Publicado em autoconhecimento

Qual o seu papel diante da crise?

Há um senso comum, uma fala que reverbera em nossos corações em que todos afirmam e reafirmam que estamos em crise. Convido você a refletir sobre este momento tão especial em que vivemos.
Antes de aprofundar sobre o tema da crise, vamos conceituá-la, para termos certeza de um alinhamento do nosso diálogo. Aqui, usarei o conceito trazido por Gramich para definir crise.
Temos uma crise quando o velho insepulto já não dirige os vivos e o novo ainda não se explicitou, não se qualificando, portanto, para orientar o presente.
Para Gramich, a crise se estabelece quando o velho não serve mais e o novo ainda não se estabeleceu. Ou seja, quando se vive em um momento de transição e passa a ser necessário se requalificar o novo. No espiritismo, religião que abracei na minha vida, há a teoria da transição planetária. Segundo estudos, estamos em uma fase na qual o planeta Terra deixa de ser um planeta de provas e expiações e passa a ser um planeta de regeneração. Ou seja, neste novo mundo não há mais expiações e sim provas e crescimento. Convido os meus colegas de crença para refletir e me ajudar a concretizar na prática, como seria viver em um mundo de regeneração? Estou falando na prática mesmo: vamos acordar e dar bom dia para todos? Teremos uma família? Terei vizinhos e muros nos separando? Na verdade, ninguém sabe, pois este novo cenário ainda não foi criado para nós.
Imagino que tenham pessoas que não compartilham desta crença da transição planetária do espiritismo, por este motivo, não vou me pautar nesta teoria para justificar o momento de transição em que vivemos, visto que não é preciso. Vou apenas me basear em fatos reais.
Observem que em todos os campos da nossa vida encontramos transição e, portanto, crise. Você prestou atenção que eu disse todos? Sim, todos os campos.
Vejamos no campo familiar, por exemplo. O antigo conceito de família não serve mais e novo ainda não se estabeleceu. Temos mães solteiras, avós de netos de um casamento anterior, crianças com duas mães ou dois pais, enfim, uma enormidade de variações que ainda não sabemos lidar. A educação das crianças que antes era apenas pelo olhar, agora tem que ser reinventada. Ou seja, a família precisa ser atualizada, mas para qual novo modelo? O novo ainda não foi concebido plenamente, estamos criando. Seguindo esta mesma linha de pensamento. Olhem a nossa política. A velha política não serve mais, mas qual é a nova?
Da mesma forma, não queremos mais o antigo modelo econômico, trabalhista e social. Até os nossos corpos estão rejeitando a proteína animal? Como preparar uma ceia de Natal vegana? Oi??? Estão preparados? E a nossa relação com o corpo? Academias, Cross Fit, Funcional…
Conforme observamos no nosso dia a dia, a crise se estabeleceu em todos os campos da nossa vida e este é um dos motivos que nos leva a estarmos tão ansiosos por não saber o que esperar do futuro e tão deprimidos por não conseguirmos nos desapegar do passado que não nos cabe mais. A saúde grita por estabilidade. A mente procura um sentido neste vácuo de padrões. Muitos suicídios e isolamentos nos assombram todos os dias.
Há tanto para construir que dá até uma pontinha de desespero, não é?
Agora vamos parar de mi mi mi.

Estamos, por algum motivo, inseridos neste cenário louco e vazio, né? E aí? Você já parou para pensar que nos foi dada a tarefa de construir este novo? O nosso papel não é de ficarmos lamentando que o mundo está isso ou aquilo e sim de fazer brotar o novo. Uma nova política, uma nova família, uma nova forma de se relacionar, novos relacionamentos internacionais, tudo precisa ser construído e o que você está fazendo aí parado nesse sofá?

Você deve estar se perguntando: “ok, mas por onde começar?” Ah, meu amigo, tenho uma resposta na ponta da língua: “Há tanto para se construir que você pode até escolher, mas não tente se apoiar no velho, pois é hora de se fazer brotar o novo.”

Bom, sabemos que a nossa tarefa não é tão fácil assim, visto que o novo não vai poder se pautar nos pilares do velho, porque há tanta desconstrução que teríamos uma base muito pouco sólida. O velho é sempre uma referência para o novo, mas nunca se distanciou tanto desse velho como agora. Apenas para os empolgados de plantão, ressalto que não estou falando em salvar o leão marinho ou a geleira dos polos, estou falando do nosso dia a dia. Sabe, aquele próximo bem próximo? Quando mudamos a nós mesmo, mudamos todos ao nosso redor, que por sua vez mudam todos ao redor deles, e assim por diante. Ou seja, mudar a si mesmo é o movimento mais efetivo de mudar o mundo.
Simplificando as coisas, vamos analisar na perspectiva da roseira para ficar mais claro. Pense bem, uma roseira não é chamada de árvore de espinhos apesar de ter muito mais espinhos do que rosas. Acontece um fenômeno lindo com a roseira, porque basta brotar uma rosa apenas para que todos se esqueçam completamente da enormidade de espinhos. Viu, basta mudar o foco! Na criação do novo há que se fazer brotar rosas no meio dos espinhos. Os espinhos não importam, ficarão obscurecidos diante da beleza da rosa.
“(…) o amor cobrirá a multidão de pecados.” Pedro 4:8
Vamos tornar tudo prático, para que não tenhamos dúvidas. Vou contar casos em que a pessoa fez este trabalho, ou seja, criou o novo e fez brotar uma rosa.
A Maria (nome fictício/história real) estava em profunda depressão. Maria tem 17 anos e vive em conflito com os pais em vários contextos. Maria pensava em suicidar, não via mais sentido na vida. Seus pais estavam preocupados, mas havia tanto distanciamento que eles não sabiam mais o que fazer. Um dia Maria abriu os olhos em seu quarto e pensou: “como aqui está bagunçado”. Ela resolveu arrumá-lo, mas não de um jeito comum, ela resolveu buscar um vídeo que ela já tinha visto sobre Feng Shui (arte de organização energética da casa). Ela colocou em prática no seu quarto. Então, a noite, na cozinha da sua casa, ela mostrou o vídeo para os seus pais. Apesar da descrença, eles resolvem abraçar a causa por verem que a filha querida estava saindo da cama. Então, todos se mobilizam todas as noites para conversar sobre mudanças na casa e por este caminho, o relacionamento familiar foi recriado. Entenderam? Os espinhos continuam lá. Eles ainda tem conflitos, problemas e desavenças, mas a rosa brotou e a família passou a ficar absorta pela rosa.
Um outro caso, o João (nome fictício/história real) é um pai de duas lindas crianças. Todos os dias ele chegava em casa a noite e se colocava diante da TV para assistir o Jornal Nacional. Ele percebeu que a sua esposa ficava com as filhas naquele momento e que ele estava vendo um resumo de tudo o que ele já tinha visto no dia e essas foram palavras dele. Ele então tomou uma decisão, não iria mais ver a TV e passaria a colocar uma música ambiente naquele horário, por volta das 20 horas. Sabe o que aconteceu? A família passou a se relacionar naquele horário e a rosa que ele fez brotar, transcendeu. As pessoas agora conversam. Legal, né? Não digo que você deve deixar ou não a TV, nada disso. O exemplo é para motivá-los a pensar no seu contexto e fazer as transformações que possam ser uma luz na escuridão.
Trouxe aqui casos da convivência familiar que são tão simples e tão transformadores.

