Publicado em Espiritismo, Evangelho de Jesus

O Pedido de Casamento

Vou contar para vocês sobre um dia inusitado. O dia em que recebi um lindo pedido de casamento!

casamento

Toda manhã do terceiro domingo do mês, participo de uma tarefa de apoio aos mais necessitados. Há um senhor naquele local que sempre me ensina muito, vou chamá-lo de João (nome fictício/história real).

A minha jornada com o João começou faz tempo. Ele estava muito bêbado na primeira vez que nos falamos. João brigava com todos dizendo que não iria entrar na fila, mas queria levar a cesta básica assim mesmo. Eu me aproximei dele e disse com toda ternura do meu coração: “O senhor bebeu logo cedo?”. Ele sentiu toda a minha ternura e me disse sobre a qualidade das bebidas de hoje em dia. João me contou sobre o fato de não ter mais armas em casa, visto que sua mulher havia lhe dado um tiro certa vez. Neste ponto eu confirmei que não ter mais armas tinha sido uma prudente decisão. Ele também me contou choroso, sobre o seu netinho que iria nascer e que teria se afastado do filho. Enfim, ele entrou na fila, pegou a cesta básica e partiu.

Os próximos encontros foram intercalados em momentos em que João se apresentava para mim, mostrando que não estava bêbado. E em outros momentos em que ele nem se lembrava de nada, de tão bêbado. Um dia eu lhe perguntei sobre o seu neto que iria nascer. Ele chorou e disse: “Você se lembra?”. Sim, eu me lembro!

No domingo passado João estava lá. Ele estava com roupas sujas e rasgadas, num dia muito frio! Ele me contou que havia chegado 4:30 h e somente saiu da fila para tomar uma bebida. Ele me mostrou sorrindo que já não tinha dentes na boca. Eu segurei na sua mão e disse: “João, sua mão está fria!!!”. Ele se assustou com mais uma dose de ternura e disse muito carinhoso: “Você quer casar comigo? Dou-lhe um milhão de reais.” Eu ri muito. João me perguntou se em um milhão eu via dinheiro suficiente para não trabalhar mais. Eu lhe disse: “Para ser sua esposa eu precisaria aprender a usar armas, o senhor não deve ser muito honesto com as mulheres.” Ele sorriu, limpando algumas lágrimas e disse melancólico: “Ohhh, menina! Você não se esquece de mim.”.

Não me esqueço dele, pois ele é um grande professor para mim. Pensei em como eu poderia casar com uma pessoa com a alma tão adoecida quanto a minha? Nessa grande jornada da evolução em que estamos, há que se pensar nas bodas. Veja bem….

Este inusitado pedido de casamento me fez refletir muito e me fez lembrar da historia contada por Jesus. Me perguntei sobre quando estarei com a minha candeia cheia das virtudes de amor, fé e honestidade e poderei entrar em estado de profunda paz interior (Reino dos Céus), em pleno casamento com o meu Eu interior?

candeia

“O Reino dos céus será, pois, semelhante a dez virgens que pegaram suas candeias e saíram para encontrar-se com o noivo. Cinco delas eram insensatas, e cinco eram prudentes. As insensatas pegaram suas candeias, mas não levaram óleo. As prudentes, porém, levaram óleo em vasilhas, junto com suas candeias. O noivo demorou a chegar, e todas ficaram com sono e adormeceram.” Mateus 25-1:5

Nesta preparação para o dia do cassamento, há que se estar desperto e pronto para o noivo.

“À meia-noite, ouviu-se um grito: ‘O noivo se aproxima! Saiam para encontrá-lo!’ Então todas as virgens acordaram e prepararam suas candeias. As insensatas disseram às prudentes: ‘Deem-nos um pouco do seu óleo, pois as nossas candeias estão se apagando’. ” Mateus 25-6:9

A preparação é individual. Apesar de encontrarmos muitos professores pela vida, mas as virtudes (óleo) devem surgir de dentro e não há como comprar ou pegar de outrem.

“Elas responderam: ‘Não, pois pode ser que não haja o suficiente para nós e para vocês. Vão comprar óleo para vocês’. E saindo elas para comprar o óleo, chegou o noivo. As virgens que estavam preparadas entraram com ele para o banquete nupcial. E a porta foi fechada. Mais tarde vieram também as outras e disseram: ‘Senhor! Senhor! Abra a porta para nós!’ Mas ele respondeu: ‘A verdade é que não as conheço!'” Mateus 25-10:12

Você está pronto para tal casamento, para ser uno com o Deus que habita em você?

Chegará um dia em que Ele irá te reconhecer, pois cada dia você se aproxima mais da sua essência. Neste dia, vocês serão um só e viverão no Reino dos Céus.

