deste trecho do texto de João. Pastorino ressalta que a interpretação de que Deus o fez cego apenas para que Jesus pudesse lhe operar um milagre é inconcebível e irracional. Concordo que não faz sentido um Deus que é puro amor o fazer cego por tanto tempo apenas para que se ocorra o fenômeno. Assim, “a vontade de Deus” passa a ser mais lógica ao ser interpretada como a lei Divina do progresso e da evolução. Ou seja, ele nasceu cego para que o seu espírito pudesse se depurar e esta enfermidade pudesse lhe ser escola para a sua própria evolução.

Segundo o espiritismo, as enfermidades se originam de diferentes causas: ações cometidas pelo doente em existências anteriores, relação com processos obsessivos e, igualmente, testemunhos que fazem parte das provações previstas no planejamento reencarnatório do Espírito. O caso do cego de nascença está inserido nesta última possibilidade.

Ao dizer estas [coisas], cuspiu na terra, fez barro com a saliva, e aplicou o barro sobre os olhos dele.

O Espiritismo esclarece que a energia magnética (6) pode operar modificações nas propriedades das substâncias materiais, “[…] donde o efeito curativo da ação magnética, convenientemente dirigida.” Sabe-se, hoje, que a ação de campos magnéticos promovidos por passes, Reiki e outras terapias de impostação de mãos são altamente curativas, por intervir diretamente na matéria.

Somados ao natural poder do magnetismo, a vontade e o coração puro cheio de intenção de cura são catalizadores de todo processo. Porém, como se há de explicar a ação material de tão sutil agente? […] A vontade é atributo essencial do Espírito, isto é, do ser pensante. Com o auxílio dessa alavanca, ele atua sobre a matéria elementar e, por uma ação consecutiva, reage sobre seus compostos, cujas propriedades íntimas vêm assim a ficar transformadas. Imagino a ação do campo magnético produzido por Jesus, ser de puro amor!

Assim, a cura do cego de nascença foi realizada em duas etapas (4): na primeira, Jesus desobstruiu as estruturas biológicas responsáveis pela visão que se encontravam adormecidas, parcialmente paralisadas, em razão do período de tempo sem uso. Fato semelhante aconteceu com Paulo, o apóstolo dos gentios, que ficou temporariamente cego porque “escamas” lhe bloquearam a visão. (Atos dos Apóstolos, 9:18). Jesus aplicou, então, uma ação magnética mais intensa (saliva e terra), nos olhos do cego para desbloquear-lhe a visão. O Mestre elaborou, na verdade, uma espécie de cataplasma com terra e saliva, de forma que os elementos curativos penetrassem lentamente nos olhos, sem traumas. Segundo Pastorino, a terra significava a carne, visto que viemos do pó, e o cuspe a centelha divina.

A etapa seguinte foi retirar o tampão ocular nas águas límpidas do poço de Siloé, uma das principais fontes de suprimento líquido de Jerusalém. O poço estava situado na direção leste-sudeste da cidade e era alimentado por um canal (chamado “enviado” ou “enviador”) de águas subterrâneas, vindas do lençol freático. Nos tempos do Novo Testamento, este poço era usado para abrigar pessoas enfermas nas suas cercanias. É possível que a procura dos doentes pelo poço estivesse relacionada às propriedades medicinais de suas águas, da mesma forma que procuramos benefícios nas estâncias hidrotermais ou hidrominerais.

Ainda há que se ponderar o simbolismo de se lavar em águas. O batismo em águas era símbolo de renascimento. Fato este reforçado pelo questionamento dos vizinhos se era ele mesmo ou outro. Era outro e, como diz o próprio cego, era ele mesmo.

“Uns diziam: É este. Outros diziam: Não, mas é semelhante a ele. Ele mesmo, porém, dizia: Sou eu.”

É oportuno lembrar que a cura só se efetiva no corpo físico se a intervenção magnética atuar no perispírito. O Espírito André Luiz elucida: “Atuando nos centros do perispírito, por vezes efetuamos alterações profundas na saúde dos pacientes, alterações essas que se fixam no corpo somático, de maneira gradativa.” (5)

E Jesus disse: Eu vim a este mundo para juízo, a fim de que os que não veem vejam e os que vêem se tornem cegos.

Os que não vêem, os que são cegos, tornam-se videntes, iluminados pelo Cristo. Por outro lado, aqueles que julgam ver, com a fraca luminosidade do intelecto, vaidosa e oca esses tornam-se cegos. (3) Em outras palavras, os que não humildes e, ainda que são sábios, reconhecem sua ignorância e anseiam pelo Espírito, são iluminados pela luz interior (agem enquanto é dia) e passam a ver tudo pelo prisma da verdadeira sabedoria. Mas aqueles que só vêem as coisas materiais e por isso se julgam videntes, esses diante do Espírito se tornam cegos, e passam a não perceber mais nada. O Cego se apresentou iluminado, procurando demonstrar com fatos, mesmo diante de hostis, a verdade que experimentou.

“Se é pecador não sei; uma [coisa] sei: Era cego e agora estou vendo.“

Firme de sua experiência vivida, ele não se deixa abater nem intimidar. Este, passou a ver com clareza, já os verdadeiros cegos do espírito o amedronta com ameaças.

Luz Estelar!

Referências

  1. O Novo Testamento – Tradução de Haroldo Dutra Dias
  2. Estudos aprofundados da Doutrina Espírita – Livro III: Ensinos e Parábolas de Jesus – Parte 2
  3. Pastorino, Carlos Torres. Sabedoria do Evangelho, Volume V.
  4. Bíblia do Caminho – Estudos Espíritas (http://bibliadocaminho.com/ocaminho/tematica/EE/Estudos/EadeP1T2P2.4.4.htm#Ref3)
  5. XAVIER, Francisco Cândido. Entre a terra e o céu. Pelo Espírito André Luiz. 24. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2007. Capítulo 5 (Valiosos apontamentos), p. 39.
  6. O Livro dos Médiuns. Tradução de Guillon Ribeiro. 80. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2007. Segunda parte, Capítulo 8, item 131, p. 180.