Outro exemplo interessante é o movimento Cão Comunitário de Curitiba. Moradores de um bairro de Curitiba fizeram um movimento para cuidar dos cachorros da rua. Os cachorros são vacinados, tem camas, comidas e não são mais da rua e sim de cada um do bairro. Outro exemplo simples e transformador.

Cães dormindo em caminhas de pneus em Curitiba

Bom, agora a força está com você.
Como você vai fazer brotar a rosa?

Luz Estelar!

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O despertar – Filho Pródigo, a Jornada do Herói e a Árvore da Vida da Cabala Judaica

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A parábola do Filho Pródigo representa a nossa jornada da vida. Este mesmo roteiro foi divinamente representado nos filmes da Disney e em outros tantos.

Ao participar de um estudo conduzido pelo amigo Adelson, sobre a parábola do Filho Pródigo, no GEMFR, uma conclusão foi arrebatadora em minha mente. Jesus realmente foi incrível, pena que muitas pessoas ainda ficam tão presas em sua “morte” que esquecem o quão rica foi a sua vida. Ele, com uma historinha bem simples, nos trouxe uma representação da nossa jornada no caminho da evolução. Em resumo, visto que a parábola completa pode ser encontrada em Lucas 15:11-32, a história contada por Jesus é a seguinte:

Um homem tinha dois filhos. O mais novo pediu a sua parte da herança e partiu para o mundo afora. Ele viveu de forma irresponsável, gastando todos os bens. Passou necessidades e sofreu muito. Então, ele resolveu voltar para a casa do pai e não esperava ser recebido novamente como filho, por não se achar digno. O pai o recebeu com uma grande festa. O filho mais velho reclamou, ficou inciumado (inciumado é interpretação minha, tá?) e o pai disse: Nós tínhamos que comemorar e nos alegrar, porque este seu irmão estava morto e voltou à vida, estava perdido e foi achado.

Depois de passar toda a minha vida do lado do irmão mais velho, pensando que o pai foi injusto, vem o estudo do Adelson e muda tudo. Quem é o filho pródigo senão nós mesmos, que fomos criados por Deus como puros e perfeitos, e fomos nos perdendo pelo caminho? Nos distraímos sendo pessoas que não somos, até nos despertarmos e resolvermos caminhar de volta para a casa do pai, ou seja, a nossa verdadeira essência. Me ocorreu que não somos essa versão com vícios, impacientes, com raiva ou chatos, em essência somos puros e perfeitos, e cada vez que nos libertamos desta personalidade que vestimos, damos passos seguros para o retorno à casa do pai.
A casa do pai pode ser o Reino de Deus dos Cristãos, a iluminação dos Budistas ou a unidade do ser dos Hinduístas. Ela é o despertar para a nossa essência, quem somos e não quem estamos sendo agora.
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Jesus é tão incrivelmente sábio e amoroso, que ele explicou complexos temas em uma historinha simples. Nela está representada a espiral do conhecimento, aonde você primeiro tem o conhecimento, depois descobre o vazio e aí sim, abre espaço para novos conhecimentos. Esta história também representa a jornada do Herói, que veio a inspirar vários filmes famosos.

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Vou citar alguns filmes que seguiram o roteiro da jornada do herói: Shrek, Star Wars, O Senhor dos Anéis, Mágico de Oz, Clube da Luta, Procurando Nemo, Karatê Kid e muitos outros. O personagem inicia a sua jornada saindo do mundo comum. Depois de algumas condições impostas por ele mesmo, resolve seguir para uma jornada no qual ele passa por muitas provas que o transforma. Então ele reinicia o caminho de volta, transformado, para ter um final no mesmo lugar de onde começou, só que agora ele é um ser desperto. Hummm… não seria esta a jornada do filho pródigo?
Lembra que o filme do Shrek tem início com a rotina comum no pântano. Então ele vai para uma jornada e retorna coma Fiona para o mesmo pântano. Esta mesma jornada está explicitada na Árvore da Vida da Cabala Judaica aonde o início e o fim estão no mesmo local. O mesmo ser que começa, após uma jornada de transformações, chega ao mesmo lugar transformado.
O filme da Disney que mais me fez pensar sobre esta jornada foi a Bela Adormecida. Eu mudaria o nome para “O Despertar”.
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Vou contar a história de forma a representá-la dentro da parábola do filho pródigo, jornada do herói ou árvore da vida. Veja bem:
Uma princesa sai de seu castelo aonde vivia com o Rei (oh, a casa do pai aí). Então ela sofre uma maldição e vai morar adormecida em um castelo e perde anos e anos da sua vida, eu já disse que ela estava adormecida? Isso é o máximo! Lá, ela é cuidada por um dragão que vive em cima de um tesouro material (ouro e jóias). O dragão, nesta interpretação, representa o ego, aquele que tem completo apego as riquezas materiais (enfim, o dragão não vai comprar nada com aquele dinheiro todo, ele tem por apego mesmo). Então, aparece um príncipe, cheio de coragem, e mata o dragão. Humm… para matar o nosso ego é precisa de muita coragem mesmo, né? O príncipe “desperta” a princesa. Preciso falar do quão significativo é esse despertar? Bom, eles vão viver no castelo. É, aquele mesmo do início, só que eles foram transformados pelo despertar.
Vocês poderiam imaginar que a história da Bela Adormecida é uma remontagem da história do filho Pródigo? Jesus deveria cobrar os direitos de propriedade 😉
Agora vamos pensar em nossas vidas. Cada vez que você se distancia da casa do pai a jornada vai sendo mais sofrida. Em termos práticos, o distanciamento da nossa essência, como seres puros e perfeitos, representa todas as vezes que você se entrega aos maus hábitos e vícios, todas as vezes que você se consome pelas delusões como a raiva, o apego, a inveja e outras formas de aflições mentais. Cada vez que nos libertamos destas delusões, nos libertamos do sofrimento para nos despertarmos e iniciarmos o retorno à nossa morada.
Jesus disse:

“Bem-aventurados os pobres de espírito, pois deles é o Reino de Deus.”
Ele ainda completa falando do quão serão bem recebidos aqueles que sofrem, sentem fome e outras provas. Sempre li e refleti sobre os “pobres de espírito” e, certamente, Jesus não falava de riquezas materiais, tampouco ele queria que sofrêssemos, visto que Ele é puro amor. Hoje me soa bem a interpretação de que Ele nos espera em festa na casa do pai, nós que nos perdemos como filhos pródigos, um dia nos despertaremos e seremos recebidos em grande festa.
É maravilhoso podermos enfrentar esta jornada contando com os amigos, família e amores. Gostaram desta reflexão?

Luz Estelar!

Publicado em Espiritismo

Vícios Químicos – Uma visão espiritual

Vocês já ouviram alguém ao tomar uma cachaça dizer “uma para mim e outra para o santo”? A minha avó, já dizia “todo bêbado tem anjo da guarda forte”. Somente mais tarde, após estudos do espiritismo, fui entender esses jargões populares.

Ressalvas importantes

Eu aprendi que a verdade de cada um é construída com a sua própria história, conhecimentos adquiridos e vivências. Considero que tentar te convencer de uma nova verdade é um grande desrespeito com toda a sua construção da sua verdade. Assim, para entender este artigo, há que existir dentro da sua verdade ao menos uma brecha para o entendimento da vida eterna, ou seja, que há apenas uma vida e que, por enquanto, estamos vivendo uma experiência na Terra. Se você não considera esta possibilidade, talvez este artigo não lhe faça sentido. No entanto, se você considera a possibilidade da vida eterna, é possível que você veja muita lógica neste estudo.
De forma complementar, recomendo a leitura do artigo A cura pela observação dos vícios

O vício químico

Para explicar melhor, vou utilizar um personagem neste estudo: João (nome fictício).
O João é um homem bom, não deseja o mal de ninguém. Ele nasceu em uma família humilde e precisou trabalhar cedo. Ele passou por muitas dificuldades e via conforto em tomar uma cervejinha de vez em quando. João se casou, teve filhos e se viu preso em um casamento nada harmonioso. Voltar para casa depois do trabalho era um grande sofrimento. Então ele passava naquele bar e tomava uma dose de cachaça. As doses foram aumentando com o tempo e João sentia mais e mais vontade de tomar “só mais uma” antes de ir para casa. Ele passou a não se ver mais sem o álcool, não se conhecia mais sóbrio. Um belo dia, João desencarna (falece, se desprende da carne) e as circunstâncias deste acontecimento não importam muito para este estudo.
Lembra que eu disse que era importante para este estudo considerar a vida eterna? Pois bem, o mesmo João que viveu a história inventada aqui é o João do plano espiritual. No plano espiritual, depois de um difícil desenlace do corpo físico, João percebe que o espirito carrega as mesmas manias, vícios e pensamentos. João entende que já desencarnou (saiu da carne física), mas sente fome, frio e muita vontade de beber uma cachaça.
“Muitos de nossos irmãos, que já se desvencilharam do vaso carnal, se apegam com tamanho desvario às sensações da experiência física, que se cosem àqueles nossos amigos terrestres temporariamente desequilibrados nos desagradáveis costumes por que se deixam influenciar. “[3]
Em espírito, João vai ao bar e pede uma cachaça, mas ninguém o escuta. Ele se desespera e pede mais uma vez, agora falando aos gritos “Me serve uma aí!” e curioso, um rapaz encarnado repete a sua fala ao mesmo tempo, como se fosse um “robô”. João se aproxima de Carlos (outro nome fictício) feliz e impressionado com este fenômeno. Carlos bebe aquele dose de cachaça e se sente estranho, nunca tinha gostado tanto de cachaça, ele preferia cerveja. Ao beber a dose, João absorve todo a energia do álcool emanada pelo Carlos e sente seu vício satisfeito.

“Estaríamos diante de um homem embriagado ou de uma taça viva, cujo conteúdo sorviam gênios satânicos do vicio?” [1]
Chico Xavier, Livro no Mundo Maior, Capítulo 14.

Naquele momento, João vê em Carlos uma oportunidade de saciar o seu desejo pelo álcool. João passa a acompanhar Carlos no seu dia a dia e, em sintonia, sempre o convida para tomar só mais uma dose.

“(Sobre uma visita a um bar, André Luiz relata) As emanações do ambiente produziam em nós indefinível mal-estar. Junto de fumantes e bebedores inveterados, criaturas desencarnadas de triste feição se demoravam expectantes. Algumas sorviam as baforadas de fumo arremessadas ao ar, ainda aquecidas pelo calor dos pulmões que as expulsavam, nisso encontrando alegria e alimento. Outros aspiravam os ares dos alcoólatras.” [3]
Observando o ambiente do bar, João precisa se acotovelar para “proteger” Carlos. Há outros sofredores que desejam dividir estas emanações do álcool desprendidas pelo seu pupilo.