Na jornada do autoconhecimento e da depuração do espírito, que todos nós possamos encher a nossa candeia de óleo para nos aproximamos da porta do noivo. Então, ele nos reconhecerá e nos esperará de braços abertos.

Enquanto isso… o namoro é a fase do aprendizado e, portanto, vamos namorar muito!

Luz Estelar!

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Publicado em Curas, Evangelho de Jesus

Sabedoria do Evangelho: A Cura do Cego de Nascença

siloam

Imagem: Tanque de Siloam (Siloé).

João 9

Ao passar, viu um homem cego de nascença. E os seus discípulos o interrogaram, dizendo: Rabi, quem pecou (errou), este ou seus genitores, para que fosse gerado cego? Respondeu Jesus: Nem ele pecou (errou) nem seus genitores; mas para que fossem manifestadas nele as obras de Deus. É necessário realizarmos as obras daquele que me enviou, enquanto é dia; a noite vem, quando ninguém pode trabalhar. Enquanto estiver no mundo, sou luz do mundo. Ao dizer estas [coisas], cuspiu na terra, fez barro com a saliva, e aplicou o barro sobre os olhos dele. E disse-lhe: Vai, lava-te no tanque de Siloam, que interpretado é “Enviado”. Então, [ele] partiu, se lavou e voltou vendo. Então os vizinhos e aqueles que o viam, porque era pedinte, diziam: Não é este o que ficava sentado mendigando? Uns diziam: É este. Outros diziam: Não, mas é semelhante a ele. Ele mesmo, porém, dizia: Sou eu. Diziam-lhe, portanto: Como os teus olhos foram abertos? Ele respondeu: O homem chamado Jesus fez barro, aplicou em meu olhos e me disse: Vai ao [tanque de] Siloam e lava-te. Assim, depois de partir e me lavar, recobrei a visão. Disseram-lhe: Onde está ele? [Ele] diz: Não sei. [Eles] conduzem o que antes [fora] cego aos fariseus. E era sábado o dia em que Jesus fez o barro e lhe abriu os olhos. Novamente, então, também os fariseus lhe perguntaram como recobrara a visão. Ele lhes disse: Aplicou o barro sobre os meus olhos, lavei-me e estou vendo. Alguns dos fariseus, então, diziam: Este homem não está junto de Deus, porque não observa o sábado. Outros diziam: Como pode um homem pecador fazer tais sinais? E havia divisão entre eles. Assim, diziam novamente ao cego: O que tu dizes a respeito dele, já que abriu os teus olhos? Ele disse: É profeta. No tocante a ele, então, não creram os judeus que fora cego e recobrara a visão, até que chamaram os genitores daquele que recobrara a visão, e os interrogaram, dizendo: Este é o vosso filho, o qual vós dizeis ter sido gerado cego? Como está vendo agora, porém, não sabemos. Ou, quem lhe abriu os olhos nós não sabemos. Interrogai-o, tem idade, falará por si mesmo. Os genitores dele disseram isso porque estavam com medo dos judeus; pois os judeus já haviam acordado que se alguém o declarasse Cristo, se tornaria um excluído da sinagoga. Por isso, os genitores dele disseram: Tem idade, interrogai-o. Então, chamaram, pela segunda vez o homem que fora cego e lhe disseram: Dá glória a Deus. Nós sabemos que este homem é pecador. Então ele respondeu: Se é pecador não sei; uma [coisa] sei: Era cego e agora estou vendo. Disseram=lhe, pois: Que te fez? Como abriu os teus olhos? Respondeu-lhes: [Eu] já vos disse e não ouviste. Que quereis ouvir novamente? Porventura vós quereis tornar-vos discípulos dele? [Eles] o insultaram e disseram: Tu és discípulo dele, mas nós somos discípulos de Moisés. Nós sabemos que Deus falou a Moisés, não sabemos, porém, de onde este é. Em resposta, o homem lhes disse: Nisto, pois, está o maravilhoso, que vós não saibais donde [ele] é, e [ele] tenha aberto os meus olhos. Sabemos que Deus não ouve pecadores, mas se alguém é adorador de Deus e faz a sua vontade, a esse [ele] ouve. Desde sempre, não se ouviu que alguém tenha aberto os olhos de um cego de nascença. Se este homem não estivesse junto de Deus, não poderia fazer nada. Em resposta, disseram-lhe: Tu fostes gerado todo em pecado, e nos ensinas? E o expulsaram. Jesus ouviu que o haviam expulsado e, encontrando-o, lhe disse: Tu crês no filho do homem? Em resposta, ele disse: Quem é, Senhor, para que [eu] creia nele? Disse-lhe Jesus: [Já] o tens visto, e é aquele que fala contigo. ele disse: Creio, Senhor; e o reverenciou. E Jesus disse: Eu vim a este mundo para juízo, a fim de que os que não veem vejam e os que vêem se tornem cegos. Os que estavam com ele, dentre os fariseus, ouviram estas [coisas] e lhes disseram: Porventura também nós somos cegos? Disse-lhes Jesus: Se fôsseis cegos não teríeis pecado; agora, porém, que dizeis “vemos”, permanece o vosso pecado.