O processo da obsessão

A obsessão é uma via de mão dupla em que o obsessor e o obsidiado entra em sintonia e passam a viver em comunhão. Para o dicionário Houaiss, obcecar é tornar cedo, cegar; privar do discernimento; perturbar; fazer perder a razão; e é exatamente isto que o João passa a fazer na vida de Carlos. Cabe ao Carlos o papel de justificar que é apenas um copo e que não faz mal e ao João um estímulo ao álcool em benefício próprio. Ou seja, não há um obsessor que vá produzir um vício ou pensamentos que não estejam em sintonia com o obsidiado. Assim, João apenas reforça e estimula algo que já existe em Carlos.
“Todo viciado é um obsidiado em potencial. (…) Na comunhão obsessiva o Espírito colhe as sensações do viciado.” [2]

Nesta nossa história, Carlos passa a ter um “protetor”. Coloquei entre aspas a palavra protetor para ressaltar que o beneficiado aqui não é o Carlos e sim o João.

“(no processo da obsessão) Encarnados e desencarnados se prendem uns aos outros, sob vigorosa fascinação mútua, até que o centro de vida mental se lhes altere.” [3]
O João precisa de Carlos para manutenção do seu vício e ele não vai deixar com que lhe atrapalhem. Carlos chega em casa todas as noites muito alcoolizado, “foi o anjo da guarda que te trouxe aqui”, dizem a família preocupada. Carlos tem amigos que tentam demovê-lo do vício do álcool. Eles mostram o sofrimento a sua família e a possível perda do emprego. O que eles não sabem é que Carlos não tem forças e não quer sair do vício e que João reforça todos os dias esse desejo, além de afastar os amigos que não comungam com os seus propósitos. E eles seguem assim, acoplados em seus desejos. Vejam, amigos, que não coloco nenhum dos dois como vítimas aqui. Há um interesse mútuo, uma sintonia.

Como sair dessa

Um belo dia, Carlos chega ao trabalho ainda emanando cheiros da bebedeira de ontem. Mais um dia improdutivo, pensou o seu chefe. Ao final do expediente, Carlos foi demitido. Ele entra em desespero completo. Ele sabe que a sua família passará por mais dificuldades, talvez até fome. Ele anda pelas ruas atordoado e João o acompanha condoído. Carlos pensa que não pode mais seguir nessa vida das bebidas, mas está completamente viciado e não sabe como agir. Ele olha para o céu e diz: meu Deus, me ajuda a encontrar um caminho.
Na volta para casa, ele passa por um caminho diferente e vê um centro espírita (caberia aqui uma igreja, uma Ong. de trabalhos voluntários, um centro budista, uma academia de Yoga, ou qualquer outro grupo que lhe mude a faixa de vibração). Carlos pensa, nunca tinha visto um centro espírita aqui, vou entrar para pedir uma orientação.
No centro espírita, Carlos se depara com uma palestra que fala do caminho do bem, na vibração do amor de Jesus. João, que estava acompanhando Carlos se emociona com as palavras e pensa que também precisa mudar de vida. Uma entidade trabalhadora da casa se faz visível ao João e lhe estende a mão. Há muito tempo ele não sentia tanto amor, se comove e aceita a ajuda. Carlos toma um passe e se sente revigorado. Agora é hora de buscar ajuda de verdade e tentar refazer a sua vida, pensa ele.
Tomara que Carlos se liberte de uma vez destes vícios, para que ele não precise assumir o papel do João em seu desencarne.
Amo finais felizes. E você?

Considerações

Toda vez que eu beber estarei sendo obsidiado?
Não, apenas se você entrar na sintonia de alguma alma sofredora que possa estar próximo. Para estar “blindado” você precisa estar vibrando no amor, ter bons pensamentos e não ter brechas para que algum sofrimento em você sintonize com os sofrimentos daquele irmão sofredor. A situação explicada cabe também para os remédios para dormir e outras drogas.
Apenas com tratamento espiritual é possível cortar os vícios?
Não, há que se tratar também o vício químico e é importante a força de vontade do viciado. Este artigo se restringe apenas a em apresentar as questões espirituais do vício, mas há questões psicológicas e químicas que precisam ser consideradas. No entanto, é sempre útil nos casos dos vícios químicos, ter algum tratamento espiritual associado.
Na Umbanda, alguns médiuns usam da bebida e do cigarro, nestes casos há este quadro relatado?
Algumas entidades da Umbanda utilizam as emanações do álcool e do cigarro para obter ectoplasma (fluidos, matéria da terra) necessário para fazer curas e desfazer miasmas (energias geradas por pensamentos). Eu já ouvi uma palestra de uma entidade da Umbanda que dizia que atualmente eles não precisam mais disso, visto que já aprenderam a buscar essa matéria da natureza e da prece, mas que algumas pessoas que frequentam o local ainda precisam ver o cigarro ou a bebida para acreditar na cura. Também já ouvi de uma outra entidade que não precisa de velas ou bebidas para fazer trabalhos de cura, visto que um abraço cura tudo. Outras entidades ainda utilizam deste fluidos para tratamentos. Sobre os fluidos recomendo a leitura da Gênesis de Kardec, capítulo XIV. Existem outras considerações sobre a Umbanda que são importantes, vale a pena estudar mais.
Mediunidade e álcool
Os médiuns, principalmente os médiuns de efeito físico (mediunidade de cura é um tipo de efeito físico), desprendem o ectoplasma com muito mais facilidade do que aquele não possui a mediunidade desenvolva. Ressalto que todos nós desprendemos tais emanações, mais os médiuns o fazem com mais intensidade. Assim, os espíritos obsessores preferem os médiuns por tirarem maior proveito das emanações. Além disso, no transe mediúnico, há relaxamentos que são muito semelhantes aos produzidos pela embriaguez das drogas. É bem comum, um médium de incorporação dar passividade ao beber por abrir estes caminhos, se libertando dos controles imprescindíveis aos médiuns. Acredite, em um boteco as probabilidades de uma incorporação de um espírito iluminado são muito baixas. Melhor evitar!