Sobre o termo Pecado Carlos Torres Pastorino [2] orienta: “Literalmente, ‘hamartia’ é ‘erro’ no sentido de ‘errar o alvo’ ou ‘desviar-se do caminho certo’, isto é, perder-se (no deserto, no mato), enganando-se de rumo (…)”. άµαρτιών (“hamartión”), relacionado a “hamartia”, significa erro em geral, não um pecado na acepção vigente da palavra.

Anotações

Todo estudo do evangelho é incompleto. Provavelmente, levaremos alguns milhares de anos para começarmos a poder dizer: hoje entendo completamente os ensinamentos de Jesus, visto que ele é grande demais em sabedoria. Assim, ressalto, tranquilamente, alguns pontos apenas.

Rabi, quem pecou (errou), este ou seus genitores, para que fosse gerado cego? Respondeu Jesus: Nem ele pecou (errou) nem seus genitores; mas para que fossem manifestadas nele as obras de Deus.

Há pontos importantes neste trecho do texto de João. Um deles é a crença vigente da época de um Deus punidor, no qual poderia atribuir doenças e sofrimentos por castigo.

“A ideia de que todo sofrimento era castigo estava generalizada nos povos antigos, e Plantão mesmo cita a comparação órfica de que o corpo é uma sepultura ou cárcere ou isolamento que a alma recebe como punição de seus erros anteriores quando não cá e lá no espaço, quando não agiu bem durante a vida.“ (3)

Nas leis de Moisés, anteriores ao Evangelho de Jesus, as escrituras eram dúbias quanto aos “castigos” em sua interpretação literal (3): Êxodo (20:5 e 34:7), em Números (14:18) e no Deuteronômio (5:9) afirma-se que Deus “visitará a iniquidade dos pais nos filhos sobre os terceiro e quartos”. O que era entendido na época como “os filhos pagam pelos pais”. No entanto, em Deuteronômio (24:16) está escrito: “Não se farão morrer os pais pelos filhos nem os filhos pelos pais: cada homem será morto pelos seus erros.

“Aquele que pecar é que morrerá. O filho não levará a culpa do pai, nem o pai levará a culpa do filho. A justiça do justo lhe será creditada, e a impiedade do ímpio lhe será cobrada.” Ezequiel 18:20 e em vários outros pontos.

A pergunta dos discípulos sobre quem errou “o cego ou os seus genitores”, além de reafirmar esta questão vigente sobre a punição Divina, nos confirma que a reencarnação era algo comum, visto que ele só poderia ter errado em vidas passadas, pois que era cego de nascença. E Jesus diz não ser nem resgate de vidas passadas, nem castigo pelos erros dos seus pais. Ele, explica que é uma prova do espírito para que ele possa avançar, conforme a ação de Deus e este é outro ponto importante deste trecho do texto de João. Pastorino ressalta que a interpretação de que Deus o fez cego apenas para que Jesus pudesse lhe operar um milagre é inconcebível e irracional. Concordo que não faz sentido um Deus que é puro amor o fazer cego por tanto tempo apenas para que se ocorra o fenômeno. Assim, “a vontade de Deus” passa a ser mais lógica ao ser interpretada como a lei Divina do progresso e da evolução. Ou seja, ele nasceu cego para que o seu espírito pudesse se depurar e esta enfermidade pudesse lhe ser escola para a sua própria evolução.

Segundo o espiritismo, as enfermidades se originam de diferentes causas: ações cometidas pelo doente em existências anteriores, relação com processos obsessivos e, igualmente, testemunhos que fazem parte das provações previstas no planejamento reencarnatório do Espírito. O caso do cego de nascença está inserido nesta última possibilidade.

Ao dizer estas [coisas], cuspiu na terra, fez barro com a saliva, e aplicou o barro sobre os olhos dele.

O Espiritismo esclarece que a energia magnética (6) pode operar modificações nas propriedades das substâncias materiais, “[…] donde o efeito curativo da ação magnética, convenientemente dirigida.” Sabe-se, hoje, que a ação de campos magnéticos promovidos por passes, Reiki e outras terapias de impostação de mãos são altamente curativas, por intervir diretamente na matéria.