Referências

1 – Livro No Mundo Maior. Francisco Cândido Xavier por André Luiz.
2 – Livro Não pise na bola. Richard Simonetti
3 – Livro Nos Domínios da Mediunidade. Francisco Cândido Xavier por André Luiz.

Publicado em Curas

Arrepios pelo corpo e as curas do magnetismo

Eu cheguei naquela festa e senti um arrepio. Olha só os pelos do meu braço, ficaram arrepiados só em falar daquela situação. Este ambiente me arrepia e me deixa sem energia. Essa oração me faz arrepiar. O que são os arrepios pelo corpo? Como explicar este fenômeno? A física quântica explica.

Conceitos

Primeiramente, vamos alinhar alguns conceitos importantes. Ressalto que tento trazer aqui um jargão simplificado, para que possa alcançar a todos os públicos. Assim, peço licença aos físicos de plantão para esta singela, mas extremamente importante, explicação.

Física Quântica é um ramo da ciência que estuda todos os fenômenos que acontecem com as partículas atômicas e subatômicas, ou seja, que são iguais ou menores que os átomos, como os elétrons, os prótons, as moléculas e os fótons, por exemplo.
Oscilação é quando o movimento de um corpo descreve uma trajetória e a partir de certo momento começa a repeti-la. Ela é melhor explicada se observarmos o funcionamento de um pêndulo. O pêndulo percorre sempre o mesmo caminho, conforme demonstrado na figura, ao repetir a mesma trajetória de A ate B, dizemos que ele realiza uma oscilação
Frequência é o número de oscilações por segundo. Quanto maior a frequência, mais alta é ela; quanto menor, mais baixa. Então, por exemplo, se executar 10 oscilações em um segundo, a frequência é baixa; se realizar 10.000 oscilações em um segundo, a frequência é alta.
Uma corrente elétrica é produzida com a condução de partículas de elétrons por um condutor, gerando um campo magnético, como se fosse um ímã. Quanto maior a intensidade de uma corrente elétrica, maior é campo magnético por ela gerado.
Agora que alinhamos alguns conceitos importantes, vamos trazer estes conceitos para o corpo humano. Primeiro há que se explicar que o nosso pensamento produz impulsos nervosos que se propagam através dos neurônios tem origem elétrica e resulta de alterações nas cargas elétricas das superfícies externa e interna da membrana celular.

“Segundo Brito e Junior (5), o laboratório de Nicolelis, na Duke University, ganhou destaque internacional em 2003 ao fazer um macaco mover os braços de um robô apenas com o pensamento, alimentando os impulsos elétricos do cérebro do macaco a um computador ligado aos braços robóticos.”
O impulso elétrico é fundamental para garantir a comunicação entre essas células nervosas. Ou seja, cada pensamento, cada emoção, cada suspiro, produz correntes elétricas com diferentes frequências vibratórias em nosso organismo. Outros órgãos também produzem impulsos elétricos, mas não vamos tratá-los aqui. E se você está surpreso em se imaginar como um grande condutor elétrico, e acha que isto é uma grande novidade, fique sabendo que se trata de uma descoberta antiga. Os primeiros estudos acadêmicos sobre o magnetismo do corpo humano, denominado como magnetismo animal (pela necessidade de diferenciá-lo do mineral), foi produzido e documentado em uma dissertação de doutorado em 1760, pelo médico alemão Frans Anton Mesmer, na Suádia. Depois disso, vários cientistas, inclusive o Allan Kardec, vieram apresentando trabalhos sobre o magnetismo animal desenvolvendo e aprimorando o conhecido “mesmerismo”. O exame da ressonância magnética, por exemplo, foi concebido à partir do conceito de que as moléculas do nosso organismo produzem pequenos campos magnéticos.

Os arrepios

Você já brincou com um gerador de Van de Graaf? Aquele que você coloca a mão e os cabelos se arrepiam.

Bom, podemos imaginar a nossa energia circulando envolto de um campo magnético, formado pela nossa própria frequência que pode ser alta ou baixa, conforme explicado anteriormente. Quando entramos em contato com o campo magnético de uma outra pessoa, animal, planta ou ambiente, podemos receber elétrons ou doar elétrons. Quando essa troca energética ocorre de forma brusca, nós sentimos no nosso corpo físico o arrepio. É como se fosse a descarga rápida de uma energia. Ressalto que existem outros tipos de arrepios que funcionam na mesma lógica: quando estamos com o corpo quente e um vento frio bate, temos uma quebra de tensão, de temperatura, e o arrepio mostra isso e logo se regula a temperatura corpórea. Quando estamos tensos e recebemos uma massagem, podemos arrepiar, porque a energia tensa do nosso corpo é quebrada dando lugar a uma energia mais calma, daí vem o arrepio.

Neste artigo, dei ênfase ao arrepio provocado pela troca energética por que esta informação é extremamente útil no nosso dia a dia. Saibam que um arrepio provocado pela troca de elétrons pode ser bom ou ruim para você, depende.

A troca de elétrons

O conhecimento do fenômeno da troca de elétrons é extremamente útil para o nosso dia a dia. Para descrever melhor o raciocínio acerca do tema vou incluir aqui mais um conceito importante, a carga elétrica. Neste contexto, quando conseguimos colocar mais elétrons no corpo, dizemos que o corpo está “carregado positivamente”. Quando, ao contrário, há carência ou falta de elétrons, dizemos que está “carregado negativamente”. Este efeito pode ser verificado facilmente se encostarmos um pente, ou uma caneta a pedacinhos de papel, nada acontece: o pente e a caneta estão “descarregados”. Mas se esfregarmos o pente ou a caneta num pedaço de lã ou flanela, e os aproximarmos dos pedacinhos de papel, veremos que estes pulam e aderem à caneta ou ao pente: então dizemos que estão “carregados”.
O nosso corpo humano precisa da eletricidade estática, um superávit de elétrons, visto que ele consiste num eletrólito (isto é, 66% dele é solução salina que contém e conduz elétrons: essa solução salina tem o nome de “soro fisiológico”) e para a manutenção do corpo humano saudável é importante que ele esteja equilibrado quanto ao número de elétrons. Quando estes se escoam (por exemplo, pelos pés molhados ou pela perda de elétrons para pessoas ou ambientes) o corpo se torna “deficiente” de elétrons, e surgem as doenças como reumatismo, nefrite, flebite, catarros, etc., etc., pelas exaltações de germens.
“As enfermidades exprimem falta de elétrons; a saúde, é o equilíbrio; o excesso de vitalidade é um “superávit” de elétrons.” (3)
Manter o corpo com superávit de elétrons é uma tarefa bem importante para a nossa saúde. Se você não está bem energeticamente, é bom evitar locais ou pessoas que “tiram” elétrons de você. Geralmente são pessoas que estão vibrando na energia contrária ao amor, ou seja, na energia fora da caridade, no egoismo, na inveja, no ciúme e na negatividade. Existe uma outra forma de se proteger e para isso vou lhes ensinar uma técnica simples e eficiente para “fechar o corpo”: mantenha seus pensamentos no amor, sua vibração será sempre alta e seu campo magnético estará sempre fortalecido, atraindo somente positividade. Ou seja, você estará sempre “carregado positivamente”. Pastorino (3) afirma que cada cérebro pode emitir vibrações na freqüência alta ou baixa, de acordo com o teor dos pensamentos mais constantes. O amor vibra em alta freqüência; o ódio, em baixa freqüência. São pólos opostos. Quanto mais elevados os pensamentos, em amor, mais alta a freqüência alcançada e maior o campo magnético gerado.
“O que eleva a freqüência vibratória do pensamento (vímo-lo) é o amor desinteressado; abaixa as vibrações tudo o que seja contrario ao amor: raiva, ressentimento, mágoa, tristeza, indiferença, egoísmo, vaidade, enfim qualquer coisa que exprima separação e isolamento.” (3)

Desta forma, com pensamentos voltados para o amor você uma frequência vibracional alta, e o seu campo magnético estará fortalecido. Além disso, o seu campo magnético forte poderá influenciar positivamente as pessoas, plantas e animais ao seu redor, que serão “tratados” por indução. Já ouviu falar que você precisa manter a mente positiva para atrair coisas boas e para ter saúde. Ainda, já teve contato com pessoas cuja aproximação te trás um bem estar inexplicável. Isso não tem a ver com misticismo, tem explicação lógica no campo magnético que se produz na sua capacidade em atrair energias afins, inclusive as espirituais.

“Cada criatura com os sentimentos que lhe caracterizam a vida íntima emite raios específicos e vive na onda espiritual com a qual se identifica.” (4)

A recuperação dos elétrons

Agora, s

e você já perdeu elétrons, não se desespere, há formas bem eficientes de reposição de elétrons. Você pode tentar tirar um pequeno sono de 15 minutos, ou fazer uma prece que eleve o seu padrão de pensamento para o amor, ou trabalhar na caridade e agir sempre com amor. Você também pode receber passes, ser benzido ou receber o Reiki. Ainda existem ervas que possuem e produzem grande número de elétrons. E, sendo a água um bom condutor de energia, essas ervas são empregadas com muito êxito em banhos chamados de descarga (popularmente conhecidos como descarrego), porque retemperam e reequilibram o organismo. E vocês pensaram que banho de descarrego era outra coisa, né?
Tenho certeza que vocês já ouviram alguém dizer que colocar certas plantas (arrudas, “espada de São Jorge”, etc.), no ambiente é bom e isso se dá porque a produção de elétrons destas plantas protege os frequentadores daquele local. No entanto, quando a sucção dos elétrons é grande no ambiente, a planta chega a murchar: é quando se diz que “o ambiente não está bom”. Em analogia, estar em contato com a natureza e colocar os pés descalços na terra são restauradores porque recebemos elétrons das plantas e doamos elétrons para o solo, produzindo um equilíbrio energético. Lindo isso!
Este mesmo conceito explica a eficiência dos tratamentos por magnetismo, pela imposição de mãos. Acredito que vocês já sabem que os elétrons são dirigidos mais facilmente para as pontas, portanto, as mãos são ótimas ferramentas de magnetização (restauração energética). Atento que você pode ajudar uma outra pessoa a se restabelecer através da magnetização produzida por pensamento direcionado por uma intenção ou uma prece.
Vou convidá-los a refletir um pouco além. Estou usando a ciência da física quântica e da neurociência para explicar como pensamentos pautados no amor podem produzir curas. Destaquei que tais pensamentos aumentam o nosso campo magnético e que este campo pode ajudar a todos que nos cercam. Agora, peço licença aos religiosos para imaginar como seria estar perto de alguém que tem o pensamento elevado por todo o tempo, como Jesus e, neste artigo, pautar apenas no seu magnetismo.
“E aconteceu que, enquanto ele estava em uma das cidades, eis que um homem cheio de lepra, ao ver Jesus, posternando-se, rogou-lhe, dizendo: Senhor, se quiseres, pode purificar-me. Estendendo a mão, tocou-lhe, dizendo: Quero, seja purificado! E imediatamente a lepra afastou-se dele.”
Lucas 5:12-13

Puxa, estou pensando aqui, Jesus já conhecia física quântica há mais de dois mil anos atrás. Baseando em toda explicação lógica deste artigo, eu acredito nas curas de Jesus e isso não tem nada a ver com a religião, tem a ver com a minha crença de que ele possuía uma conexão direta com Deus, tornando-se puro amor. Queria ter estado em uma pontinha do seu campo magnético e sentir toda vibração de cura emanada por ele. E você?

Espero que tenham gostado deste artigo!

Luz Estelar!