Somados ao natural poder do magnetismo, a vontade e o coração puro cheio de intenção de cura são catalizadores de todo processo. Porém, como se há de explicar a ação material de tão sutil agente? […] A vontade é atributo essencial do Espírito, isto é, do ser pensante. Com o auxílio dessa alavanca, ele atua sobre a matéria elementar e, por uma ação consecutiva, reage sobre seus compostos, cujas propriedades íntimas vêm assim a ficar transformadas. Imagino a ação do campo magnético produzido por Jesus, ser de puro amor!

Assim, a cura do cego de nascença foi realizada em duas etapas (4): na primeira, Jesus desobstruiu as estruturas biológicas responsáveis pela visão que se encontravam adormecidas, parcialmente paralisadas, em razão do período de tempo sem uso. Fato semelhante aconteceu com Paulo, o apóstolo dos gentios, que ficou temporariamente cego porque “escamas” lhe bloquearam a visão. (Atos dos Apóstolos, 9:18). Jesus aplicou, então, uma ação magnética mais intensa (saliva e terra), nos olhos do cego para desbloquear-lhe a visão. O Mestre elaborou, na verdade, uma espécie de cataplasma com terra e saliva, de forma que os elementos curativos penetrassem lentamente nos olhos, sem traumas. Segundo Pastorino, a terra significava a carne, visto que viemos do pó, e o cuspe a centelha divina.

A etapa seguinte foi retirar o tampão ocular nas águas límpidas do poço de Siloé, uma das principais fontes de suprimento líquido de Jerusalém. O poço estava situado na direção leste-sudeste da cidade e era alimentado por um canal (chamado “enviado” ou “enviador”) de águas subterrâneas, vindas do lençol freático. Nos tempos do Novo Testamento, este poço era usado para abrigar pessoas enfermas nas suas cercanias. É possível que a procura dos doentes pelo poço estivesse relacionada às propriedades medicinais de suas águas, da mesma forma que procuramos benefícios nas estâncias hidrotermais ou hidrominerais.

Ainda há que se ponderar o simbolismo de se lavar em águas. O batismo em águas era símbolo de renascimento. Fato este reforçado pelo questionamento dos vizinhos se era ele mesmo ou outro. Era outro e, como diz o próprio cego, era ele mesmo.

“Uns diziam: É este. Outros diziam: Não, mas é semelhante a ele. Ele mesmo, porém, dizia: Sou eu.”

É oportuno lembrar que a cura só se efetiva no corpo físico se a intervenção magnética atuar no perispírito. O Espírito André Luiz elucida: “Atuando nos centros do perispírito, por vezes efetuamos alterações profundas na saúde dos pacientes, alterações essas que se fixam no corpo somático, de maneira gradativa.” (5)

E Jesus disse: Eu vim a este mundo para juízo, a fim de que os que não veem vejam e os que vêem se tornem cegos.

Os que não vêem, os que são cegos, tornam-se videntes, iluminados pelo Cristo. Por outro lado, aqueles que julgam ver, com a fraca luminosidade do intelecto, vaidosa e oca esses tornam-se cegos. (3) Em outras palavras, os que não humildes e, ainda que são sábios, reconhecem sua ignorância e anseiam pelo Espírito, são iluminados pela luz interior (agem enquanto é dia) e passam a ver tudo pelo prisma da verdadeira sabedoria. Mas aqueles que só vêem as coisas materiais e por isso se julgam videntes, esses diante do Espírito se tornam cegos, e passam a não perceber mais nada. O Cego se apresentou iluminado, procurando demonstrar com fatos, mesmo diante de hostis, a verdade que experimentou.

“Se é pecador não sei; uma [coisa] sei: Era cego e agora estou vendo.“

Firme de sua experiência vivida, ele não se deixa abater nem intimidar. Este, passou a ver com clareza, já os verdadeiros cegos do espírito o amedronta com ameaças.

Luz Estelar!

Referências

  1. O Novo Testamento – Tradução de Haroldo Dutra Dias
  2. Estudos aprofundados da Doutrina Espírita – Livro III: Ensinos e Parábolas de Jesus – Parte 2
  3. Pastorino, Carlos Torres. Sabedoria do Evangelho, Volume V.
  4. Bíblia do Caminho – Estudos Espíritas (http://bibliadocaminho.com/ocaminho/tematica/EE/Estudos/EadeP1T2P2.4.4.htm#Ref3)
  5. XAVIER, Francisco Cândido. Entre a terra e o céu. Pelo Espírito André Luiz. 24. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2007. Capítulo 5 (Valiosos apontamentos), p. 39.
  6. O Livro dos Médiuns. Tradução de Guillon Ribeiro. 80. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2007. Segunda parte, Capítulo 8, item 131, p. 180.