Referências:
3 – Pastorino, C. Torres. Técnicas da Mediunidade.
4 – Xavier, Chico. Nos Domínios da Mediunidade. Pelo Espirito André Luiz – Editora FEB.
Observação: Contei com a revisão da minha consultora particular em física: Lúcia Mendes, minha mamãe 😉
Publicado em autoconhecimento, Curas

A cura pela observação dos vícios

O seu processo de evolução acontece com a cura contínua, em todos os níveis: cura física (de doenças do corpo), cura de relacionamentos, cura das emoções e da mente. Este processo passa por uma melhoria contínua a ser realizada por você mesmo, a todo instante da sua existência. Mas por onde começar? O que eu posso fazer para ser melhor do que eu era há um minuto atrás?
A evolução do Espírito passa por uma caminhada cheia de escolhas.

A observação dos seus vícios é uma ótima bussola para lhe guiar nessa jornada da cura e da melhoria contínua, mas vamos pensar primeiros sobre conceitos.
O que é um hábito?

Pense sobre os seus hábitos. Há algo que você faz rotineiramente e que seja saudável? Ou seja, não trás prejuízos para você mesmo ou para outros?

Temos muitos hábitos importantes como beber água regularmente, procurar os amigos para uma boa conversa, se exercitar regularmente e outros tantos. Agora vamos entender o conceito de vício.

O vício é um hábito que adoeceu. Ele é nocivo e incontrolável. Além disso, trata-se de um costume persistente, ou seja, você tem dificuldades em deixar de fazer.
Agora sejamos práticos. Vamos imaginar uma pessoa chamada José (nome fictício). O José tem o hábito da leitura. Ótimo, não é? Ele adora ler e tem o hábito de ler todas as noites. Posso dizer que é um hábito bem saudável e útil. Você concorda?

É possível um hábito tão bom seja adoecido? Vamos continuar a história do personagem José.
O José tem um problema familiar, um casamento ruim e a sua relação com os seus filhos não vai muito bem. Então, toda noite, o José chega do trabalho, faz a sua refeição de forma bem rápida, toma um banho e começa a ler. Ele não gosta de ser incomodado durante a sua leitura e, portanto, ele não tem contato com a sua família. Bom, José, me desculpe a franqueza, mas o seu hábito se tornou um vício. O José está prejudicando ele mesmo e sua família, perdendo a oportunidade do convívio e do tratamento de conflitos importantes.

Claro que não conhecemos o José, é apenas um personagem inventado e precisaria de mais informações para fazer uma análise mais aprofundada. No entanto, pode ser que o José esteja fugindo dos seus problemas se escondendo atrás de um vício, concorda?

“O vício aparece constantemente onde há uma inadaptação à vida social. Por incrível que pareça, o viciado é um “conservador”, pois não quer correr o risco de se lançar à vida, tornando-se, desse modo, um comodista por medo do mundo que, segundo ele, o ameaça.” (3)
Vamos continuar. Agora imagine outro personagem fictício, a Joana. Adoro a Joana! Ela tem muita habilidade no uso do celular e consegue resolver várias questões da sua vida com o whatsapp, facebook, etc… Sempre que eu preciso, procuro a Joana para me ajudar com problemas de tecnologia. Um dia a Joana me procurou dizendo que todos os seus amigos reclamam que em festas e em eventos sociais ela não tira o olhar da tela do celular. Tadinha, ela já tentou parar com isso, mas ficar sem o celular lhe causa uma angústia muito grande.
Vamos levantar possibilidades, lembrando que se trata de ficção, a Joana nem existe, viu? Pode ser que a Joana seja tímida e que ter a desculpa de olhar para o celular durante uma festa lhe traga a segurança, um estado no qual ela não precisa se expor em uma conversa com pessoas desconhecidas. Pode ser, mas não conhecemos a Joana, somente ela mesma ou com a ajuda de um terapeuta possa concluir o motivo exato dessa angústia.

Agora, pare um pouquinho, analise os seus hábitos e seja sincero com você mesmo e os classifique: vício ou hábito?

Todo vício é um sintoma

O uso da observação dos seus vícios para encontrar caminhos para a melhoria contínua, para o progresso de cada um, requer uma honestidade extrema consigo mesmo. Você está preparado? Nos damos desculpas o tempo todo para justificar a ida em uma academia todos os dias até nos lesionarmos para fugir de convívios sociais; comer só mais um docinho, porque é gostoso e não para esconder a carência do coração. O vício é apenas um sintoma, a ponta do iceberg. O que te faz prisioneiro daquele vício?
“Os vícios resultam do nosso medo de assumir o controle de nossa vida e, ao mesmo tempo, do medo de nos responsabilizarmos por nossos atos e atitudes, permitindo que eles fiquem fora de nosso controle e de nossas escolhas.” [2]
Há tanto campo para a reforma íntima observando os vícios mais escondidos na nossa rotina. Vejam só alguns exemplos trazidos pelo Hammed (2):

Vício de …
… falar descontroladamente, sem raciocinar, desconectando-nos do equilíbrio e do bom senso.
… mentir constantemente para nós mesmos e para os outros, por não querermos tomar contato com a realidade.
… nos lamentarmos sistematicamente, colocando-nos como vítima em face da vida, para continuarmos recebendo a atenção de todos.
… nos acharmos sempre certos, para podermos suprir a enorme insegurança que existe em nós.
… gastar desnecessariamente, sem utilidade, a fim de adiarmos decisões importantes em nossa vida.
… criticar e mal julgar as pessoas, para nos sentirmos maiores e melhores que elas.
… trabalhar descontroladamente, sem interrupção, para nos distrairmos interiormente, evitando desse modo os conflitos que não temos coragem de enfrentar.

Adoro tratar esta questão sem falar em álcool, cocaína, cigarro, remédios para dormir, etc… estes são vícios que costumeiramente são vistos pela sociedade como negativos. Há questões energéticas, fluídicas e espirituais extremamente importantes sobre os vícios químicos, que tratarei no artigo Vícios químicos – uma visão espiritual, mas já fica aqui uma dica:
“O Cigarro é esse enroladinho de fumo que tem uma brasa de um lado e um bobo do outro.”(1)
Tenho certeza que para você, exceto se você for um Buda (um ser iluminado), alguns vícios precisam ter mais atenção. Há um vasto campo de trabalho na busca da melhoria contínua do ser e das curas em todos os níveis na simples observação honesta dos vícios. Reforçando a ideia do vício como um sintoma, conforme Hammed (3), viciados são todos aqueles que se enfraqueceram diante da vida e se refugiaram na dependência de pessoas ou substâncias.
Os vícios são métodos defensivos que as pessoas assumem como uma forma inadequada de promover segurança e proteção. É preciso tomar as rédeas da sua própria vida.
Termino este artigo com um trecho do Capítulo IX, item 9, do Livro O Evangelho Segundo o Espiritismo:
“Compenetrai-vos, pois, de que o homem não se conserva vicioso, senão porque quer permanecer vicioso; de que aquele que queira corrigir-se sempre o pode. De outro modo, não existiria para o homem a lei do progresso. “
Ou seja, sempre há oportunidades de ser um pouquinho melhor do que fora há um minuto atrás.

Luz Estelar!

Referências:

1 – Simonetti, Richard. Não pise na bola. Editora Clarim.

2 – Neto, Francisco do Espírito Santo. Renovando Atitudes. Pelo espírito Hammed

3 – Neto, Francisco do Espírito Santo. As Dores da Alma. Pelo espírito Hammed

Publicado em autoconhecimento

Dica do dia: vai jogar um game!

Durante a nossa vida, passamos por problemas que nos tiram do eixo, mas como seria a vida sem os obstáculos?
Vamos fazer um paralelo com um jogo de vídeo game para trazer uma reflexão sobre este tema. Bom… vamos jogar um game?

As Fases

Para entender este paralelo da vida e dos games, você não precisa ser um grande jogador profissional. Vou mostrar para você inciando uma reflexão sobre as fases de um jogo.
Imagine um jogo que possui fases e a cada fase o personagem principal evolui, certo? Já experimentaram, em um game, jogar novamente a fase 1, quando já se alcançou a fase 153? Ela vai parecer bem mais fácil, né? A resposta certa é: não. Ou seja, a fase é a mesma, só o personagem principal que evoluiu.

Então, você pode estar se perguntando, mas o que significa evoluir em um game? Significa que você conhece as suas armas e limitações de forma suficiente para vencer obstáculos que aparecem pela frente. Ainda, você conhece a dinâmica do jogo e os adversários. Coisas do tipo: aquele monstrinho, quando pula, eu sei que ele sempre atira um laser… não é assim? Então você aperta um conjunto de botões que aciona um escudo, que você sabe que possui e já tem destreza para acioná-lo antes do laser te alcançar. Hum… então, podemos dizer que para evoluir é necessário se conhecer e conhecer o meio em que se vive, certo? Então não fique perto deste monstrinho que atira laser se você não aprendeu a acionar o escudo, ok? Cuide de você, do seu espírito, da sua energia, da sua sabedoria e aí, qualquer monstrinho vai ser muito fácil de ser vencido.

Zerando o jogo

Um outro ponto, já pensaram em jogar um jogo que já foi zerado? Meu filho me chamou para jogar um jogo em que tudo já tinha sido feito. Eu não aguentei jogar por nem um minuto… é extremamente chato. O personagem principal ficava vagando no cenário, fazendo coisas menores do tipo destruir coisas para ganhar pontos e comprar coisas novas. Perguntei para ele, aonde está o vilão para a gente detonar ele? E ele me respondeu: já o venci, mãe. Hum… que chato. Penso que seria assim uma vida sem problemas. Uma fase sem desafios. Sendo assim, não podemos procurar vencer um problema pensando que somente após a solução deste problema é que a vida vai ficar boa. Na verdade, os problemas fazem parte da vida. As crianças já sabem que os problemas que fazem os jogos interessantes. Vamos aprender com elas.

Jogar cada fase de uma vez

Outra lição, a criança não joga uma fase de um jogo pensando na próxima ou na anterior. O grande foco é vencer o desafio da fase em que se está. Claro que há o raciocínio de não “gastar” um poder que poderia ser útil na fase seguinte e ainda há o acúmulo do aprendizado das fases anteriores, mas se vive a fase atual. Ela é a que mais importa! O seu personagem está preparado para vencer o desafio da fase presente, a próxima fase será uma surpresa e, certamente, mais difícil que esta. Então, tenho que me preparar para ela. Ganhar experiência. Ou seja, viver intensamente o presente, mas sem perder o foco do futuro e das vivências do passado.
“O segredo da saúde, mental e corporal, está em não se lamentar pelo passado, não se preocupar com o futuro, nem se adiantar aos problemas, mas, viver sabia e seriamente o presente.” Buda

Quantas vidas temos?

Alguém poderia falar assim: mas no jogo temos mais vidas. Podemos morrer e recomeçar a fase. Já pensaram em quantas vezes morremos e recomeçamos uma fase na vida? Diria que na vida real temos infinitas vidas. Às vezes a morte em uma fase ocorre por que o personagem não está preparado para aquela fase. Falta a este personagem uma ferramenta, uma chave que abre uma porta ou um aprendizado sobre um novo golpe… então, qualquer criança diria que não adianta chegar infinitas vezes naquela porta se não achar a chave antes. No entanto, na vida real, as pessoas que não conseguem passar de fase, voltam e tentam fazer exatamente igual. Enfim, vão chegar naquela porta sem a chave e vão morrer de novo. Quando compro um jogo novo para o meu filho ele o “zera” rapidamente. Penso que ele não passa por todas as fases na primeira tentativa, mas penso que ele já aprendeu o que ainda estou aprendendo, tem que passar por outro caminho ou chegar lá com as ferramentas e os aprendizados necessários. Assim, vencer o chefão da fase fica mais fácil e deve ser “uma fase de cada vez”. Estas ferramentas necessárias são identificadas observando o ambiente, o contexto e a si mesmo. Um aprendizado contínuo e necessário.

A vida pode ser divertida, os problemas existem para não nos acomodarmos e evoluirmos sempre!

Dica do dia: vai jogar um game!

Luz Estelar!